(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...

Ana Amorim Dias

6.1.13

Nunca caio de saltos altos

Nunca caio de saltos altos!

Comecei a desconfiar do seu problema gravítico há muitos anos e comecei logo a alertá-la para o facto.
- Tem cuidado, Ana, não caias! - disse-me certo dia, a meio de um passeio campestre, mesmo antes de se estatelar, redonda, bem à frente dos meus olhos.
As suas quedas são uma constante tão assídua que chego a conjeturar a hipótese de a mãe Terra a estar sempre a querer abraçar!
Foi sabendo de todo este contexto que há dias, ao sairmos do aeroporto, lhe dei o braço antes de colocarmos os pés numas escadas rolantes.
- Cuidado, rapariga, não te destramonques!- alertei.
E ela, muito solene e segura, respondeu-me prontamente: -Nunca caio de saltos altos!-
Tenho que vos confessar que o momento adquiriu contornos cinematográficos. Pareceu-me começar a ouvir uma big band a tocar ao mesmo tempo que me senti acometida por um arrepio emocionado devido a tal revelação. Grande nome para um romance manhoso! Pena que eu não escreva desses ou já teria meio caminho andado!
Ela viu o meu ar maravilhado.
- Vai dar crónica, não vai? - o seu sorriso rasgado nem precisou de resposta. É que os saltos altos são a poção mágica da confiança feminina. É por isso que, sob o efeito dos seus super poderes, nada nos pode fazer cair!

Ana Amorim Dias

5.1.13

Em atualização



    A vida é estranha "comó" caraças! Então não é que,  depois de uma vida quase inteira a fugir a sete pés da cozinha, comecei a gostar de ir para lá ?!?
   Isto começou há coisa de dois ou três anos: entrava como quem não queria a coisa, experimentava, saía-me bem, voltava a repetir... Tudo com muita contenção; com uma espécie de satisfação camuflada e reticente; com alguma desconfiança, até, nesta espécie de rendição carinhosa. 
   Mas ontem...! Ontem passei das marcas e apercebi-me de uma sensação nunca antes sentida: queria chegar a casa depressa; apetecia-me a cozinha; desejava a paz musicada daquele recanto de luz!
   E enquanto me entregava à satisfeita preparação de um rolo de carne recheado, percebi que temos o nosso software em constante actualização! Quaisquer que sejam as características do nosso hardware pessoal, quaisquer que sejam os nossos sistemas operativos, capacidade de memória e por aí fora, passamos a vida em constantes e sucessivos  downloads.
   Se há uns anos me dissessem que no futuro eu iria apreciar os meus momentos na cozinha, provavelmente a minha resposta teria sido: - Só se for trocada por extraterrestres!- 
   Mas hoje, a atualização do meu software de gosto pela culinária faz-me compreender que as nossas características, gostos, aptidões e formas de encarar tudo na vida, são tão mutáveis e passíveis de upgrades como  qualquer computador!

Ana Amorim Dias

4.1.13

Cavalheiro


 
- Porque estás a fazer comida tão bonita, mãe?
- Sabes, João? A comida, mais que uma satisfação animalesca, deve ser uma manifestação  estética.
- Mas isso não devia ser só lá para baixo, para os casamentos?
- Claro que não, filho.  A estética é um valor pelo qual devemos lutar sempre! Além disso a comida deve ser como as pessoas realmente atraentes: bonitas por fora e nutritivas por dentro.
   Tenho ideia que às vezes não escolho bem as palavras para falar com o puto, mas ele não se atrapalha a tirar todas as dúvidas. 
- Isso tem alguma coisa a ver com aquela conversa do outro dia... Aquela sobre como tratar as meninas, sabes?  - questionou-me.

    Há uns dias andei a explicar-lhes melhor algumas regras de etiqueta:
- ... e não há nada que enganar, pega-se nos talheres de  fora para dentro à medida que a comida vai sendo trazida; o guardanapo ao colo, levado à boca antes de cada utilização dos copos e,  quando a senhora se levanta, o cavalheiro deve também levantar-se levemente.-
- Explica melhor a das escadas, mãe!
- Ao subir deve ir o homem à frente, ao descer é ao contrário e já vos expliquei porquê: é muito indelicado porem-se a jeito para olhar para o rabo ou para o peito das senhoras!
Risos.
- A sério é mesmo assim!

Achei engraçado que o João tenha retido tão bem tal conversa, a ponto de ontem me pedir para a desenvolver um pouco mais.
- Conta-me mais regras daquelas das mulheres, mãe.- pediu.
- Muito bem: para teres encanto aos olhos delas, deves saber um pouco de tudo, de história, artes, filosofia, geografia... Deves abrir a porta do carro para ela entrar,  puxar a cadeira para ela se sentar e deves olhá-la os olhos quando falas com ela. Deves mostrar-lhe  que é o centro da tua atenção e nunca dar elogios óbvios ao seu corpo, embora possam ser completamente óbvios se se referirem à sua maneira de ser. Mas há algo mais importante que tudo isto, João. 
- O quê, mãe? O quê, o quê??
- Tens que caminhar e agir sempre com uma coisa chamada confiança. Mulher nenhuma confia num homem que não confie em si mesmo.
Acabei de preparar a bonita comida enquanto ele me olhava, maravilhado. Teremos estas conversas tantas vezes quantas ele queira, porque se um homem é só um homem, um cavalheiro é a sublimação estética e essencial  do homem. 

Ana Amorim Dias

O centro dos guardiões




  Uma das muitas vantagens de ter filhos é haver sempre justificação para ir ver filmes infantis sem que nos olhem de lado. Aceito que haja quem não goste, talvez por não conseguir sentir a magia que se opera... nas crianças e em nós.
  Independentemente de todas estas questões, gostei particularmente do último: "A origem dos guardiões", que retrata a eterna luta entre o acreditar na magia ou ceder ao medo. De um lado o Pai Natal, a Fada dos dentes, o Coelho da Páscoa, o Padrinho dos sonhos bons e o Jack Gelado. Do outro, o bicho papão!
  Vi com toda a atenção, da razão e do coração, segura da importância do que me estava a ser ali entregue. A certa altura o Pai Natal pergunta ao Jack Gelado qual era o centro dele, revelando que o seu era a magia. No fim do filme o Jack, príncipe das Neves,  descobriu o seu centro de guardião: a diversão.
  Será demais considerarmos-nos Guardiões de alguma coisa? A ser este exercício aceitável, somo guardiões do quê? E qual é o nosso centro?
  Chamem-me louca se quiserem, mas  não tenho a menor dúvida que sou uma guardiã das evoluções interiores! O meu centro? As palavras!

Ana Amorim Dias

1.1.13

Jibóiar


     As vozes delas ecoam a par com a música pelos vários cantos da casa. Desabafos, lembranças, partilhas e brincadeiras vão circulando ao mesmo ritmo a que descontraídamente se depenicam as iguarias que jazem sobre as mesas. Risos cúmplices, gargalhadas. Gente adormecida nos sofás. Crianças rendidas ao cansaço, entregam-se à bem vinda paz televisiva.
    "Frágil, tão frágil como o amor", canta o Paulo. E eu rendo-me, forte e com amor, ao encantamento de cristalizar o momento. Sentada no felpudo tapete da sala, silenciosa testemunha de tantas confidências, recolho às primeiras divagações escritas do novo ano que se inaugurou sob um auspicioso sol.
  A ordem do dia foi jibóiar, esse precioso verbo que talvez nem exista; esse precioso verbo que encerra a deliciosa actividade de apenas existir. Sem pressas, sem stresses, sem expetativas nem desapontamentos.
    Aproxima-se a hora de deixar para trás os sofás e tapetes felpudos; de guardar na bagagem as horas felizes  e voltar ao normal devir dos dias comuns. Jibóiar é fantástico, mas viver a todo o gás é igualmente fabuloso!
Bom ano!
Ana Amorim Dias

31.12.12

Pumba




- Dez...
Não percebo a ideia das passas. Quem é que se lembrou de  obrigar os outros a emborcar aquela porcaria à pressa? Ainda se fossem uvas ou goladas de bom vinho tinto...
- Nove...
Isto de termos forçosamente de nos divertir não dá para mim. Vá lá que a companhia é boa e a festa está animada. Parece-me um excelente presságio.
- Oito...
Caramba, estou mesmo cheia. Porque é que quando as pessoas se reúnem em festa é sempre para comer como se nunca tivessem feito dieta?
- Sete...
Juro que se alguém tentar pôr de novo no canal da casa dos labregos,  lanço uma praga à dona Teresa para ela ficar muda!
- Seis...
Será que ainda vou a tempo de fazer o balanço do ano que  se esgota?
- Cinco...
Não. Já não dá tempo. Mas para que raios me interessa isso agora? Foi o que foi, gastei-o bem.
- Quatro...
Dois mil e treze. Porreiro, nunca vivi um treze e é um número fantástico.
- Três...
Cum caneco, o estado desta casa!
- Dois...
Isto agora está a avançar mais depressa ou é impressão minha?
- Um!!!
Pumba! Já está!
- Viva dois mil e treze!!!

Parou, parou, parou! Stop! Carreguem  no modo "pause". Dá para fazer um grande plano? Obrigada. Antes da avalanche de beijos, palmadinhas, felicitações e abraços, preciso de respirar. Meter uma grande golfada de ar para dentro, olhar o novo ano bem de frente e não lhe deixar margem para dúvidas: vou-te consumir, esticar, gastar, usar, montar, celebrar, vibrar, amar e escrever. O novo ano olha-me, meio assustado. Sabe que lhe vou dar trabalho!
  Depois, com o primeiro segundo do ano ainda congelado, saúdo os meus mortos com um sorriso bem rasgado e brindo aos vivos que amo e estão longe: não vos esqueço, estão cá dentro!
  E pronto, não preciso de mais. Descongelem o tempo e deixem que volte a loucura dos abraços,  a gritaria das felicitações, a romaria de beijos.

Pumba. Já há ano novo.

Ana Amorim Dias

Poética morada




     Descasco as batatas. Corto-as em palitos bem finos. Não tenho a certeza se gosto mais de as comer ou preparar. Há algo de relaxante, quase poético, nestas cerimónias de preparação de uma mera refeição. Talvez seja da ampla vista bucólica que a janela da cozinha  proporciona. Talvez  seja do jazz que me acompanha os movimentos certeiros.
  Voa-me a mente para uma mensagem: "O teu endereço é um poema", escreveu um amigo com quem troquei moradas para enviarmos livros um ao outro. A frase ficou a bailar-me no espírito, como as batatas nas mãos. Nunca tinha pensado nisso, mas é bom saber que até a minha morada parece um poema.
    As batatas estão prontas a saltar para a fritadeira.  Viro a atenção para os agriões, que pacientemente lavo, acaricio, preparo.
    "A culpa é da Annie...", penso. O primeiro filme que vi no cinema, no fundo da rua, aos seis anos, a sós.  Quando cheguei a casa escondi-me atrás das cortinas do quarto e prometi-me solenemente tentar viver uma vida de filme, musicada, poética.
    Prossigo com a dança dos agriões, com um olho na paisagem e um ouvido na melodia. Mergulho as batatas no óleo com um sentimento quase épico. "A poesia está em tudo, todos os dias, se assim o entendemos."  Sorrio para a fritadeira, fazendo do momento um poema. A morada mais poética é mesmo a que o nosso estado de alma decide construir e habitar.

Ana Amorim Dias
Epílogo
Bem sei que as crónicas não admitem epílogos, mas não resisto:
...Chego à mesa com as batatas fritas e a salada de agriões no preciso instante em que o Ricardo está a chegar com a carne grelhada...poético!

29.12.12


A alma das paredes

  Quando se abre um bar, restaurante, ou qualquer outro negócio em que os clientes permanecem no espaço enquanto o serviço está a ser prestado, não se deve esperar um grande sucesso repentino.
  Fico sempre a olhar com piedade para quem tem tal expectativa porque das duas uma: ou fica defraudado pela "casa" quase vazia, ou tem grandes enchentes iniciais que rapidamente se cansam e mudam de poiso.
  Quem abre um estabelecimento deste tipo tem que perceber duas coisas. A primeira é que os negócios duradouros e consistentes precisam de vários anos para se consolidar. A segunda é que o segredo do sucesso está na alma das paredes. Os locais têm que absorver os sons das vozes cúmplices, das gargalhadas sonoras, das confissões meio ébrias. As paredes precisam de assimilar os odores dos perfumes, o cheiro das velas e das iguarias. O chão tem que ser pisado por emoções e partilhas, festejos e tacões altos, envergados com sedução.
    E é só quando as paredes já passaram meses e anos a captar a vida ali vivida, sentida e celebrada,  que o sítio começa a ganhar alma... e pernas para andar.
Ana Amorim Dias


Quem é que te entende?

  Um dia destes dei por mim a pensar nas frases que mais oiço por parte de quem me atura todos os dias e compilei uma curta lista:
1 - Mããããããeeeeeee...anda cá!-
2 - És a melhor mãe do mundo / és a pior mãe do mundo!-
3 - Adoro-te / amo-te / és linda-
4 - Isto vai dar crónica, não vai?-
5 - Estás impossível!-
6 - Quem é que te entende????-

    Cheguei à conclusão que se tivesse que escolher uma frase preferida não teria quaisquer dúvidas em optar pela número seis. É que as pessoas não são para entender, são para aceitar. Certo?? Qual era a piada de sermos absolutamente lineares e legíveis? Onde ficaria o nosso misterioso encanto se nos tornássemos facilmente decifráveis?
  É claro que o "quem é que te entende?" tinha que ser
a minha frase preferida: é que até para mim gosto de ser um mistério!

Ana Amorim Dias

27.12.12

Mini Mundo




- ... E o Mini Hollywood é tão giro que devias pedir aos teus pais para te levarem lá, Jorginho.-
Com os olhos a brilhar e a boca cheia de frango, perguntou-me:
- É muito longe?
- Não! É mesmo aqui ao lado, por trás da Serra Nevada.-
- Não é longe?!? - interrompeu o Tomás, indignado por me  considerar a enganar-lhe o amigo. - Levamos quase cinco horas para lá chegar!!-
Pousei o garfo e olhei-o nos olhos.
- Por favor, filho! Não penses pequenino! O Mundo é enorme. Se me disseres que a Austrália é longe eu aceito, mas tudo o que se situa na Europa é mesmo aqui ao lado, rapaz!-
    Ficou pensativo e sem me dar resposta, até que o almoço chegou ao fim e tornaram à ruidosa agitação das  suas brincadeiras.
      Eu entretanto saí um pouco. Estiquei as pernas da alma ao volante, sob um céu azul aberto. Engoli por sobremesa as melodias de Andrés Cepeda e mastiguei uma espécie de inveja que quase sinto por quem sabe viver em sossego.
- Porque é que não te contentas com limites confinados? Para quê tanta sede de Mundo? Porque não és feliz sempre aqui, quieta e segura? -
  Desconheço a resposta. Tudo o que sei é que o desassossego de partir me atinge sempre com golpes certeiros, acutilantes, esmagadores. A angústia de querer devorar mais Mundo é mais forte que a razão e, quando me toma de assalto, deixa o travo amargurado das  memórias não nascidas. Mas porquê, caramba? Porque terei que viver sempre nesta  ânsia insaciável?
    "La respuesta suele  estar donde no quiseres mirar...", canta o Andrés. Será que tem razão?
  E então, sob o céu azul de Inverno, outra apoquentação me assola: - Raios te partam, mulher! Tens mesmo que começar a semear já isto nos putos?-

Ana Amorim Dias

Voz de herói em causa própria




  Achei inacreditável! O maldito homem estava mesmo a  ultrapassar quatro carros de seguida com um camião a aproximar-se  vertiginosamente em sentido contrário. Ainda por cima a acabar de sair de uma curva e a entrar numa ponte!

    - Could  you please drive us safely? - ouvi-me a perguntar-lhe bem alto com a voz carregada de indignação. - thank you!-  terminei com a pronuncia mais afectada que me conheço.

    É claro que estávamos todos em risco de perder o ferry de Malta para a Sicilia devido à incompetência do senhor que passou pelos hotéis com uma hora de atraso, mas naquele momento isso era a menor preocupação dos cerca de trinta turistas que, como eu, temiam  não viver para contá-la. Recordo-me de uma senhora pequenina que ia à minha frente, agarrada ao marido, a encolher-se toda com um ar muito aflito. E do ar atarantado dos casais canadianos que seguiam do outro lado. Aguentei-me o mais que pude mas aquela ultrapassagem fez-me saltar a tampa. E o giro é que assim que acabei de me ouvir, percebi que havia falado com a voz de todos os homens e mulheres que tinham permanecido calados. O condutor percebeu que mais valia perdermos o ferry que a vida e abrandou e os meus desconhecidos companheiros trocaram comigo olhares agradecidos, mais relaxados por perceberem que tinham quem os protegesse.
        É comum a incompetência estar associada à antipatia. Desconfio que tal casamento resulta da consciência de que se estão a fazer mal  as coisas e dos ressentimentos que tal facto gera.
  O problema maior é quando essa combinação cria situações de perigo e foi isso que nesse dia aconteceu. Mas o maior perigo que enfrentamos sempre é a nossa vergonha e a nossa escolha de silêncio. O maior perigo das nossas vidas não resulta da incompetência alheia e sim da nossa socialmente correta inércia. Em assuntos sem importância, o silêncio é sem dúvida o melhor e mais  eficiente remédio, característico de pessoas de classe e com boa formação, mas quando o assunto é grave, nada melhor que levantar a nossa voz e sermos heróis em causa própria.

Ana Amorim Dias

24.12.12

Como outro dia qualquer


  Faz hoje seis anos. A fim da manhã ela apareceu a correr e chamou-me.
- Ana, depressa, é o senhor João, ele não acorda!-
Corri cerro acima a uma velocidade que não sabia ter. Entrei no quarto e vi-o deitado e sereno, as mãos unidas debaixo do rosto. Percebi pelo seu sorriso de paz que não íamos jantar juntos. Toquei-lhe. Estava frio.
  Passei aquela véspera de Natal a tentar fazer ver a todos o que eu própria entendera daquele sorriso magnífico: há pessoas tão grandes, marcantes e especiais que se despedem com o carisma com que viveram; pessoas para quem a vida era uma celebração tão constante que apenas faria sentido partir assim, num dia de festa, com todos reunidos à mesma mesa a brindar em sua honra.
  Não me lembro deste ensinamento só nas vésperas de Natal. Recordo o avô João tanto hoje como noutro dia qualquer. Como é em todos os "dias quaisquer" que recordo com amor quem já se foi por morte e quem já se foi mesmo ainda estando vivo; é em todos os "dias quaisquer" que habitam em mim os presentes e os ausentes,os que me entendem e aqueles para quem permaneço um enigma indecifrável, os que me amam e os que me guardam raiva, os que já entenderam o sentido das suas vidas e os que ainda estão a anos luz de o encontrar...
    Sento-os todos comigo à mesa esta noite, como os sento noutro dia qualquer, porque só me faz sentido viver se todos os dias forem como hoje: um dia tão festivo como outro dia qualquer.
Ana Amorim Dias