(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...

Ana Amorim Dias

22.3.12

Luta pela luta…



- Já não se faz a luta pela luta! – Dizia o senhor, com voz queixosa – Agora fazem as greves a querer melhores salários e condições. Já não há a luta pela luta. –
   Como estava a tirar o pão da torradeira não consegui ver quem estava a ser entrevistado no jornal da manhã.
- Luta pela luta? – Pensei. – Mas que raio…? –
Ainda estava a digerir esta quando ouvi a seguinte: - Estamos a fazer greve à crise e à austeridade. –
  Boa! ( penso muito logo de manhã!) Então, por essa ordem de ideias, hoje é dia de viver à grande!
  Não me entendam mal, nada tenho contra as greves. É um direito e,  como tal,  pode ser exercido. Mas o que se consegue em concreto com isso? Tirando casos pontuais, que afetam realmente as vidas das pessoas ( estou a lembrar-me de uma, dos camionistas, feita no início do Verão há três anos, que deixou as bombas sem combustível e as prateleiras dos supermercados praticamente vazias ) muitas greves apenas servem para mostrar o descontentamento de quem as faz e diminuir a produtividade.  Não me parece que sirvam para muito mais.  
   No  estado de doença terminal em que a nossa economia se encontra, o primeiro passo a dar não deveria ser  o de responsabilizar quem geriu mal o país e o colocou nesta miséria?  Se os governantes começassem a responder pelos seus desgovernos com a sua liberdade e o seu património, aposto que a raiz da doença seria arrancada e poder-se-ia, então, começar a tratar das suas sequelas até voltarmos a ter um país saudável.
   A greve é como uma aspirina de pouco ou nenhum efeito. O que fazia falta era uma cirurgia para extirpar o cancro. Uma intervenção que fosse capaz de expropriar todo o enriquecimento indevido e colocar atrás das grades quem pôs isto neste estado, era a única solução sustentável para pôr este belo país nos carris. Só assim quem se sentasse, depois, nos poleiros, tomaria  consciência  do que está lá a fazer. E talvez já não fosse preciso haver greves.
Ana Dias
  
  

21.3.12

Os perigos do amor

     Não há nada mais perigoso que o amor. Não há guerra,  doença, desatre natural    ou  animal selvagem que seja mais devastador para o Homem do que esse sentimento que até hoje ninguém conseguiu descrever com a mais precisa exatidão. Por amor já se morreu (pelo menos por dentro), já caíram impérios e se mudou o curso da história. Em suma: o amor pode ser tão poderoso quanto perigoso.
    O primeiro perigo do amor é surgir de surpresa, como uma praga absurda para a qual não há prevenção possível nem antídoto eficiente para quem dele queira fugir. O segundo perigo do amor é escapar-se,  como areia entre os dedos, de quem o busca com desespero. O terceiro perigo do amor é a consciencialização da sua morte e correspondente enterro.  Há quem perceba que já não ama, mas não tenha direito à sua libertação; há quem ame com todo o ser e seja abandonado, ou traído, ou mais uma infinidade de coisas…
   Não quer dizer que aconteça sempre mas,  muitas vezes,  o perigoso amor  dá cabo da sua maior vítima e produz o típico  coração destroçado.    E também os corações estraçalhados podem ser catalogados em diversas espécies e sub-espécies: os de regeneração rápida, os que levam meses e anos a curar-se e os outros, que nunca se curam.
  Quando nos deparamos com alguém com o coração feito em cacos,  o que há a fazer? Mandamo-los para o hospital dos corações durante dois, dez ou vinte anos? Vamos buscar fita cola? Impomos a nossa presença, arrombando algo que nem dá para arrombar por estar  completamente desfeito?
  E quando o amor se tranforma em simples gostar? Porque não aceitar? Haverá prova de amor maior que aceitar que o amor do outro morreu?  Por mais voltas que dê ao assunto, não chego a nenhuma conclusão. Mas talvez um dia ainda descubra quantos anos se leva a  enterrar um amor que morreu.
Ana Dias

20.3.12

Na mais ordeira anarquia


   Em tertuliana conversa com outros poetas, saiu-me esta frase: ” Há duas condições importantes na vivência poética: o exercício da boémia e o gosto pela anarquia.”  Valeu-me o facto de não ter sido absolutista,  pois estes dois requisitos, embora importantes, não são o que define o poeta.  Aliás,  os poetas e todos os demais artistas têm como única peculiaridade absoluta, o facto de ( para o mal e para o bem) se saberem ouvir a si mesmos.
   Mas ficou-me a anarquia a zunir nos tímpanos da alma enquanto,  ontem à noite, adormecia. Vai daí abri o google no iphone e pesquisei ANARQUIA: “… erradamente associada aos caos e desordem, vem da palavra grega anarckos, ou seja, sem governo. (….) Baseia-se na estrutura auto-gestionária, sem regras, autoridades ou hierarquias (…) só valoriza a liberdade natural de cada indivíduo(…).”
   Sejamos francos: eu, tal como vocês, sabia o que é a anarquia. Mas a leitura destas coisas quando já estava  no enlevo do sono, trouxe-me uma brilhante ideia. Vou declarar a República Independente da Minha Pessoa !!  Mas, mesmo antes de o Morfeu me tomar nos seus enormes braços de um sono tranquilo, tive um rasgo de consciência e percebi que a anarquia é uma utopia pegada. Uma estrutura auto-gestionária, sem regras ou hierarquias,  havia de dar uma coisa jeitosa…
   O clarear do dia trouxe-me de volta as plenas funções do meu raciocínio e o tema inicial que despoletou esta crónica: a poesia.
   Afinal os poetas, com o devido respeito que devem prestar às rimas, métricas e outras formalidades, podem ou não ser anárquicos? Os artistas vivem ou não no caos desregrado da sua liberdade natural?
   Perdoem-me terminar como qualquer bom demagogo, dizendo que tudo deve ser doseado. Sejamos artistas ou nem por isso, a virtude da nossa condução pelas vielas ( mais ou menos boémias) da existência, deve ser a conjugação de doses bem medidas de caos e ordem; deve  resultar do respeito às regras fundamentais e do uso e abuso da nossa liberdade intrínseca. E tudo isto porque me parece que as mais marcantes vidas e obras se têm construído… na mais ordeira anarquia!
 Ana Dias

19.3.12

um abraço



  Estive mais de três minutos com o word aberto, o cursor a piscar e sem que palavra alguma saísse. Quem me lê  não tem como saber que isso raramente acontece. Todas as manhãs os dedos começam a percorrer as teclas, ativados pelo único mecanisco que me propulsiona: o coração.
- “ Ana, deixa-te de merdas e pára de pensar tanto. Faz como sempre fazes e começa.” – pensei.
  E porque me pus a pensar tanto? Perguntam vocês…  Porque me estava a lembrar que há um ano fui passar este dia com o meu pai. Sabia que era o último dia do pai que passaria com ele. Não me lembro do que falámos, ele deitado na cama e eu ao lado, no sofá. Não me lembro se o que ele dizia ainda fazia sentido. Mas lembro-me bem que a companhia foi excelente. Para os dois. Porque, por mais que às vezes discordássemos, o amor e admiração mútuos estavam sempre presentes.
   Nessa altura eu sabia que cada dia tinha que ser aproveitado. Cada oportunidade tinha que ser agarrada. Mas de que me teria servido aproveitar o conhecimento de que aqueles eram os últimos dias que tinha com ele, se não o tivesse “aproveitado” toda a vida?   Não é nas últimas oportunidades que devemos entregar-nos. Não é na consciência de que algo está a chegar ao fim que a redenção acontece e os remorços futuros se evitam.   É na somas dos dias que a paz interior se constrói. É claro que os afetos e demontrações de amor dão “trabalho”. Ser carinhoso e presente para os que amamos pode roubar-nos  tempo  e até energia, mas é nessa dádiva que nos construímos como seres humanos sensíveis e emocionalmente saudáveis.
  Hoje é dia do pai. Dia de afetos sentidos e redenções emergentes. É dia de abraçar, nem que seja só com a alma, todos os pais, genéticos ou não, que a vida, com a sua indizível bondade, teve o cuidado de nos presentear.
Ana Dias

18.3.12

O “Vesgo” e o “Zarolho”



- Anda lá… -
- Não!-
- Vá lá, vais ver que vais gostar. 
- Não quero ir a essa porcaria! – Costumava eu responder,  um domingo em cada mês, ao ser convidada para ir ao mercado de Cacela.
   Hoje, ao trocar o “não” por um “sim”, percebi o quanto estava a ser parva e petulante. Achava que as minhas idas ao Portobello Market, em Londres,  ou ao mercado de San Telmo, em Buenos Aires, me iriam fazer olhar para  o mercado de Cacela com atitude  de desagradada comparação.
   Mas que grande parvalhona!   Eu já devia saber que quanto mais se viaja, mais se deve conseguir ver com novos olhos o que há cá na “terrinha”!
  Já posso ter feito compras nos mais emblemáticos  mercados  de Nova Iorque, Rio de Janeiro, Paris ou Londres. Tenho recordações compradas em feiras de rua no Rio Negro, Colômbia, Formentera, Buenos Aires ou Roma; mas foi no mercado de Cacela que, sem gastar dinheiro nenhum, fiz a maior aquisição de todas: tomei consciência que os pré-julgamentos nunca são acertados. E nem é que seja preciso ver para crer, basta perceber que cada cada local tem as suas características e encantos.
   Para comemorar a epifania, ofereci aos meus filhos dois patinhos amarelos. A um chamei “Vesgo” e ao outro, “Zarolho”, para não me deixarem esquecer a minha falha de visão….
Ana Dias
 

17.3.12

Malditos bróculos


   Sentei-me à mesa e comecei a temperar o meu prato de bróculos.
- Mãe! E eu?  - O João, que já tinha outras verduras a acompanhar-lhe a carne, começou a reclamar.
- Óh filho, não te pus porque pensei que não gostavas… - Respondi.
  Coloquei-lhe alguns no prato e o rapaz, deliciado, cemeu-os até ao fim.
- Mãeeee! –
- Hããã. 
- Mais! –
    Achei aquilo muito estranho mais lá lhe fui pondo mais bróculos no prato até não restar nem mais um.
   No dia seguinte, depois da escola, resolvi levá-lo ao supermercado para tirar a limpo se o episódio da noite anterior tinha sido só mais uma das suas manias.
- Toma um saco.  – Disse-lhe. – Podes encher com os bróculos que quiseres.
O  pestinha não se fez rogado, pegou no saco e começou a enchê-lo como se estivesse a acartar chocolates, sob o olhar abismado das senhoras que estavam por perto.
É difícil descrever a sensação de ter um filho tão louco por bróculos. É quase como estar num filme fantástico em que os impossíveis se tornam realidade.  – “Sou uma espécie de super-mãe” – Pensei, toda orgulhosa, nessa ida ao supermercado. – “ Sou uma super-mãe com super-filhos que comem super-bróculos!” –
   Mas acreditem quando vos digo que nem tudo são rosas…: ontem, depois de o João ter comido bróculos ao lanche, tive que lhe dizer para não comer mais, quando me pediu bróculos… para a sobremesa do jantar!
Ana Dias

16.3.12

Obsessão

   A minha relação com a escrita é  por vezes descrita pelos outros como sendo obsessiva. Costuma ser-me dito em forma de elogio, o que não me impede de ficar a pensar que a palavra obsessão é, por definição, um transtorno.
  Em termos técnicos, obsessão é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos e comportamentos  exagerados,  irracionais e incontroláveis, considerados estranhos para a sociedade.
  De acordo com esta  definição, dou-me como culpada. Sou obsessiva compulsiva  com a escrita. Tenho manias e “rituais”;  fico indisposta se não escrevo e,  durante a gestação de cada novo romance, vivo com os personagens no meu dia a dia, quase como se fossem reais. Ao fim da noite, escrevo com o pensamento a crónica da manhã seguinte; na manhã seguinte, anseio pelo momento em que o Word se abre em páginas nuas que vou rechear e, ao longo do dia, quando a vida me chama a outros assuntos,  chego a sentir a culpa de não estar a fazer o que nasci para fazer.
   A conotação negativa que me habituei a dar à palavra obsessão, terá que mudar. Porque amo viver assim, compulsivamente obsecada pelos jogos de palavras com que verto os pensamentos e estórias que não consigo guardar cá dentro. Como um vulcão sempre ativo, tenho que verter  a criatividade  na forma escrita. Caso não o fizesse, implodiria em vazio.
 É por isso que digo que não escrevo para vocês. Escrevo para mim. Feliz por saber que tenho com quem partilhar o resultado desta minha obsessão.

Ana Amorim Dias

15.3.12

Olhos de Garfield



    Desde miúda que adoro o Garfield. Continuo  a pegar nos livros em que o cómico gato, com os seus olhos mortiços, vai partilhando a sua visão do mundo. Delicio-me sempre.
   A  vida tem estranhas formas de nos brindar. E às vezes,  enquanto olho para o meu filho mais velho, reparo que tenho em casa, ao vivo e a cores, uma alma gémea do Garfield.  É que o Tomás devora lasanha e adora estar no sofá, com as pálpebras a meia haste, a fazer zapping por desporto. O seu humor lacónico e desinteressado, que leva às gargalhadas mais sentidas,  também reforça a semelhança. Embora esteja em melhor forma que o encantador gato, olho para o meu filho e desconfio que, à força de tanto ler essa banda desenhada, acabei por produzir um sucedâneo perfeito.
  Mas é quando põe os olhos de Garfield que fico mais emocionada. A semelhança é tão grande que chego a pensar  que é o gato da BD que faz lembrar o meu filho e não o contrário…
Ana Dias
  

14.3.12

A obra escondida


   O que tem o Guernica de Pablo Picasso em comum com uma das pinturas de Leonardo Da Vinci?  Ambas fizeram notícia hoje, no telejornal da manhã. O painel de Pablo, pintado em 1937, está a ser sujeito a uma avaliação dos efeitos do tempo. Quanto à obra de Leonardo que foi noticiada, trata-se de uma obra escondida e desconhecida que só agora está a ser descoberta num edifício público em Itália.
  Além disso, o que as obras destes dois mestres têm em comum, é serem expressões supremas da arte. E a arte, ao contrário dos seus criadores, não deve perecer; deve ser cuidadosamente preservada ao longo dos tempos, para lembrar aos Homens a sua ligação ao divino.
  Mas o que dizer quando se está na vertigem da descoberta de uma obra desconhecida de um dos máximos expoentes da genialidade artística? Só me ocorre uma coisa: da mesma forma que,  escondida dentro de uma parede,  se acabou de descobrir mais uma pintura do génio, quantas obras de arte se poderão encontrar escondidas dentro das muralhas de cada um de nós?
Ana Dias

13.3.12

Sonhar

  Adoro sonhar acordada porque, ao contrário do que acontece nos sonhos que tenho a dormir, a minha vontade controla os acontecimentos. Não há cá inconscientes nem complexos disto ou daquilo a funcionar. Nos sonhos que sonho acordada mando eu e acabou-se. Não há necessidade de explicações freudianas nem de mais complicações, a coisa desliza com uma suavidade perfeita que só me deixa feliz.
  É verdade que às vezes acordo maravilhada com o que acabei de sonhar, mas há outras alturas em que o amanhecer me traz uma vontade incontrolável de cancelar o contrato com o meu inconsciente. E lá fico a ruminar: “Mas que raio…? Como é que fui sonhar uma coisa tão estúpida? Afinal isto veio de onde? E o que quererá dizer?”
   Mas agora que penso nisso, constato: os sonhos são como a vida, há aquelas partes que controlamos e que deslizam numa suavidade perfeita que só nos deixa felizes; e há todas as outras que, tal como o nosso inconsciente, não controlamos e nos trazem as mais surpreendentes surpresas. E o que havemos de fazer se nem tudo corre de acordo com a nossa vontade? Cancelar o contrato com a vida?? Não me parece.  Tal como os estranhos e imprevisíveis sonhos têm a capacidade de nos fazer sentir e pensar, também todas as variantes incontroláveis da vida devem servir para isso mesmo: para nos fazer sentir e pensar. E já agora, porque não também, evoluir?
Ana Dias
 

12.3.12

A sanidade das loucuras


 “ Já podes ir ao fb conhecer o teu sobrinho! Beijos “.  Recebi a mensagem ontem à noite. Estranhei, é certo, a palavra “sobrinho”, pois estava ela estava à espera de uma “menina” para enfeitar com laçarotes cor de rosa.
   Lá fui ao face, conhecer a criatura ( um docinho, por sinal ). A minha “mana” Hebe vai ter muito trabalho com biberons e outros assuntos próprios dos bébés. A mim resta-me ir lá hoje, conhecer o Mixa em “pessoa”,  e refletir um pouco sobre as pequenas loucuras que nos povoam a vida.
   Faço um apanhado geral de todas as pessoas que conheço há muito tempo e também das que apenas recentemente me enriqueceram a vida. Não encontro nenhuma que não tenha a sua loucura. Não estou a falar de estados patológicos nem de características nocivas. Refiro-me a taras como comprar um casaco estupidamente caro, estar sempre a inventar, ter um telescópio potente ou andar sempre a escrever poesia sobre asas e estrelas. Mas há muitas outras sãs loucuras que fazem parte integrante do modo de vida das pessoas que me rodeiam, como cantar alto no banho, cozinhar em fornos de há dois séculos, ajeitar as sobrancelhas ou usar sempre todos os adornos a condizer. Há quem divague imenso sobre a vida em reuniões de trabalho e quem refile com um humor que me faz rir até às lágrimas. Há quem revire as pestanas,  quem perfilhe borregos e quem esteja sempre a magicar sobre a próxima obra a fazer… mas é cada uma destas pequenas loucuras que confere a todos os seres que adoro, uma sanidade emocional que os torna únicos e adoráveis.
  Termino com algumas questões: conhecem quem não tenha as suas loucuras? Não serão elas um reflexo determinante da sua sanidade?
Ana Dias

10.3.12

O ramo


    Há dias recebi um mail de alguém que está muito longe. Pedia-me que, no dia de hoje, colocasse em seu nome, um bonito de ramo de flores na campa do meu pai. Assim fiz.
    Não gosto de cemitérios e evito lá ir porque, na minha singela opinião, quem já partiu não é lá que se encontra. Quem já não está connosco com o corpo, está presente onde quer que batam os corações de quem ainda ama e recorda.
  No primeiro aniversário do meu pai a que o aniversariante faltou, renovo a certeza de que a   presença mais importante não é a física: é a que fica gravada nos outros em forma de memórias inolvidáveis e sentimentos insubstituíveis.
  Já mandei o mail a esse alguém que está longe, a dizer que o lindo  ramo foi entregue. Ao escrever, um emocionado arrepio percorreu-me o corpo enquanto algumas das palavras me saíram com aspas:  “Obrigado. Obrigado pelo amigo fantástico que foste e continuas a ser, Vítor!”
Ana Dias