(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...

Ana Amorim Dias

15.6.12



A minha Fada
     Todas as miúdas sonham com contos de fadas. Também eu o fiz. No entanto foi preciso chegar à  idade adulta para encontrar a minha. E tem mesmo o nome com ela: Fada Micá, Maria do Carmo por batismo. 
   A Fada Micá “caiu-me” na vida há cerca de um ano. Não caiu do céu mas veio pelo braço de um aviador:  o Comandante Vítor, ou, como eu lhe chamo, o papá Pandinha por causa da fofura e das barbas brancas.
   Lembro-me que a paixão pela minha Fada foi imediata. Os olhos cruzaram-se; as almas tocaram-se e a ligação, automática e invacilável, estabeleceu-se nesse instante. Comecei a tratá-la por Fada das viagens pois foi ela que me ajudou a organizar a minha expedição à Argentina, mas depressa percebi que o pelouro era bem mais vasto, pleno até. E então passou a ser “apenas” a Fada Micá, a minha Fada.
   Mora do outro lado do Atlântico mas não tem importância. Mesmo nenhuma. Porque as Fadas são tão mágicas que se instalam no nosso coração e estão sempre, sempre, connosco.
   Não termino esta verídica e maravilhosa estória sem vos revelar a moral… É que as Fadas, meus anjos, não moram nos livros infantis. Elas existem e revelam-se quando menos o esperamos, em qualquer altura da vida.
Ana Amorim Dias
  

14.6.12

A 100%


     Ontem o dia foi mais cheio do que é costume. Longo, cansativo, muito desafiante e repleto de novidades. Em suma: um dia aliciante e motivado.   Fui rodando o meu botão pelos vários modos e interpretando alguns dos muitos papéis que, como toda a gente,  acumulo.
    Ao longo do dia  alternei entre a cronista/escritora; a advogada/intérprete; a R.P. da Quinta do Monte que teve que ir tratar das unhas que não estavam impecáveis; a organizadora de eventos; a decoradora; a amiga que está lá sempre; a dona de casa que fez um belo jantar; de novo a advogada e, claro, a mãe babadona que foi ver o filho/vocalista de banda à festa da escola.   
    Porque é que estou a contar esta lista interminável de coisas? Porque o dia de ontem, entre muitos outros sublimes ensinamentos, trouxe-me um que apreciei em particular:  devemos estar  focados a 100% no que estamos a fazer. Por mais que tenhamos que mudar as vestes profissionais e pessoais ao longo do dia, para interpretar os diferentes papeis, devemos estar a 100% naquilo que estamos a fazer no momento. É que é certinho e direitinho: quando estamos absolutamente empenhados, entusiasmados e concentrados em algo em particular, os dias rendem mil vezes mais; as horas esticam e o rendimento sobe. Já para não falar do prazer que é, deitar a cabeça na almofada e, nos cinco segundos que nos restam de consciência, pensar: “Caneco, pá! Tenho mesmo super-poderes!”
Ana Amorim Dias

13.6.12

Uma carta aos professores

   Para que fique bem claro, sou daquelas pessoas que acreditam com toda a força no valor indizível dos professores. Aplaudo-os de pé e durante muito, muito, tempo!
   Confirmo com a boca toda ( como dizem os meus filhos)  que uma sociedade sã e próspera só pode existir se se derem aos professores todas as ferramentas de que precisam e todo o valor  que merecem que lhes seja atribuído. Professores são Sóis que iluminam mentes; são guerreiros  abnegados em cenários de “guerra” hostis, que não se intimidam com nada e continuam a sua missão. Professores são a água e o oxigénio do conhecimento dos seus discípulos; são o exemplo mais acabado de profissionais-heróis.  É isso: professores são heróis, verdadeiros HERÓIS, a meu ver.
 Mas isto já era assim antes das coisas terem chegado ao ponto em que estão, cuja ponta do fio nem me atrevo a puxar. Se antes eram heróis, agora são semi-deuses. Quando lhes tiram todas as condições, autonomia, credibilidade,  estatuto, dignidade, esperança e meios de subsistência, como podem não lhes tirar também a vocação e a motivação?  Malditos e cegos governantes e legisladores! Será que não vêem o crime que estão a cometer perante a nobreza destes heróis? Será que o seu entendimento não alcança as dramáticas repercussões que cada vez mais se fazem sentir nas crianças e jovens que este (miserável?)  país (não) está a preparar para o futuro???
  Não escrevi esta crónica para mudar a atitude dos cegos governantes e ignóbeis legisladores pois sou sonhadora mas não utópica. Escrevi esta crónica para vocês, PROFESSORES-HERÓIS, para que  cada um de vocês não se esqueça da missão linda que tem. Sei que peço demais mas também sei que me entendem: tentem não perder a esperança; tentem não perder a motivação. Tentem continuar a iluminar,  com os brilhantes raios do sol do vosso conhecimento, as mentes dos inocentes que todos os dias vos esperam depois do toque de entrada… mesmo que nem eles, por enquanto, vos saibam reconhecer o valor.
  A todos deixo o meu sentido abraço.
Ana Amorim Dias

12.6.12

A bolha e a mosca




   Só contei  isto a algumas pessoas que me são mais próximas e, mesmo assim, a muito poucas!   Mas porque não partilhá-lo convosco?  Afinal,  o que pensamos e os métodos interiores  com que enfrentamos  a vida ainda não pagam imposto nem fazem recair sobre nós responsabilidades criminais!
  Recebo imensos mails em que pessoas “desabafam” a propósito do conteúdo das minhas crónicas: ficam com as mentes  inquietas  e os pensamentos lá presos,  a adaptar certos conceitos à sua própria vida.   Por isso, hoje,  vou-vos deixar dois  exercícios muito fáceis que “inventei”  ( provavelmente até muita gente os usa…  com “inventei” apenas quero dizer que não copiei de ninguém) e que uso muitas vezes.   Servem para enfrentar situações mais complicadas e, além de eficientes, são muito divertidos.  
   Aviso já que isto pode parecer completamente estúpido, de forma que,  se quiserem parar de ler, ainda estão a tempo!
  Ora então cá vai: 
A BOLHA
 Uso a bolha como os super-heróis usam os super-poderes!  Quando o “circo” começa a pegar fogo, aciono a bolha. Normalmente quando há estímulos externos negativos, sejam eles causados por situações complicadas, momentos dolorosos, más notícias ou pessoas descontroladas, imagino-me imediatamente dentro de uma bolha que me envolve e onde nada pode entrar. Na minha bolha só há calma, paz, luz, compreensão e amor. O que é mau não entra. Digamos que me ligo à minha essência e à raiz de tudo o que é bom. E isto é mais do que suficiente para emanar para mim mesma uma proteção poderosa e eficaz. Coloco-me num estado de quase graça que acaba por me fazer sair da situação absolutamente incólume. Imaginem a vossa bolha do tamanho e cor que quiserem e só permitam a entrada de coisas e sentimentos bons. Mas desde já aviso que quanto mais praticarem mais eficiente e impenetrável  ela se torna.

A Mosca
  Uso a técnica da mosca quando alguém me está a chatear. Olho para a pessoa em questão e, em vez de ver um ser humano, vejo uma mosca gigante a zumbir e a bater as asinhas. Deixo completamente de ouvir as palavras e fico só ali, a dar toda a minha atenção não à pessoa mas à mosca. Quando acaba de zumbir, mantenho o meu silêncio e vou-me embora sem dar resposta. O que é que se pode responder a uma mosca? Eu não sei porque não falo “mosquinhez”…
Ana Amorim Dias

 

11.6.12

O meu “pequeno” Buda


   - Larga o meu bebé! – costumo dizer ao João quando ele irrita o Tomás.  Riem-se os dois sem perceber porque é que é sempre o mais velho que eu trato por “meu bebé”.
   Desconfio que os filhos mais velhos, muito mais que os seguintes,  guardam eternamente o estatuto de “bebés”.    Ou então sou só eu que penso assim por ter algum dos “chips” da maternidade avariado.
      O Tomás nasceu comprido e magricela e, ao fim de poucos meses parecia um verdadeiro Buda. Um Buda convicto, gordinho e calmo, que nos prendia o olhar deliciado.  As gordurinhas de bebé há muito que desapareceram, mas desconfio que  a pose relaxada de Pachá será para sempre a sua imagem de marca. Tendo uma mãe tão frenética e um pai tão ativo, já me tenho perguntado como é que “saiu” com  esta essência tão:  “leve, leve e devagarinho”.  Mas cada um é como é e este meu “pequeno” Buda é tranquilo, doce e muito, muito, meigo.  
   Agora que já o vou vendo no seu jeito de rapaz, não me consigo impedir de gabar a sorte da moçoila que venha a amar. Da mesma forma que gabo a minha própria sorte por nunca me ter feito chorar e me fazer rir a toda a hora. Gabo a sorte de o ter na minha vida e bendigo o dia em que, há onze anos, o vi pela primeira vez ao vivo.  Reconheço a minha sorte e agradeço-a todos os dias, mesmo naqueles breves momentos em que faz as suas leves birras em que a beiça de baixo lhe desce até ao umbigo.
  O meu pequeno Buda tranformou-se num homenzinho de nobres sentimentos e coração de anjo. Com ele posso desabafar e até já lhe peço conselhos. Já quer que lhe leia o que escrevo e me dá abraços confiantes quando estou mais macambuzia. Já somos companheiros cúmplices,  formando um grupo de eleite só de dois, com programas só nossos e um entendimento indizível.
  Apesar de parecer ter 14  ou 15 anos devido ao do seu metro e setenta ( e de calçar o 42! ),  o meu “pequeno” Buda faz hoje 11 anos. Onze anos de vida, sabedoria, e doçura. Onze anos  de uma das alegrias mais puras que a vida já me deu!
Ana Amorim Dias


  

9.6.12

Ciúme não é amor


  O ciúme é um enorme buraco que surge na veste do amor. Ciúme é estupidez, atraso, ignorância emocional e ausência de amor-próprio.
   Não me venham cá com a estória que só há mesmo amor se também houver ciúme. Tretas! Isso é mentira!  Amor só é amor, mas AMOR de verdade, sem a asquerosa  nódoa  desse sorrateiro e ignóbil assassino de relações.  Amor só é amor, mas AMOR de verdade, quando sabemos dizer: “ O teu coração está a sentir algo por outro alguém? Então vai e sê feliz porque é assim que eu te amo. E, caso um dia te lembres que é comigo que sonhas, talvez eu ainda cá esteja… ou então talvez não.”
  Com ciúme não há amor. Há uma aberração emocional condenada ao insucesso.
Como pode alguém ser ignorante ao ponto de pensar que o coração alheio obedece à sua vontade quando nem o próprio coração o faz? Eles têm vida própria. Os corações nunca se compadecem com proibições externas nem obedecem a carrascos de atitudes possessivas.
   O ciúme é o primeiro passo para a perda e sofrimento; é a génese da destruição dos sentimentos amorosos.
   Como podem os ciumentos não perceber algo tão simples? Como podem os inseguros possessivos não entender que todo o tempo que gastam a controlar,  devia ser usado a com manifestações de carinho, sedução e atenção? Quantas relações não se salvariam assim?
  O ciúme é mesmo o Anticristo da divindade amorosa; é a força animalesca que enfraquece quem a sente. Mas acredito que já haja quem sabe amar.  Aliás, sei que existe quem sabe amar. De verdade. Sem ciúme.
Ana Amorim Dias

8.6.12

Só há dois tipos de medo!




   Falei há dias sobre uma ferramenta fundamental para a vida nos correr pelo melhor. E ela consiste em aprender a usar o medo a nosso favor.
   Acredito que existem apenas dois tipos de medo. Os justificáveis, que nos protegem dos perigos e que devemos acatar. E todos os outros, que apenas servem para nos travar e impedir de seguir o nosso caminho e explorar todas as nossas potencialidades.
  Ora pensa lá: quantas coisas já deixaste de fazer por medo? Quantas viagens perdeste escudando-te atrás de outras desculpas quando  o  que te travou foi o medo? Quantas pessoas não conheceste, escondendo-te atrás de outras desculpas, quando o que na verdade te impediu foi  o medo?  Quantas oportunidades deixaste escapar por medo? Quantas vezes viraste as costas a mergulhos no teu interior mais profundo… por medo?  
   “ Não tenho dinheiro” ; “ Não tenho tempo” ;  “ Não posso” ; “Não me deixam” ; “ Não é isto que esperam de mim”; “ Tenho que tomar conta dos filhos/marido/mulher/negócio”;  “ Não é oportuno” ; “ Não é correto” ….    São estas as justificações que dás a ti mesmo, não é?  Porque não te deixas de “merdas” e  admites de uma vez por todas, pelo menos perante ti, que o único impedimento é o medo?  Tens medo de estar sozinho contigo. Tens medo de falhar. Tens medo que não te entendam. Tens medo de perder o que tens. Tens medo que, ao sair do trilho, te votem ao ostracismo. Tens medo que te deixem. Tens medo de voar e medo de cair. Tens medo de sonhar pelo medo de não concretizares os sonhos. Tens medo do julgamento. Tens medo de te dar. Tens medo de receber. Tens medo de sentir e de mostrar o que sentes. Tens medo de te emocionar,   de chorar e de rir como um louco, não tens?  Tens medo do que queres dizer. Tens medo de ir ao fundo de ti e do que lá podes encontrar. Tens medo dos outros e de ti. Tens medo de falhar. MEDO DE FALHAR! Certo?
Sabes o que é usar o medo a teu favor? É perceber que só há dois tipos de medo: o que nos salva do perigo e o que nos impede de viver! E é no combate ao medo que nos impede de viver que a coragem se gera. Enfrenta-o sem te esconderes atrás de desculpas esfarrapadas.  Conhece-te. Conhece os outros. Conhece o Mundo. Voa. Cai. Sonha. Sente. Ri e chora. Vive o medo;  toca-lhe; cheira-o; abraça-o; e sente-o desfazer-se perante a tua coragem!
   Porque só há dois tipos de medo: o que nos salva do perigo e o que nos impede de viver. Pensa nisso!
Ana Amorim Dias

7.6.12

A solitária lágrima


  Entro no carro e arranco em direção à meia de leite.  Os contornos quentes e luminosos da manhã, a par com a voz da Ana Carolina, trazem-me memórias bons de tempos passados. Uma lágrima solitária desprende-se de mim ao recordar coisas vividas que já não voltam mais.
   Mas, algures a meio dos três quilómetros e seiscentos metros que me separam da civilização, percebo que a solitária lágrima não precisa de ser de tristeza; entendo que a nostalgia que se sente pelo que de bom já se viveu pode muito bem ser trocada pela euforia que, com alguma sabedoria, podemos trazer à vida em cada dia.
  E foi assim que, antes que a solitária lágrima secasse, fiz dela uma lágrima de alegria. Por tudo o que já fui e vivi mas, sobretudo, por tudo aquilo que agora sou e ainda me falta viver.
Ana Amorim Dias
  

6.6.12

A magia da citação




    Ele comentou  aquela crónica ( sou sincera: já não faço ideia qual ) repetindo as minhas palavras e redobrando-lhes, assim,  o sentido.  Respondi-lhe que ficava com um sentimento estranho ao “ouvir” as minhas palavras “ditas” por outras “bocas”; como se as frases deixassem de ser minhas e ganhassem uma força renovada e uma veracidade incontestável.
- Não sabia, Ana? É poder mágico da citação! – Respondeu-me.
  Sorri com a generosa oferta que o Vítor me acabara de dar e guardei-a como se guardam as jóias.
  Volta e meia repetem-me as frases. E eu, feliz com o mágico efeito da citação, leio-as como se não as tivesse escrito. Faz-me lembrar aquela sensação parva que temos,  que o que é nosso não presta e o que vem dos outros é que é bom, sabem? 
   Bem, mas voltando aos carris do que vos queria dizer,  ontem repetiram-me esta frase: “Existem dois grandes dias na vida de todos nós… o dia em que nascemos e o dia em que descobrimos porquê.”   Vi-me forçada a puxar pelos cordelinhos da memória, mas lembrei-me que sim, que tinha sido eu a escrevê-la. E, ao mesmo tempo que sentia uma vez mais o poder mágico da citação, percebi que há outro poder muito mais mágico: o de fomentar nos outros a inquietação de pensar e sentir!
Ana Amorim Dias
P. S – Obrigada Vítor. Obrigada Patrícia.
 

5.6.12

A figueira preferida


   Todos os anos é a mesma coisa. Durante o início de Junho provo o primeiro figo da figueira preferida. É sempre ela, a mais possante e frondosa, que dá os primeiros e mais doces figos da época. Nenhum dos frutos das outras figueiras tem o mesmo delicioso  sabor,  ou então sou eu que tenho esta ideia porque quando começam a dar já eu comi tantos que não me sabem igual.
   É nos últimos dias de Maio que começo a “namorar” a figueira preferida. Chego à quinta, páro o carro mesmo à beira dela e espreito os ramos carregadinhos, calculando quantos mais dias de calor serão precisos até o calor amadurecer os frutos que me deliciam. Apalpo um ou dois,  na esperança de apressar a natureza, e começo a medir forças com os meus rivais alados numa ameaça surda que lhes diz: “Livrem-se! Os primeiros são meus, depois podem comer à vontade!”
   A fruta que se come debaixo da árvore e numa altura específica do ano, tem um sabor inigualável, que se sente nas papilas gustativas da alma!  Isto é mesmo verdade!
  Por isso ontem, ao comer o primeiro figo maduro (foi só um: gordo, doce e inimitável) que depois de árdua pesquisa encontrei, senti-lhe o sabor quente do Verão. Fui até ao céu da boca e senti a alegria de saborear,  em dentadas vagarosas, a magia gastronómica anual que sempre me antecede o solstício de Verão!
Ana Amorim Dias

4.6.12

E tu quem és?

1981
- Sabes Ana, todos temos uma função neste Mundo… -
 - Sim? – Esbugalhei os olhos enquanto caminhava ao  seu lado.
- Sim. E o dia mais importante das nossas vidas é quando descobrimos qual é a nossa função. 
   Fiquei a pensar qual seria a minha, completamente rendida à solenidade daquele momento e à força daquelas palavras que, soube-o logo, jamais me abandonariam. Quem as disse foi uma professora primária, minha vizinha, com quem eu fazia todos os dias o caminho para a escola.
  
1998
- Cada dia é de uma responsabilidade enorme. – Disse-me a Drª Helena, no princípio do meu estágio.  – A Drª Ana Dias vai ter que lutar pelo valor do seu nome todos os dias! –
  Percebi a mensagem e, mais uma vez, mergulhei na solenidade daquele momento e na força daquelas palavras.
- Lutar pelo valor do meu nome. Não me esquecerei! –

2012
    Estas duas Mulheres, com tão simples frases, deixaram-me dois ensinamentos preciosos que nunca me abandonaram.  Esperei muitos anos até perceber finalmente qual é a minha verdadeira  função. Contudo não a descobri num só dia. Não. Foi uma descoberta feita ao longo de muito tempo e de muitas páginas escritas.
    Também continuo a ter a plena consciência que o valor de um nome se contrói todos os dias. Com uma invacilável força interior. Com coerência e perseverança, num exercício de cega fé que nada pode demover. Mas o meu nome não é Drª Ana Dias, a advogada. Chamo-me Ana Amorim Dias. E sou escritora.
E tu?  Quem és?
Ana Amorim Dias

3.6.12

Um excelente investimento



O olhar dela brilhou quando me viu chegar.
- Quero um café, se faz favor, Mariana. – Dei-lhe o mais rasgado sorriso. O dia de ambas já tinha algo de bom.
   O poder mágico do uso abusivo da simpatia não é novidade. Esta fabulosa descoberta já me surgiu, qual mística revelação, há muitos, muitos anos.
   Oscilo entre a mera boa educação dos dias menos apaixonantes  e a talvez excessiva simpatia que deve confundir muita gente. A ponto de,  às vezes,  me parecer ouvir alguns pensamentos alheios a suspirarem: “ Coitada… esta não deve  ser muito certa…”  Não me importo nem um bocadinho. Se estou feliz,  que melhor forma pode haver de transbordar essa boa energia para os outros?  E,  se não estou, que melhor forma pode existir de a criar de raiz?
   Gosto de espalhar simpatia. Consciente ou inconscientemente: é indiferente.  Gosto de ver os sorrisos a abrirem-se à minha chegada; de meter conversa com desconhecidos de olhar vazio e notar a diferença em poucos segundos. Gosto de tratar pelo nome quem me serve o café ou me vende o pão. Gosto de ser estúpidamente simpática, mesmo sabendo que,  às vezes, posso ser mal interpretada.   Gosto de viver num sítio pacato onde ninguém estranha que se diga   ”bom dia” a toda a gente. E gosto de saber que, por mais que às vezes me esqueça disto, volto-me sempre a lembrar.  Mas o que mais gosto é do ricochete energético que a simpatia emanada sempre me traz de volta!
Distribuir sorrisos, olhares sustentados e  palavras  amáveis é um investimento de lucros garantidos! Aqui não há risco de perdas nem crises que afetem este mercado de importantes valores.  A equação é simples: somamos as nossas demonstrações de simpatia a uma pura sinceridade, multiplicamos pelas pessoas a quem a destribuímos e ela vai-se exponenciar em  imediatos efeitos benéficos, não só em nós como em todas as pessoas  que se cruzem no caminho dos destinatários da nossa simpatia. É como uma praga, garanto-vos! Mas das boas, claro!
Ana Amorim Dias