(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...

Ana Amorim Dias

7.6.12

A solitária lágrima


  Entro no carro e arranco em direção à meia de leite.  Os contornos quentes e luminosos da manhã, a par com a voz da Ana Carolina, trazem-me memórias bons de tempos passados. Uma lágrima solitária desprende-se de mim ao recordar coisas vividas que já não voltam mais.
   Mas, algures a meio dos três quilómetros e seiscentos metros que me separam da civilização, percebo que a solitária lágrima não precisa de ser de tristeza; entendo que a nostalgia que se sente pelo que de bom já se viveu pode muito bem ser trocada pela euforia que, com alguma sabedoria, podemos trazer à vida em cada dia.
  E foi assim que, antes que a solitária lágrima secasse, fiz dela uma lágrima de alegria. Por tudo o que já fui e vivi mas, sobretudo, por tudo aquilo que agora sou e ainda me falta viver.
Ana Amorim Dias
  

6.6.12

A magia da citação




    Ele comentou  aquela crónica ( sou sincera: já não faço ideia qual ) repetindo as minhas palavras e redobrando-lhes, assim,  o sentido.  Respondi-lhe que ficava com um sentimento estranho ao “ouvir” as minhas palavras “ditas” por outras “bocas”; como se as frases deixassem de ser minhas e ganhassem uma força renovada e uma veracidade incontestável.
- Não sabia, Ana? É poder mágico da citação! – Respondeu-me.
  Sorri com a generosa oferta que o Vítor me acabara de dar e guardei-a como se guardam as jóias.
  Volta e meia repetem-me as frases. E eu, feliz com o mágico efeito da citação, leio-as como se não as tivesse escrito. Faz-me lembrar aquela sensação parva que temos,  que o que é nosso não presta e o que vem dos outros é que é bom, sabem? 
   Bem, mas voltando aos carris do que vos queria dizer,  ontem repetiram-me esta frase: “Existem dois grandes dias na vida de todos nós… o dia em que nascemos e o dia em que descobrimos porquê.”   Vi-me forçada a puxar pelos cordelinhos da memória, mas lembrei-me que sim, que tinha sido eu a escrevê-la. E, ao mesmo tempo que sentia uma vez mais o poder mágico da citação, percebi que há outro poder muito mais mágico: o de fomentar nos outros a inquietação de pensar e sentir!
Ana Amorim Dias
P. S – Obrigada Vítor. Obrigada Patrícia.
 

5.6.12

A figueira preferida


   Todos os anos é a mesma coisa. Durante o início de Junho provo o primeiro figo da figueira preferida. É sempre ela, a mais possante e frondosa, que dá os primeiros e mais doces figos da época. Nenhum dos frutos das outras figueiras tem o mesmo delicioso  sabor,  ou então sou eu que tenho esta ideia porque quando começam a dar já eu comi tantos que não me sabem igual.
   É nos últimos dias de Maio que começo a “namorar” a figueira preferida. Chego à quinta, páro o carro mesmo à beira dela e espreito os ramos carregadinhos, calculando quantos mais dias de calor serão precisos até o calor amadurecer os frutos que me deliciam. Apalpo um ou dois,  na esperança de apressar a natureza, e começo a medir forças com os meus rivais alados numa ameaça surda que lhes diz: “Livrem-se! Os primeiros são meus, depois podem comer à vontade!”
   A fruta que se come debaixo da árvore e numa altura específica do ano, tem um sabor inigualável, que se sente nas papilas gustativas da alma!  Isto é mesmo verdade!
  Por isso ontem, ao comer o primeiro figo maduro (foi só um: gordo, doce e inimitável) que depois de árdua pesquisa encontrei, senti-lhe o sabor quente do Verão. Fui até ao céu da boca e senti a alegria de saborear,  em dentadas vagarosas, a magia gastronómica anual que sempre me antecede o solstício de Verão!
Ana Amorim Dias

4.6.12

E tu quem és?

1981
- Sabes Ana, todos temos uma função neste Mundo… -
 - Sim? – Esbugalhei os olhos enquanto caminhava ao  seu lado.
- Sim. E o dia mais importante das nossas vidas é quando descobrimos qual é a nossa função. 
   Fiquei a pensar qual seria a minha, completamente rendida à solenidade daquele momento e à força daquelas palavras que, soube-o logo, jamais me abandonariam. Quem as disse foi uma professora primária, minha vizinha, com quem eu fazia todos os dias o caminho para a escola.
  
1998
- Cada dia é de uma responsabilidade enorme. – Disse-me a Drª Helena, no princípio do meu estágio.  – A Drª Ana Dias vai ter que lutar pelo valor do seu nome todos os dias! –
  Percebi a mensagem e, mais uma vez, mergulhei na solenidade daquele momento e na força daquelas palavras.
- Lutar pelo valor do meu nome. Não me esquecerei! –

2012
    Estas duas Mulheres, com tão simples frases, deixaram-me dois ensinamentos preciosos que nunca me abandonaram.  Esperei muitos anos até perceber finalmente qual é a minha verdadeira  função. Contudo não a descobri num só dia. Não. Foi uma descoberta feita ao longo de muito tempo e de muitas páginas escritas.
    Também continuo a ter a plena consciência que o valor de um nome se contrói todos os dias. Com uma invacilável força interior. Com coerência e perseverança, num exercício de cega fé que nada pode demover. Mas o meu nome não é Drª Ana Dias, a advogada. Chamo-me Ana Amorim Dias. E sou escritora.
E tu?  Quem és?
Ana Amorim Dias

3.6.12

Um excelente investimento



O olhar dela brilhou quando me viu chegar.
- Quero um café, se faz favor, Mariana. – Dei-lhe o mais rasgado sorriso. O dia de ambas já tinha algo de bom.
   O poder mágico do uso abusivo da simpatia não é novidade. Esta fabulosa descoberta já me surgiu, qual mística revelação, há muitos, muitos anos.
   Oscilo entre a mera boa educação dos dias menos apaixonantes  e a talvez excessiva simpatia que deve confundir muita gente. A ponto de,  às vezes,  me parecer ouvir alguns pensamentos alheios a suspirarem: “ Coitada… esta não deve  ser muito certa…”  Não me importo nem um bocadinho. Se estou feliz,  que melhor forma pode haver de transbordar essa boa energia para os outros?  E,  se não estou, que melhor forma pode existir de a criar de raiz?
   Gosto de espalhar simpatia. Consciente ou inconscientemente: é indiferente.  Gosto de ver os sorrisos a abrirem-se à minha chegada; de meter conversa com desconhecidos de olhar vazio e notar a diferença em poucos segundos. Gosto de tratar pelo nome quem me serve o café ou me vende o pão. Gosto de ser estúpidamente simpática, mesmo sabendo que,  às vezes, posso ser mal interpretada.   Gosto de viver num sítio pacato onde ninguém estranha que se diga   ”bom dia” a toda a gente. E gosto de saber que, por mais que às vezes me esqueça disto, volto-me sempre a lembrar.  Mas o que mais gosto é do ricochete energético que a simpatia emanada sempre me traz de volta!
Distribuir sorrisos, olhares sustentados e  palavras  amáveis é um investimento de lucros garantidos! Aqui não há risco de perdas nem crises que afetem este mercado de importantes valores.  A equação é simples: somamos as nossas demonstrações de simpatia a uma pura sinceridade, multiplicamos pelas pessoas a quem a destribuímos e ela vai-se exponenciar em  imediatos efeitos benéficos, não só em nós como em todas as pessoas  que se cruzem no caminho dos destinatários da nossa simpatia. É como uma praga, garanto-vos! Mas das boas, claro!
Ana Amorim Dias

2.6.12

O melhor dia de sempre


   Como a professora do João avisou que no dia da criança   ia precisar de faltar, armei-me em heroína e convidei dois amiguinhos para virem passar o dia com ele. Afinal estava a ser solidária com outras duas  mães e daria aos miúdos um dia inesquecível.  Percebi rapidamente porque é que o Diogo e o Jorginho são os melhores amigos do meu filho mais novo: tal como ele são uns pestinhas encantadores…
    Confesso que o dia da criança demorou um bocadinho a passar. Por volta da uma tarde eu já tinha repetido certas frases umas boas dezenas de vezes: “ Gritem mais baixo!”; “ Não assustem as galinhas!”; “ Nada de atirar pedras à colmeia!”; “Deixem alguma água na piscina!”; “Não espalhem pipocas no chão!”; “Cuidado para não salterem disparados da cama elástica!”…  E os estupores, como é óbvio, faziam ouvidos de mercador e continuavam nas suas convictas e inadiáveis atividades.  
   Ocorreu-me que mantê-los em casa, com canais infantis e playstation, seria muito mais fácil do que andar atrás deles feita louca nos largos hectares cá da quinta,  mas os maganos só se contiveram entre paredes durante pouco mais de uma hora. Garanto que ontem perdi uns dois quilos!
   Mas não posso negar que  me deu grande prazer formar neles estas memórias de mais um dia feliz.    Embora ninguém me tire da ideia que as mulheres entraram no mercado de trabalho para fugir ao cenário dantesco que os filhos conseguem instaurar em casa, não há nada que dê mais prazer a uma mãe que ouvir, ao fim do dia, que “ Este foi o melhor dia de sempre! “
 Ana Amorim Dias
  

1.6.12

Façam o favor de ler, sim?



    Eram onze e pouco da manhã quando acabei de escrever o meu quarto romance. Embora vários imprevistos me tenham impedido, ao longo das duas últimas semanas,  de escrever com a produtividade habitual, terminei  o “Quatro“ , de acordo com o que tinha estabelecido:  no último dia de Maio.
     Não me importei muito com os impedimentos que me atrasaram as últimas páginas. Acontece-me sempre a mesma coisa: na vertigem do prazer supremo da criação do final há sempre algo a travar-me; como se estivesse à espera de viver ou perceber mais alguma coisa para poder subliminar a apoteose. Mais uma vez isto aconteceu! Precisei de viver, sentir e perceber mais algumas coisas para que o fim ( ou será um novo princípio?) da estória da Leonor, da Sam, do Artur e do Vítor guardasse o significado mais saboroso.
   “Quatro” é uma fábula dos tempos modernos. Uma fábula muito real de como podemos tocar a vida e a alma uns dos outros, alterando todo o curso e sentido das existências.  Um conto de 400.000 caracteres e 85.000 palavras onde um encontro improvável de pessoas muito diferentes dá lugar  a uma sequência de acontecimentos incríveis e revelações que se aguardam, contendo a respiração, até às últimas páginas.
   “Quatro” é mais um “filho”: o quarto. Adorava que o lessem. Iriam gostar, tenho a certeza! Mas para isso é preciso que alguma editora, como a Leya, o leia realmente e não me responda um “não” apenas cinco dias depois de enviar o original. Para isso é preciso que alguma editora como a Porto, o leia e chegue a enviar alguma resposta.  E agora perdoem-me o tom sarcástico mas a crise, meus amigos, pode muito bem começar a ser superada com a exportação de tudo o que de maravilhoso por cá se faz. Perdoem-me também o tom algo convencido mas como sou leitora desde os oito anos sei bem que já li muitos “sucessos” internacionais que não são superiores ao que escrevo.
   Por isso cá deixo o apelo a algum editor que se possa cruzar com estas palavras: nas próximas semanas,  o “Quatro”, de Ana Amorim Dias, vai chegar até vós. Desta vez façam o favor de ler, sim?
Ana Amorim Dias

31.5.12

Vou amar-te num bolero




   Ontem à noite estive a ouvir boleros com o meu pai. Com o homem que me ensinou a ouvi-los  e a senti-los bem cá dentro. Há já algumas semanas que não o recordava tanto. E nem sequer fiz de propósito. Apenas liguei o youtube no telefone e comecei a ouvir boleros, essa fórmula musical que me está gravada nos genes talvez por influências paternas.   Fui ouvindo e sentindo. Sentindo que o amor que não morre. Porque há amores  que não desfalecem na ausência.
   Lembrei-me que já criei uma letra em que, na segunda frase do refrão, escrevi isso mesmo: “vou amar-te num bolero”. Se a procurarem no youtube,  verão que a canção “Dar-te música” do meu amigo Ricardo Sousa, fala sobre um tipo diferente de amor;  daquele entre homens e mulheres que vivem apaixonados.   Esta crónica não fala disso. Hoje estou a falar de algo muito mais abrangente e que é fundamental ter presente: há mil tipos de amor e milhões de pessoas para amar; o amor é mesmo maior que a vida porque não morre na morte; e sim, é o amor que nos move!
   Ontem estive a ouvir boleros com o meu pai. E sei que vou amá-lo sempre, em qualquer bolero que oiça.
Ana Amorim Dias

30.5.12

Estar vivo é diferente de viver


   Apesar de já pouco recordar sobre o que aprendi nos três anos em que tive Filosofia no liceu, lembro-me que adorava a disciplina. O Professor Furtado não debitava apenas as correntes de pensadores e as suas respostas às grandes perguntas da humanidade. Ele desafiava-nos a pensar por nós próprios e, ao que parece, gostava da minha lógica porque foi sempre generoso nas notas que me deu.
    Ontem lembrei-me de algumas das grandes questões filosóficas e respondi-as em segundos. Quem somos? De onde vimos? Para onde vamos?   À primeira respondi: o que importa? À segunda respondi: do cocktail genético dos nossos ascendentes. E à terceira, “para onde vamos?”, decidi que,  quando lá chegar, logo saberei!
   O que importa mesmo questionar é o que é que andamos cá a fazer! O resto não tem a mínima importância. O que é que andamos aqui a fazer? Qual é o sentido da vida? … Pausa… Estou a ouvir-vos a pensar… Caramba! Não acredito que não saibam! Esta é de caras! A resposta é óbvia e, como tal, devia ser quase automática!
   O que estamos aqui a fazer? … A VIVER!!! Certo? É isto, não é? Podem pensar de diferente forma que não vos dou má nota por isso, mas pensam lá comigo: o que andamos cá a fazer não é a viver? A experimentar, a aprender, a pensar, a sentir, a evoluir e a emocionar-nos. Talvez algumas pessoas não percebam o sentido da vida por isso mesmo, por se esquecerem de o fazer. Ou por não sabererem como se vive, não sei…    Correndo o risco de fazer uma afirmação tão brilhante como a da Dona Caneças, vou dizer que estar vivo é diferente de viver. Mas é que é mesmo! Uma pessoa pode estar viva, respirar e ter os órgãos todos a funcionar em pleno e, ainda assim, não estar de facto a viver. Já me entenderam, certo? Respirar não é estar  vivo  de verdade.  Estar  mesmo vivo é acionar a toda  a hora a  apaixonada loucura de pensar e sentir. Estar realmente vivo é procurar incessantemente as emoções, o conhecimento e a evolução. Há muitas pessoas que apenas respiram e, com esse pequeno e constante sopro de oxigénio, arrastam-se pela existência sem a mínima consciência do que estão a fazer. E há outras, meus caros, que a dada altura do percurso, se recordam do que cá andam a fazer e começam  realmente  a viver.
   Não sei se o professor Furtado lerá esta crónica e nem sequer posso dizer que a aprovação deste meu ídolo da juventude seja assim tão importante mas,  tanto quanto o lhe recordo a vitalidade, creio que concordará comigo.
Ana Amorim Dias

29.5.12

O mergulho


   Ontem estava a contar passar o dia entre crónicas para algumas publicações, as últimas páginas de “Quatro”, umas arrumações e uns mergulhitos no mar. Mas, às nove e cinquenta, fiquei a saber que um amigo em apuros precisava de mim no Tribunal… às dez.
  Lá fui. Biquini rosa fushia por baixo de uma túnica e calças de ganga. Nos pés umas havaianas castanhas e, a completar o quadro, os cabelos sempre revoltosos de sal, colares de coloridas missangas  e outros adornos ibizengos.
   Fui à secretaria pedir uns esclarecimentos. Aproveitei e pedi também uma caneta e uma toga.
- Bom dia, Dra! – Recebem-me sempre com um sorriso rasgado. Explicaram que a toga teria que ser emprestada por algum colega. Não me preocupei. Quem tem boca tudo explica.
   Passei a manhã em espera e em inquérito. A audiência de julgamento ficou marcada para as   duas. fui a casa refrescar-me e buscar a amiga toga que sempre me acompanha nestas andanças de tentar fazer justiça. Não me livrei do biquini que a praia ainda me esperava. Voltei ao Tribunal e esperei. O costume. Mas a audiência lá se fez e, tendo em consideração o cenário, até correu muito bem. Mas foi ao sair daquele local,  tão solene e cheio de regras, que me lembrei de novo do que tinha vestido por baixo, como quem recorda a essência.
   Podemos passar a existência enganados, vestidos com togas, fatos e outras enganadoras peças de guarda roupa encenado, a pensar que somos grandes doutores, médicos, polícias ou padeiros mas, bem lá no fundo, somos inocentes selvagens que só precisam de uma tanga para se atirar ao mar e se ligar à essência da vida.
Ana Amorim Dias
P. s. – Sim. Terminei o dia com um mergulho. Gelado. Emocionante. Regenerador.
 

28.5.12

A parte mais gostosa


Estavamos todas juntas, espalhadas pelos sofás e pelo felpudo tapede, a beber um Lambrusco fresquinho.
- Os homens não gostam de celulite!  - Começou uma, enquanto comíamos snaks que, na embalagem, deviam trazer aquele género de frases que vêm nos pacotes de cigarros : “Comer estes snaks vai fazer com que as suas coxas fiquem repugnantes. A responsabilidade é sua”.
- Nenhum homem gosta menos de uma mulher por ela ter celulite, acreditem! – Disse eu. – Eles não são assim! – Senti-me na obrigação de defender o sexo que, naquele momento e lugar, era o mais fraco.
- Podemos perguntar-lhes. – Disse outra.
- Tomás? A celulite incomoda-te? –
- Credo! Que nojo!! –Respondeu.
  Expliquei-lhes que o meu filho mais velho é assim. Por agora tudo lhe mete nojo, até pensar em andar de mão dada com a namorada.
- João? A celulite incomoda-te? –
- Não! – E foi-se embora brincar.
   Depois de perguntarmos a um macho de dez anos e a outro de sete, resolvemos “atacar” o único macho adulto presente:  -  Paulo? A celulite incomoda-te? –
- Claro! Muito! – Respondeu.
   Expliquei que a opinião dele também não contava porque, além de ser um gozão da pior espécie, adora tanto a mulher que ela podia ser uma verdadeira beleia e  ele não se importaria.
- Só falta um! Afonso! A celulite incomoda-te? –
  As suas brincadeiras de menino de quatro anos e meio foram interrompidas e creio que não gostou muito.
- O que é ixo?
- É um bicho de quatro patas! – brincou uma de nós.
 Ele saiu da sala a repetir: - Um bicho de quatro patas, um bicho de quatro patas? Que medo! –
A discussão sobre os inconvenientes da celulite acabou com uma explosão de gargalhadas. O que eu me esqueci de lhes dizer, foi o que aprendi com um simpático brasileiro que há dias me atendeu num restaurante de rodízio:
- Cê não gosta dji gordurinha? Nossa! É a prartji mais góistosa da carne!! Si não tem gordurinha, presta não!! -
Há homens muito sábios…
Ana Amorim Dias

27.5.12

A minha paixão por mulheres



  Anda por aí uma música que diz:  “toda a gente sabe que os homens são brutos”. Coitadinhos. Não são nada! A menos que interpretemos o “brutos” no  lato sentido da ignorância e incapacidade de compreender as Mulheres.
  Nos últimos dias aprofundei a amizade com uma mulher que conhecia mal e conheci outra de quem apenas ouvira falar. Além disso também passei bastante tempo com três das muitas mulheres da minha vida. Como eu entendo os homens! As mulheres podem passar horas a falar de tintas para o cabelo, extensões de pestanas ou de celulite, mas são os seres mais fabulosos do planeta!  Embora de forma completamente inocente e espiritual, começo a peceber que sou louca por mulheres. As mulheres elevam-me e apaixonam-me. Surpreendem-me e inspiram-me!
   E isto leva-me a pensar que nós,  mulheres, à semelhança de algumas civilizações antigas, deviamos instaurar uma espécie de retiro exclusivamente feminino pelo menos uma vez por ano. No solstício de Verão, por exemplo, porque não? Devíamos reunir-nos em grupos de amigas, colegas e familiares que, na proibição  convicta da presença desses estranhos e “brutos” seres do outro género, se dedicariam apenas ao prazer da maravilhosa companhia que sabemos dar umas às outras. Deveríamos retirar-nos, durante largos dias, para a maior casa disponível e apenas poderíamos levar a miudagem e os animais de estimação. E enriqueceríamos de forma inimaginável a nossa existência ( e a dos homens, certamente!) com o exponenciar de toda a nossa mística e miraculosa energia feminina. Voltaríamos desses dias mais poderosas e próximas do divino porque aquilo que temos para dar umas às outras, não me levem a mal, mas nenhum homem consegue!
Ana Amorim Dias