Paixão inteligente
A paixão afinal não é um sentimento de amor descontrolado.
A paixão é um exercício de inteligência. A paixão implica persistência e vontade de se estar apaixonado. Não da primeira nem da segunda vez em que nos bate com força. Não nas primeiras semanas ou meses em que nos deixamos levar pelas explosões vulcânicas das nossas entranhas emocionais. Mas depois disso, se se quer paixão, há que lutar por ela.
Dizem as más línguas que não podemos viver sempre apaixonados; que não podemos surfar eternamente na crista dessa viciante onda do sentir. Realmente há momentos em que parece impossível estar sempre lá em cima. Mas é aí que a persistência e a inteligência devem começar a cumprir o seu papel. A persistência é o que nos faz subir para a prancha todos os dias e dar aos braços para apanhar a tal onda. A inteligência é o que nos mostra o caminho certo para chegar à paixão constante e duradoura; é a ferramenta sem a qual não agimos e reagimos de maneira a prender o outro, a cada novo dia, na nossa teia de encantos.
Ana Amorim Dias
(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...
Ana Amorim Dias
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...
Ana Amorim Dias
17.5.13
Bom dia Eric!
Bom dia Eric!
Tenho que te contar uma coisa mas primeiro pára lá com o tique das pernas aos saltinhos e vai buscar o teu café à Clooney que eu espero.
Voltaste? Muito bem, então cá vai: terminei hoje, à uma da manhã, a tua biografia. Mando-ta nos próximos dias, depois de revista e corrigida. Tem só um pouco mais de paciência. Tenho a certeza absoluta que te vai encantar; que vais sorrir enternecido, vais rir, talvez até verter uma lagrimita numa ou noutra parte. Enfim, vais emocionar-te com a leitura do retrato escrito que fiz da tua emocionante vida ao longo destes trinta e tal dias que não posso dizer que tenham sido de trabalho. Foram antes dias felizes, pautados por um ritmo criativo por vezes alucinante que me permitiram viver o delicioso prazer de contar os teus quarenta e nove anos de intermináveis aventuras.
Tenho vários agradecimentos a fazer-te, todos eles eternos e profundamente sentidos. Obrigada por teres confiado a tua vida às minhas palavras. Obrigada pela encantadora forma como me recebeste e pela paciência infinita com que, nos últimos dois meses, mantiveste para comigo uma disponibilidade total. Obrigada por te teres mostrado integralmente em todas as tuas vitórias, fracassos, forças e fraquezas; por me teres entregue todos os paradoxos de homem tão forte quanto frágil; por me teres confiado segredos que uma pessoa normal jamais aceitaria contar a quem lhe estivesse a escrever a vida.
Confesso-te que fiquei sem vontade de voltar a escrever a biografia de quem quer que seja (a não ser talvez a minha, num futuro ainda longínquo) pelo simples facto de me parecer impossível voltar a ter por "objeto" quem te possa superar. Pela personalidade, pelos feitos e pela forma como te conduzes perante a vida e perante as pessoas. Não é qualquer pessoa que tem livros com prefácios escritos pelo Fidel Castro; que viveu momentos históricos no local; que esteve no meio de guerras e agiu com uma humanidade incrível. Poucas pessoas viajaram o que tu viajaste, viram o que viste, sentiram o que sentiste e privaram com quem privaste. Poucas pessoas se decidem a renascer das cinzas e testar a sua resiliência com feitos tão significativos e resgatadores da bondade humana como tu. É por isso que creio que não voltarei a narrar a vida de mais ninguém.
Agradeço-te tudo o que contigo aprendi, cresci e evolui. Creio que posso dizer que me marcaste, como sei que marcas todos com quem te cruzas. Garanto-te, de novo e em público, que é inegável esse poder que tens, de acrescentar muitas coisas boas à vida de toda a gente.
Termino com mais dois pensamentos. A tua maior qualidade? Acreditares que todas as pessoas são boas e dedicares a tua vida a provar isso mesmo. A tua missão? Fazer nascer os sonhos na vontade de todos os Homens. Mas fazê-los nascer com uma tal consistência que és bem capaz de ser responsável pelas mudanças na vida de muita gente.
Agora vai lá continuar a preparar a expedição da volta ao Mundo dos cem graus celcius; vai lá escolher uma mota apropriada para enfrentar o frio glacial e estudar as características dos ursos que vais encontrar pelo caminho. Mas por favor não te esqueças que, ao contrário dos humanos, os ursos talvez não se rendam ao teu encantador sorriso.
Ana Amorim Dias
Tenho que te contar uma coisa mas primeiro pára lá com o tique das pernas aos saltinhos e vai buscar o teu café à Clooney que eu espero.
Voltaste? Muito bem, então cá vai: terminei hoje, à uma da manhã, a tua biografia. Mando-ta nos próximos dias, depois de revista e corrigida. Tem só um pouco mais de paciência. Tenho a certeza absoluta que te vai encantar; que vais sorrir enternecido, vais rir, talvez até verter uma lagrimita numa ou noutra parte. Enfim, vais emocionar-te com a leitura do retrato escrito que fiz da tua emocionante vida ao longo destes trinta e tal dias que não posso dizer que tenham sido de trabalho. Foram antes dias felizes, pautados por um ritmo criativo por vezes alucinante que me permitiram viver o delicioso prazer de contar os teus quarenta e nove anos de intermináveis aventuras.
Tenho vários agradecimentos a fazer-te, todos eles eternos e profundamente sentidos. Obrigada por teres confiado a tua vida às minhas palavras. Obrigada pela encantadora forma como me recebeste e pela paciência infinita com que, nos últimos dois meses, mantiveste para comigo uma disponibilidade total. Obrigada por te teres mostrado integralmente em todas as tuas vitórias, fracassos, forças e fraquezas; por me teres entregue todos os paradoxos de homem tão forte quanto frágil; por me teres confiado segredos que uma pessoa normal jamais aceitaria contar a quem lhe estivesse a escrever a vida.
Confesso-te que fiquei sem vontade de voltar a escrever a biografia de quem quer que seja (a não ser talvez a minha, num futuro ainda longínquo) pelo simples facto de me parecer impossível voltar a ter por "objeto" quem te possa superar. Pela personalidade, pelos feitos e pela forma como te conduzes perante a vida e perante as pessoas. Não é qualquer pessoa que tem livros com prefácios escritos pelo Fidel Castro; que viveu momentos históricos no local; que esteve no meio de guerras e agiu com uma humanidade incrível. Poucas pessoas viajaram o que tu viajaste, viram o que viste, sentiram o que sentiste e privaram com quem privaste. Poucas pessoas se decidem a renascer das cinzas e testar a sua resiliência com feitos tão significativos e resgatadores da bondade humana como tu. É por isso que creio que não voltarei a narrar a vida de mais ninguém.
Agradeço-te tudo o que contigo aprendi, cresci e evolui. Creio que posso dizer que me marcaste, como sei que marcas todos com quem te cruzas. Garanto-te, de novo e em público, que é inegável esse poder que tens, de acrescentar muitas coisas boas à vida de toda a gente.
Termino com mais dois pensamentos. A tua maior qualidade? Acreditares que todas as pessoas são boas e dedicares a tua vida a provar isso mesmo. A tua missão? Fazer nascer os sonhos na vontade de todos os Homens. Mas fazê-los nascer com uma tal consistência que és bem capaz de ser responsável pelas mudanças na vida de muita gente.
Agora vai lá continuar a preparar a expedição da volta ao Mundo dos cem graus celcius; vai lá escolher uma mota apropriada para enfrentar o frio glacial e estudar as características dos ursos que vais encontrar pelo caminho. Mas por favor não te esqueças que, ao contrário dos humanos, os ursos talvez não se rendam ao teu encantador sorriso.
Ana Amorim Dias
Turbo mental
Turbo mental
A falta de energia dá-me um stress do caraças. Até posso estar parada, mas que não seja naquele estado de prostração de quem esteve a dormir a sesta e inviabilizou o resto do dia.
Gosto mesmo é de sentir que ando movida a plutónio e que as metas ambiciosas a que me proponho afinal se tornam banais.
Mas a melhor sensação de todas é ligar o turbo mental, aquele dispositivo que, quando conectado, nos coloca a mente num funcionamento veloz e de tal forma eficiente que deixam de existir barreiras para a nossa compreensão.
E quem julga que não veio com o turbo mental instalado que experimente, se faz favor, ligar a ignição da curiosidade e do entusiasmo: o turbo mental ativa-se e já não há como pará-lo!
Ana Amorim Dias
A falta de energia dá-me um stress do caraças. Até posso estar parada, mas que não seja naquele estado de prostração de quem esteve a dormir a sesta e inviabilizou o resto do dia.
Gosto mesmo é de sentir que ando movida a plutónio e que as metas ambiciosas a que me proponho afinal se tornam banais.
Mas a melhor sensação de todas é ligar o turbo mental, aquele dispositivo que, quando conectado, nos coloca a mente num funcionamento veloz e de tal forma eficiente que deixam de existir barreiras para a nossa compreensão.
E quem julga que não veio com o turbo mental instalado que experimente, se faz favor, ligar a ignição da curiosidade e do entusiasmo: o turbo mental ativa-se e já não há como pará-lo!
Ana Amorim Dias
Eterno predador
Eterno predador
Deviam ser umas quatro da manhã. A estrada já quase não tinha ninguém, o que me facilitou as manobras para evitar a colisão. Quando vi a sua presença, comecei a reduzir, a meter mudanças mais baixas, buzinei e até fiz sinais de luzes para que saísse da frente, mas o estupor do coelho parecia determinado a querer encontrar o criador nessa mesma noite.
Este episódio aconteceu há muitos anos e, desde então, já perdi a conta a quantos coelhos, lebres, perdizes, camaleões e lagartixas salvei a vida, tornando-me numa espécie de fada protetora destes simpáticos bichinhos.
Na sexta à noite, por exemplo, ao voltar para casa com as crianças, lá fiz as manobras que já bem conhecem para salvar a vida a uma lebre.
- Oh mãe.. - começou o Tomás. - Tu mudaste mesmo o pai!
- Ah sim? E porquê?
- Então, antes ele fazia pontaria aos bichos, até saía da estrada se fosse preciso, para os matar e trazer para casa. Agora faz como tu: abranda e desvia-se!-
Na altura não pensei mais no assunto mas, agora que escrevo sobre isto, não posso evitar perguntar: "Ana, o que é que fizeste?". Poderá a mulher tirar realmente o caçador que existe no homem?? A ser assim, será isso bom, ou um desvio contra natura? Em qualquer dos contextos, o homem é predador. E, analisando bem a questão, não me parece que nós mulheres nos possamos iludir com estas alterações pontuais. Até podem poupar a presa por nós, se não tiverem necessidade dela mas, caso a fome lhes chegue, os homens serão para sempre uns eternos predadores.
Ana Amorim Dias
Deviam ser umas quatro da manhã. A estrada já quase não tinha ninguém, o que me facilitou as manobras para evitar a colisão. Quando vi a sua presença, comecei a reduzir, a meter mudanças mais baixas, buzinei e até fiz sinais de luzes para que saísse da frente, mas o estupor do coelho parecia determinado a querer encontrar o criador nessa mesma noite.
Este episódio aconteceu há muitos anos e, desde então, já perdi a conta a quantos coelhos, lebres, perdizes, camaleões e lagartixas salvei a vida, tornando-me numa espécie de fada protetora destes simpáticos bichinhos.
Na sexta à noite, por exemplo, ao voltar para casa com as crianças, lá fiz as manobras que já bem conhecem para salvar a vida a uma lebre.
- Oh mãe.. - começou o Tomás. - Tu mudaste mesmo o pai!
- Ah sim? E porquê?
- Então, antes ele fazia pontaria aos bichos, até saía da estrada se fosse preciso, para os matar e trazer para casa. Agora faz como tu: abranda e desvia-se!-
Na altura não pensei mais no assunto mas, agora que escrevo sobre isto, não posso evitar perguntar: "Ana, o que é que fizeste?". Poderá a mulher tirar realmente o caçador que existe no homem?? A ser assim, será isso bom, ou um desvio contra natura? Em qualquer dos contextos, o homem é predador. E, analisando bem a questão, não me parece que nós mulheres nos possamos iludir com estas alterações pontuais. Até podem poupar a presa por nós, se não tiverem necessidade dela mas, caso a fome lhes chegue, os homens serão para sempre uns eternos predadores.
Ana Amorim Dias
Usar o filtro
Usar o filtro
- Dá o melhor de ti. - Entrega-te completamente. - Mergulha por inteiro nas coisas. - Esforça-te ao máximo. - Faças o que fizeres, dá cem por cento!-
Estas palavras de motivação, inspiração e encorajamento ouvem-se e lêem-se por todos os lados, mas quem as tente seguir sempre, ou é louco ou completamente estúpido.
Dar o melhor de nós nem sempre é a melhor opção. Há casos em que somos salvos pelo mau génio, pela falta de paciência, pelo espírito contestatário e por tantos outros atributos, à partida menos bons.
Entregar-nos completamente? Claro que sim. Porque não? Mas protegidos: sempre com a consciência de que a confiança absoluta apenas deve recair sobre nós mesmos.
Mergulhar por inteiro nas coisas também é fantástico. Sobretudo naquilo que mais nos apaixona. Mas a vida não é estanque nem arrumada em gavetas e não podemos esquecer que, ao mergulharmos por inteiro em algo, corremos o risco de deixar de viver tudo o resto.
Esforçar-nos ao máximo é errado. Quando nos temos que esforçar ao máximo não estamos a cumprir a nossa missão, não estamos a fazer aquilo para que nascemos. Cada um deve encontrar os seus dons e exercê-los pois é assim que agirá sem esforço, com naturalidade e prazer. Só daí pode resultar a perfeição e a derradeira utilidade das nossas ações.
A frase mais tonta de todas é mesmo a de dar cem por cento. Se o fizermos ficamos sem gota de sangue. Se dermos tudo de nós sem deixar nada cá dentro, desligamos a nossa ligação à nossa essência e, portanto, ao divino. Apenas temos obrigação de dar cem por cento a nós mesmos. Esta é a única forma de renovarmos constantemente o manancial de tudo o que de bom temos e devemos entregar aos outros e ao mundo.
As máximas de auto-ajuda são excelentes. Mas apenas se as filtramos e soubermos usar com as razões do coração.
Ana Amorim Dias
- Dá o melhor de ti. - Entrega-te completamente. - Mergulha por inteiro nas coisas. - Esforça-te ao máximo. - Faças o que fizeres, dá cem por cento!-
Estas palavras de motivação, inspiração e encorajamento ouvem-se e lêem-se por todos os lados, mas quem as tente seguir sempre, ou é louco ou completamente estúpido.
Dar o melhor de nós nem sempre é a melhor opção. Há casos em que somos salvos pelo mau génio, pela falta de paciência, pelo espírito contestatário e por tantos outros atributos, à partida menos bons.
Entregar-nos completamente? Claro que sim. Porque não? Mas protegidos: sempre com a consciência de que a confiança absoluta apenas deve recair sobre nós mesmos.
Mergulhar por inteiro nas coisas também é fantástico. Sobretudo naquilo que mais nos apaixona. Mas a vida não é estanque nem arrumada em gavetas e não podemos esquecer que, ao mergulharmos por inteiro em algo, corremos o risco de deixar de viver tudo o resto.
Esforçar-nos ao máximo é errado. Quando nos temos que esforçar ao máximo não estamos a cumprir a nossa missão, não estamos a fazer aquilo para que nascemos. Cada um deve encontrar os seus dons e exercê-los pois é assim que agirá sem esforço, com naturalidade e prazer. Só daí pode resultar a perfeição e a derradeira utilidade das nossas ações.
A frase mais tonta de todas é mesmo a de dar cem por cento. Se o fizermos ficamos sem gota de sangue. Se dermos tudo de nós sem deixar nada cá dentro, desligamos a nossa ligação à nossa essência e, portanto, ao divino. Apenas temos obrigação de dar cem por cento a nós mesmos. Esta é a única forma de renovarmos constantemente o manancial de tudo o que de bom temos e devemos entregar aos outros e ao mundo.
As máximas de auto-ajuda são excelentes. Mas apenas se as filtramos e soubermos usar com as razões do coração.
Ana Amorim Dias
Conversas de mãe e filho
O Ferrari do meu filho
Sento-me no sofá com o prato do jantar em cima de um tabuleiro.
- Tomás, dá-me o comando, meu amor.-
- Não.-
- Desculpa!?!-
- Oh mãe!! Estava a ver isto!-
- Vá, dá-me lá o comando!-
- Se me tiras o comando fujo de casa!-
- Rápido, rápido!! Dá-me o comando já!-
Começamos os dois a rir. Ele muda a estratégia da sua bem humorada ironia.
- Se me deixares ficar com o comando é que prometo que fujo de casa...-
- Ah bom... Nesse caso...-
Passam dois minutos e volto ao ataque.
- Oh Tomás! Eu não vou jantar a ver este programa!-
- Certo, mãe. Então pousa o prato e não jantes! - Responde muito prontamente.
Rebentamos de novo a rir e passa-me finalmente o comando.
- Sabes mãe? Tomei uma decisão.-
- Conta lá qual. - algo me diz que não foi a de estudar mais.
- Não vou gastar mais dinheiro em porcarias e vou guardar e juntar todo o dinheiro possível para comprar um Ferrari quando for grande.-
- Parece-me muito bem.-
- Estás a falar a sério?-
- Obviamente.-
- A tua resposta foi tão diferente da do pai... Ele disse que eu até podia ir já comprar um, daqueles de brincar.-
- O pai se calhar foi apanhado de surpresa e não pensou bem nos teus planos, Tomás.-
- Então achas bem?-
- Claro que sim, meu anjo. Agrada-me imenso que tenhas objetivos de vida, mesmo que o objetivo seja um Ferrari...-
- Então quer dizer que achas que é possível?-
- Tudo o que nos atrevemos a sonhar é possível, filhote. Desde que estejamos preparados para trabalhar e lutar mesmo a sério. Se queres saber a verdade acho que podes muito bem vir a ter um Ferrari, ou até dois. Só quero que não te esqueças que eles não caem do céu e que os sonhos às vezes mudam de forma.-
- Mudam?-
- Sim. E os melhores sonhos são implicam coisas materiais, garanto-te!-
Deixo-o com um atarantado brilhozinho nos olhos.
- Filho? Só mais uma coisa: quando tiveres o teu Ferrari e eu andar nele prometo-te que o vou deixar tão sujo e desarrumado como tu e o teu irmão deixam o meu carro!-
- Oh mãe...-
Ana Amorim Dias
Sento-me no sofá com o prato do jantar em cima de um tabuleiro.
- Tomás, dá-me o comando, meu amor.-
- Não.-
- Desculpa!?!-
- Oh mãe!! Estava a ver isto!-
- Vá, dá-me lá o comando!-
- Se me tiras o comando fujo de casa!-
- Rápido, rápido!! Dá-me o comando já!-
Começamos os dois a rir. Ele muda a estratégia da sua bem humorada ironia.
- Se me deixares ficar com o comando é que prometo que fujo de casa...-
- Ah bom... Nesse caso...-
Passam dois minutos e volto ao ataque.
- Oh Tomás! Eu não vou jantar a ver este programa!-
- Certo, mãe. Então pousa o prato e não jantes! - Responde muito prontamente.
Rebentamos de novo a rir e passa-me finalmente o comando.
- Sabes mãe? Tomei uma decisão.-
- Conta lá qual. - algo me diz que não foi a de estudar mais.
- Não vou gastar mais dinheiro em porcarias e vou guardar e juntar todo o dinheiro possível para comprar um Ferrari quando for grande.-
- Parece-me muito bem.-
- Estás a falar a sério?-
- Obviamente.-
- A tua resposta foi tão diferente da do pai... Ele disse que eu até podia ir já comprar um, daqueles de brincar.-
- O pai se calhar foi apanhado de surpresa e não pensou bem nos teus planos, Tomás.-
- Então achas bem?-
- Claro que sim, meu anjo. Agrada-me imenso que tenhas objetivos de vida, mesmo que o objetivo seja um Ferrari...-
- Então quer dizer que achas que é possível?-
- Tudo o que nos atrevemos a sonhar é possível, filhote. Desde que estejamos preparados para trabalhar e lutar mesmo a sério. Se queres saber a verdade acho que podes muito bem vir a ter um Ferrari, ou até dois. Só quero que não te esqueças que eles não caem do céu e que os sonhos às vezes mudam de forma.-
- Mudam?-
- Sim. E os melhores sonhos são implicam coisas materiais, garanto-te!-
Deixo-o com um atarantado brilhozinho nos olhos.
- Filho? Só mais uma coisa: quando tiveres o teu Ferrari e eu andar nele prometo-te que o vou deixar tão sujo e desarrumado como tu e o teu irmão deixam o meu carro!-
- Oh mãe...-
Ana Amorim Dias
Vida de super herói
Vida de super herói
O frio e a chuva trouxeram a benção de duas sensações fabulosas: o cheiro da terra molhada e o agarrar de um par de botas, feito com a mesma intensidade com que os heróis dos filmes vestem os seus trajes de identidade secreta. Passou-se em câmara lenta, com música a soar ao fundo: tirei-as da última prateleira com uma só mão e senti o prazer da vertigem de quem se está a preparar para combater super vilões.
Seja de botas ou havaianas, os dias começam-me sempre assim: saio de casa com o mesmo espírito que os meninos da foto, animada a salvar o Mundo. E o curioso é que a loucura disto tudo nunca permitiu que me sentisse estúpida ou que duvidasse dos super poderes. Sei que algures, pelos caminhos dos meus dias reais e virtuais, me vou cruzando com gente a quem arranco um sorriso ou uma gargalhada; vou deixando à minha passagem, e no rasto das palavras, pensamentos mais otimistas, reflexões valorosas e, espero, emoções boas. Se este género de atitude não faz de nós super heróis, não sei o que fará.
E vocês? O que tencionam fazer hoje para ajudar estes dois miúdos a salvar o Mundo?
Ana Amorim Dias
O frio e a chuva trouxeram a benção de duas sensações fabulosas: o cheiro da terra molhada e o agarrar de um par de botas, feito com a mesma intensidade com que os heróis dos filmes vestem os seus trajes de identidade secreta. Passou-se em câmara lenta, com música a soar ao fundo: tirei-as da última prateleira com uma só mão e senti o prazer da vertigem de quem se está a preparar para combater super vilões.
Seja de botas ou havaianas, os dias começam-me sempre assim: saio de casa com o mesmo espírito que os meninos da foto, animada a salvar o Mundo. E o curioso é que a loucura disto tudo nunca permitiu que me sentisse estúpida ou que duvidasse dos super poderes. Sei que algures, pelos caminhos dos meus dias reais e virtuais, me vou cruzando com gente a quem arranco um sorriso ou uma gargalhada; vou deixando à minha passagem, e no rasto das palavras, pensamentos mais otimistas, reflexões valorosas e, espero, emoções boas. Se este género de atitude não faz de nós super heróis, não sei o que fará.
E vocês? O que tencionam fazer hoje para ajudar estes dois miúdos a salvar o Mundo?
Ana Amorim Dias
A força que nasce aqui
A força que nasce aqui
Estava na esplanada do Natura, na praia da Retur, a falar com uma nova amiga, a Margarida, quando a Susana chegou. Vinha um pouco apressada, apesar de apenas terem passado cinco minutos da hora combinada. Pousou a mala na cadeira, a câmara fotográfica na mesa e cumprimentou-me com um vigor entusiasmado que me agradou de imediato.
A entrevista começou de forma quase automática, com uma naturalidade tão grande que quase me fez esquecer a inversão de papeis. Normalmente sou eu a entrevistadora, a curiosa inquisidora que quer captar as essências daqueles sobre quem trabalho.
Chegou preparada, agindo com um instinto e profissionalismo que me deixaram surpreendida. Sei que lhe facilitei a missão porque, à força de tanto representar o seu papel, consegui captar exatamente aquilo que ela queria saber. E dei-lhe as respostas. Todas. Inteiras e intensas. Verdadeiras e absolutamente sentidas. Como as gosto de entregar a mim mesma.
No decorrer desta conversa-entrevista, que se prolongou durante quase três horas, fiquei com a certeza de termos feito nascer uma nova amizade. E dei uma resposta que sintetiza todo o meu trabalho de escrita criativa: -Tenho que sentir tudo o que escrevo... Tenho que sentir uma enorme emoção aqui - abri a minha grande mão sobre o peito, com uma expressividade marcada - é aqui que a força das palavras me nasce, não o sei fazer de outra forma. Como se uma onda cristalina e perfeita me rebentasse no peito e a sua espuma saísse, depois, em textos que alimentam, iluminam e curam.-
Quando voltei ao meu carro continuei a pensar no que dissera, completamente feliz por saber como funcionam as ondas do meu coração.
Ana Amorim Dias
Estava na esplanada do Natura, na praia da Retur, a falar com uma nova amiga, a Margarida, quando a Susana chegou. Vinha um pouco apressada, apesar de apenas terem passado cinco minutos da hora combinada. Pousou a mala na cadeira, a câmara fotográfica na mesa e cumprimentou-me com um vigor entusiasmado que me agradou de imediato.
A entrevista começou de forma quase automática, com uma naturalidade tão grande que quase me fez esquecer a inversão de papeis. Normalmente sou eu a entrevistadora, a curiosa inquisidora que quer captar as essências daqueles sobre quem trabalho.
Chegou preparada, agindo com um instinto e profissionalismo que me deixaram surpreendida. Sei que lhe facilitei a missão porque, à força de tanto representar o seu papel, consegui captar exatamente aquilo que ela queria saber. E dei-lhe as respostas. Todas. Inteiras e intensas. Verdadeiras e absolutamente sentidas. Como as gosto de entregar a mim mesma.
No decorrer desta conversa-entrevista, que se prolongou durante quase três horas, fiquei com a certeza de termos feito nascer uma nova amizade. E dei uma resposta que sintetiza todo o meu trabalho de escrita criativa: -Tenho que sentir tudo o que escrevo... Tenho que sentir uma enorme emoção aqui - abri a minha grande mão sobre o peito, com uma expressividade marcada - é aqui que a força das palavras me nasce, não o sei fazer de outra forma. Como se uma onda cristalina e perfeita me rebentasse no peito e a sua espuma saísse, depois, em textos que alimentam, iluminam e curam.-
Quando voltei ao meu carro continuei a pensar no que dissera, completamente feliz por saber como funcionam as ondas do meu coração.
Ana Amorim Dias
10.5.13
Faz falta pensar
Faz falta pensar
Custa-me reconhecer a autoridade a incompetentes. Sei que a vida em sociedade precisa de regras, de quem as crie e as faça cumprir, mas há limites.
Ando sempre com a sensação de que as pessoas se têm esforçado, ao longo da nossa história, por complicar as coisas. É por isso que nos encontramos no momento que é, até agora, o expoente máximo de uma incontrolável diarreia legislativa levada a cabo por arrumadores de pioneses que não sabem dar o nó aos próprios sapatos. Para quê pretender legislar sobre tudo? A vida prática não se compadece dos quilómetros de leis, decretos, regulamentos, adendas e alterações. Muito menos quando muitas delas não fazem qualquer sentido sequer em teoria. E, como de costume, anda tudo encarneirado, de olhos bem fechados, a baixar a bolinha porque a autoridade e a lei são soberanas.
Pois bem, a vida é bem mais simples que todos estes fardos de palha. A vida consiste simplesmente na satisfação de necessidades físicas, intelectuais, espirituais e emocionais. Nisto e na noção de justiça; na capacidade de discernir o bem do mal e na capacidade intrínseca que todos temos de nos ajudar a nós mesmos sem lixar o próximo. A vida consiste em algo que a maior parte das pessoas se esqueceu que tem: a capacidade e o dever de pensar!
É por isso que, desculpem lá, mas não reconheço a autoridade a todos os que, formatados pelo sistema e envergando as palas da estupidez que embirra em não pensar, se julgam donos das regras da existência. É que a vida é mesmo simples, por mais que a queiram complicar. Mas para perceber isso talvez faça falta pensar.
Ana Amorim Dias
Custa-me reconhecer a autoridade a incompetentes. Sei que a vida em sociedade precisa de regras, de quem as crie e as faça cumprir, mas há limites.
Ando sempre com a sensação de que as pessoas se têm esforçado, ao longo da nossa história, por complicar as coisas. É por isso que nos encontramos no momento que é, até agora, o expoente máximo de uma incontrolável diarreia legislativa levada a cabo por arrumadores de pioneses que não sabem dar o nó aos próprios sapatos. Para quê pretender legislar sobre tudo? A vida prática não se compadece dos quilómetros de leis, decretos, regulamentos, adendas e alterações. Muito menos quando muitas delas não fazem qualquer sentido sequer em teoria. E, como de costume, anda tudo encarneirado, de olhos bem fechados, a baixar a bolinha porque a autoridade e a lei são soberanas.
Pois bem, a vida é bem mais simples que todos estes fardos de palha. A vida consiste simplesmente na satisfação de necessidades físicas, intelectuais, espirituais e emocionais. Nisto e na noção de justiça; na capacidade de discernir o bem do mal e na capacidade intrínseca que todos temos de nos ajudar a nós mesmos sem lixar o próximo. A vida consiste em algo que a maior parte das pessoas se esqueceu que tem: a capacidade e o dever de pensar!
É por isso que, desculpem lá, mas não reconheço a autoridade a todos os que, formatados pelo sistema e envergando as palas da estupidez que embirra em não pensar, se julgam donos das regras da existência. É que a vida é mesmo simples, por mais que a queiram complicar. Mas para perceber isso talvez faça falta pensar.
Ana Amorim Dias
Primeira impressão
Primeira impressão
Enquanto se faz zapping, coisas muito interessantes podem acontecer.
Ouvi ontem à noite uma frase: "Ninguém tem a segunda hipótese de causar a primeira impressão." Esta síntese perfeita de simplicidade e verdade causaram-me uma excelente impressão. E o pensamento arrancou de novo, apoiado nas asas da curiosidade que sempre tenho sobre as minhas próprias opiniões.
Primeira impressão há só uma. É como o primeiro amor. Só um. Que pode perder-se nas brumas do tempo, distorcido por todos os amores seguintes, mas que permanece para sempre em nós como a primeira impressão do amor.
Sempre que conhecemos alguém ficamos com uma primeira impressão. Pode ser tão forte que não se apaga ou tão impercetível que quase a esquecemos. Pode ser boa e posteriormente defraudada, ou pode ser má e depois alterada.
Quando nos apresentamos a outrém o processo é o mesmo. Mas a primeira impressão, por mais que as seguintes a desmistifiquem, é sempre a primeira impressão, que não há como alterar.
- Estás aborrecido comigo por alguma coisa? Queres que me vá embora?- Perguntou ela ao senti-lo um pouco ausente.
- O que têm essas frases de positivo? Achas que podes construir alguma coisa com esse tipo de conversa?- perguntou-lhe ele de volta.
E eu fiquei espantada com mais este rasgo de luz.
Quantas das nossas frases são positivas e construtivas? Qual é a percentagem, entre tudo o que dizemos ao longo de um só dia, de coisas positivas? Será que metade das nossas atitudes e reações são construtivas? Ou é menos de metade? Dará muito trabalho analisarmos cada pensamento, frase proferida e ação exercida quanto ao seu positivismo e produtividade?
É um dos muitos casos em que a razão consciente pode ter um papel fundamental. Por isso hoje vou experimentar estar atenta todo o dia: só vou ter pensamentos positivos, proferir frases construtivas e exercer ações que me acrescentem algo de bom à vida. Quem sabe se, com treino, atenção constante e muita dedicação isto não se torna um hábito?
É que se o conseguir, fico com garantias de que não precisarei de segundas oportunidades para causar uma verdadeira e boa primeira impressão.
Ana Amorim Dias
Enquanto se faz zapping, coisas muito interessantes podem acontecer.
Ouvi ontem à noite uma frase: "Ninguém tem a segunda hipótese de causar a primeira impressão." Esta síntese perfeita de simplicidade e verdade causaram-me uma excelente impressão. E o pensamento arrancou de novo, apoiado nas asas da curiosidade que sempre tenho sobre as minhas próprias opiniões.
Primeira impressão há só uma. É como o primeiro amor. Só um. Que pode perder-se nas brumas do tempo, distorcido por todos os amores seguintes, mas que permanece para sempre em nós como a primeira impressão do amor.
Sempre que conhecemos alguém ficamos com uma primeira impressão. Pode ser tão forte que não se apaga ou tão impercetível que quase a esquecemos. Pode ser boa e posteriormente defraudada, ou pode ser má e depois alterada.
Quando nos apresentamos a outrém o processo é o mesmo. Mas a primeira impressão, por mais que as seguintes a desmistifiquem, é sempre a primeira impressão, que não há como alterar.
- Estás aborrecido comigo por alguma coisa? Queres que me vá embora?- Perguntou ela ao senti-lo um pouco ausente.
- O que têm essas frases de positivo? Achas que podes construir alguma coisa com esse tipo de conversa?- perguntou-lhe ele de volta.
E eu fiquei espantada com mais este rasgo de luz.
Quantas das nossas frases são positivas e construtivas? Qual é a percentagem, entre tudo o que dizemos ao longo de um só dia, de coisas positivas? Será que metade das nossas atitudes e reações são construtivas? Ou é menos de metade? Dará muito trabalho analisarmos cada pensamento, frase proferida e ação exercida quanto ao seu positivismo e produtividade?
É um dos muitos casos em que a razão consciente pode ter um papel fundamental. Por isso hoje vou experimentar estar atenta todo o dia: só vou ter pensamentos positivos, proferir frases construtivas e exercer ações que me acrescentem algo de bom à vida. Quem sabe se, com treino, atenção constante e muita dedicação isto não se torna um hábito?
É que se o conseguir, fico com garantias de que não precisarei de segundas oportunidades para causar uma verdadeira e boa primeira impressão.
Ana Amorim Dias
Uma prenda avariada
Prenda avariada
Cheguei à praia quase às oito da noite e comecei a correr. Além de ter estado uma semana inteira sem fazer desporto ainda tive a brilhante ideia de não fazer o aquecimento. "Vou só correr um bocadinho, nada de brusco, isto não deve fazer mal..."
Nos fones soavam ritmos apelativos e, antes que me pudesse impedir, estava a dançar e zumbar em frente ao imenso mar, com um sorriso que ia desde Vila Real até Sagres. O êxtase de zumbar numa praia deserta, tendo o mar como meu espelho e apenas alguns pássaros a testemunhar a loucura, fez-me esquecer por completo que não tinha aquecido os músculos.
Agora, de cada vez que ando, os gemidos fazem-me pensar que estou a roubar as falas às atrizes de certos filmes.
7.10 O João invade-me a cama.
- Vai acordar o Tomás e tragam as prendas do pai.- digo-lhe baixinho para não acordar o aniversariante.
O pequenino lá desaparece, entusiasmado, e o Ricardo abraça-me.
- Não era preciso. Estou abraçado à melhor prenda de todas.-
Sinto as fortes dores nos músculos.
- Ah ah ah. Ganhaste uma prenda avariada!-
Não sei se gosto de me sentir uma prenda. Embora no fundo ele talvez tenha uma certa dose de razão. Tem sorte o rapaz. Tem uma prenda nos braços que é mesmo a melhor das prendas mas, ainda assim, é perigosa e nada fácil. E então percebo de novo a importância do aquecimento. Ele anda há mais de metade da vida a fazer aquecimentos para aprender como funciono sem explodir, sem me tornar mais esquiva, sem me trocar os fusíveis. Acredito que não deve ser nada fácil ter uma prenda assim, tão explosiva e sem livro de instruções. Mas também continuo a acreditar que ele está no bom caminho. Até as mais indomesticáveis prendas, com paciência e amor, se podem tornar na melhor prenda da vida.
Ana Amorim Dias
Cheguei à praia quase às oito da noite e comecei a correr. Além de ter estado uma semana inteira sem fazer desporto ainda tive a brilhante ideia de não fazer o aquecimento. "Vou só correr um bocadinho, nada de brusco, isto não deve fazer mal..."
Nos fones soavam ritmos apelativos e, antes que me pudesse impedir, estava a dançar e zumbar em frente ao imenso mar, com um sorriso que ia desde Vila Real até Sagres. O êxtase de zumbar numa praia deserta, tendo o mar como meu espelho e apenas alguns pássaros a testemunhar a loucura, fez-me esquecer por completo que não tinha aquecido os músculos.
Agora, de cada vez que ando, os gemidos fazem-me pensar que estou a roubar as falas às atrizes de certos filmes.
7.10 O João invade-me a cama.
- Vai acordar o Tomás e tragam as prendas do pai.- digo-lhe baixinho para não acordar o aniversariante.
O pequenino lá desaparece, entusiasmado, e o Ricardo abraça-me.
- Não era preciso. Estou abraçado à melhor prenda de todas.-
Sinto as fortes dores nos músculos.
- Ah ah ah. Ganhaste uma prenda avariada!-
Não sei se gosto de me sentir uma prenda. Embora no fundo ele talvez tenha uma certa dose de razão. Tem sorte o rapaz. Tem uma prenda nos braços que é mesmo a melhor das prendas mas, ainda assim, é perigosa e nada fácil. E então percebo de novo a importância do aquecimento. Ele anda há mais de metade da vida a fazer aquecimentos para aprender como funciono sem explodir, sem me tornar mais esquiva, sem me trocar os fusíveis. Acredito que não deve ser nada fácil ter uma prenda assim, tão explosiva e sem livro de instruções. Mas também continuo a acreditar que ele está no bom caminho. Até as mais indomesticáveis prendas, com paciência e amor, se podem tornar na melhor prenda da vida.
Ana Amorim Dias
6.5.13
Viver os sonhos
Vai desenterrar os teus sonhos!
Há demasiados assuntos a roubar-nos a paz de espírito e sei que não é nada fácil abstrairmo-nos deles. Se nos despreocupamos por completo entramos no pantanoso campo de correr o risco de perder o sustento, a casa, a família, a estabilidade e algumas outras coisas de quase igual importância. De caminho, no devir dos dias que se sucedem tão iguais, vai-se lutando por dormir bem no meio de tanta preocupação.
Afinal onde anda a esperança? Onde se meteu a paz de espírito? O que foi feito do entusiasmo? Para onde fugiram os sonhos?
Hoje não falo por mim. Tenho a esperança à flor da pele, a paz no meu centro, o entusiasmo na voz e os sonhos na ponta dos dedos que tecem histórias sem fim. O assunto é só contigo: onde meteste tudo isto? Até onde estás pronto a ir para resgatar o teu sonho? Ainda te lembras qual é? Quais são os obstáculos entre ti e a visionária missão que te destinaste? Não serás tu mesmo quem está a construir as muralhas que te impedem de viver o sonho? Não serão os teus infinitos medos e a tua constante inércia que contrariam, mais que tudo, a sua concretização?
Viver os sonhos dá uma trabalheira do caraças. Viver os sonhos assusta, incomoda, faz-nos tremer pelas bases. Mas é no momento em que começamos a sonhar com aspirações reais de concretização que a nossa vida começa. É aí que nasce a esperança, o entusiasmo, a coragem e a mais forte sensação de se estar mesmo vivo.
Agradeço-te que te recordes de cada um dos teus sonhos. Peço-te que tenhas a consciência que os sonhos que valem a pena implicam anos de trabalho, acarretam algumas perdas e têm por vezes que ser novamente adiados. Mas sonha, projeta, visualiza. Olha para dentro e começa a traçar planos. Olha para fora e entende que és capaz. Sê empenhado, esforçado, teimoso. Não te rendas a quem diz que não consegues e que o teu desejo é uma loucura desprovida de sentido. Sente-te a renascer, porque a cada sonho que conseguires concretizar, estás a emprenhar os outros com vontade de sonhar e poucas coisas existem mais belas do que esta.
Agora vai, vai desenterrar os teus sonhos e recomeça a sonhá-los. Renasce com a esperança, o entusiasmo e a paz de espírito de dares à tua vida um sentido.
Ana Amorim Dias
Há demasiados assuntos a roubar-nos a paz de espírito e sei que não é nada fácil abstrairmo-nos deles. Se nos despreocupamos por completo entramos no pantanoso campo de correr o risco de perder o sustento, a casa, a família, a estabilidade e algumas outras coisas de quase igual importância. De caminho, no devir dos dias que se sucedem tão iguais, vai-se lutando por dormir bem no meio de tanta preocupação.
Afinal onde anda a esperança? Onde se meteu a paz de espírito? O que foi feito do entusiasmo? Para onde fugiram os sonhos?
Hoje não falo por mim. Tenho a esperança à flor da pele, a paz no meu centro, o entusiasmo na voz e os sonhos na ponta dos dedos que tecem histórias sem fim. O assunto é só contigo: onde meteste tudo isto? Até onde estás pronto a ir para resgatar o teu sonho? Ainda te lembras qual é? Quais são os obstáculos entre ti e a visionária missão que te destinaste? Não serás tu mesmo quem está a construir as muralhas que te impedem de viver o sonho? Não serão os teus infinitos medos e a tua constante inércia que contrariam, mais que tudo, a sua concretização?
Viver os sonhos dá uma trabalheira do caraças. Viver os sonhos assusta, incomoda, faz-nos tremer pelas bases. Mas é no momento em que começamos a sonhar com aspirações reais de concretização que a nossa vida começa. É aí que nasce a esperança, o entusiasmo, a coragem e a mais forte sensação de se estar mesmo vivo.
Agradeço-te que te recordes de cada um dos teus sonhos. Peço-te que tenhas a consciência que os sonhos que valem a pena implicam anos de trabalho, acarretam algumas perdas e têm por vezes que ser novamente adiados. Mas sonha, projeta, visualiza. Olha para dentro e começa a traçar planos. Olha para fora e entende que és capaz. Sê empenhado, esforçado, teimoso. Não te rendas a quem diz que não consegues e que o teu desejo é uma loucura desprovida de sentido. Sente-te a renascer, porque a cada sonho que conseguires concretizar, estás a emprenhar os outros com vontade de sonhar e poucas coisas existem mais belas do que esta.
Agora vai, vai desenterrar os teus sonhos e recomeça a sonhá-los. Renasce com a esperança, o entusiasmo e a paz de espírito de dares à tua vida um sentido.
Ana Amorim Dias
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