(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...

Ana Amorim Dias

9.10.14

Abalos e terramotos

Abalos e terramotos

Se me tiveste visto de fora, acho que teria tido medo. Sim. Definitivamente teria pensado: "chiça, com esta não me meto eu, não!" ou então "credo, há pessoas que não se sabem mesmo controlar..."
Passado o par de impropérios trovejantemente vociferados e o voo picado das mesas que fiz desaparecer do meu caminho, lembrei-me do "Zeca Diabo" (personagem de uma das novelas que via em miúda) e da forma como se regenerou da sua vida de malfeitor contando até dez sempre que se irritava, na esperança de que a vontade de espancar ou matar alguém lhe passasse. Segui-lhe o exemplo. Acalmei o ritmo cardíaco, estabilizei-me um pouco e procurei apreender se conseguia tirar algum ensinamento de tão explosiva atitude.
"Será que as pessoas devem tentar reagir sempre com toda a calma? Ou será produtivo que, de tempos a tempos, se passem um bocado?"

Normalmente aconselho os outros a nunca tomarem decisões ou reagirem de cabeça quente. Então porque é que eu hoje soltei a minha fúria e só não fiz tantos estragos como um tornado por me ter controlado depressa? Para onde foi a evolução da tempestuosa criatura que em mim habita e que tenho aprendido a domar?
Decidi ordenar os pensamentos na certeza de que, subsequentemente e como sempre acontece, também os sentimentos e a vida se ordenariam.
- Olha pá...-disse a mim mesma - isto é como a crosta terrestre: enquanto forem ocorrendo uns ligeiros abalos telúricos para estabilizar o planeta, não ocorrem os colossais terramotos...
Percebi que talvez não estivesse totalmente errada: enquanto nos formos passando só um bocadinho e apenas de vez em quando, não precisamos de nos passar de todo nem para sempre.

À cautela, e para prevenir algum outro sismo temperamental, vim arrefecer a temperatura ao único que tem mão em mim: o Mar!

Ana Amorim Dias
18/9/2014

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