Sobre o poder e a vida
- Onde é que estava mesmo o coelho, mãe?
- Ali mais à frente, na beira da estrada.
- E não o mataste com o carro?
- Oh João! Claro que não, então eu era lá capaz de matar o bichinho!
- Dizes tu que tens "poderes"!...
A voz dececionada que proferiu aquele sarcasmo ativou-me a coerente e sentida reação.
- Meu amor: o poder nunca está em tirar a vida. O verdadeiro e maior dos poderes é preservá-la!
Enquanto estiveres a ler esta crónica, há pessoas iguais a ti a defender nas ruas os seus direitos mais básicos. Neste minuto há corações destroçados pela injustiça de tantas vidas ceifadas sem qualquer pudor. Nesta hora há milhares de cidadãos anónimos a arriscar-se a morrer em nome de um futuro digno. E a informação não chega inteira da Ucrânia. Não chega precisa da Venezuela. E da Coreia do Norte e de outros tantos países, nem sequer chega. Milhares (milhões?) de seres humanos como tu e como eu, com filhos e pais, amigos e amores, caem às mãos de déspotas inexplicáveis. Pessoas como tu e eu, com um passado e um futuro, com projetos e sonhos, vivem o horror indizível da opressão levada ao extremo.
Pouco ou nada justifica que gente mate gente.
Até podemos tentar compreender alguns conflitos entre nações. Mas como entender poderes instituídos que, em nome "da ordem pública" e do "bem maior", chacinam a sua própria gente? Nem no mundo animal é normal tal coisa, por isso como havemos de começar sequer a tentar entendê-lo no mundo humano?
Como chegam os déspotas ao poder? Que sortilégios macabros executam para lá se conseguirem manter? Como é que sociedades inteiras de gentes boas, que apenas querem viver em paz, se deixam enredar nestes dantescos e recorrentes episódios de despotismo assassino? Que espécie de terror é este que nem a abnegada coragem de povos inteiros consegue vencer? Talvez nunca encontremos resposta para isto. Talvez, na história vindoura do planeta terra, nunca se venham a esgotar os casos de terror imposto a milhões por algumas dezenas...
- E se fosse um coelho gigante assassino, mãe? Um que te quisesse comer? Também não o matavas?
- Isso não existe, amor!
- Está bem, mas e se fosse um urso?
- Fica descansado meu bebé: quem quer que venha para te fazer mal, terá que me enfrentar primeiro a mim!
É por isso que devemos apoiar quem se opõe aos ditadores do costume. Pelo nosso futuro e o dos nossos descendentes.
Mas, mais importante que isso, é estarmos atentos para impedir o surgimento de novos déspotas.
O verdadeiro poder jamais tira vidas. Preserva-as a qualquer custo.
Ana Amorim Dias
(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...
Ana Amorim Dias
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...
Ana Amorim Dias
10.3.14
A ponta de um corno
A ponta dum corno
Ele ligou-me com uma dúvida.
- Ana, lembras-te do que o apresentador disse sobre mim no início do programa?
- Qual deles, Eric?
- O Borges, no 5 para a meia noite.
- Sei lá o que é que ele disse, no meio de tantos disparates...
- É que eu continuo sem perceber.
Não ia deixar o rapaz com dúvidas, coitado, e fui ver: "Ele não fala a ponta dum corno de português, portanto a gente vai-se tentar desenrascar em castelhano..."
Não admira que o pobrezito não entendesse! Como é que se traduz "não falar a ponta dum corno" para espanhol, inglês ou francês?
- No hablar la punta de un cuerno es decir que no hablas nada de nada de português.
- Pero no es verdad, yo entiendo mucho...
Imaginei-lhe o beicinho do outro lado da linha.
- Deixa lá. Ele também disse que percorreste 500.000 quilómetros nessa volta ao mundo e na verdade foram só 36.000.
Ontem não fiz a ponta de um corno. E vinha pensar nisso, agora mesmo, no carro. Foi aliás por isso que me recordei deste episódio de impossível tradução literal. Usei o tradutor Google (não serve de muito, bem sei) para tentar traduzir a frase para várias outras línguas e conclui que a "ponta dum corno" é só nossa.
Não sei se é bom ou não, mas trata-se (acho que o posso afirmar) de um exclusivo lusitano.
Cheguei a duas conclusões: hoje vou trabalhar a dobrar para compensar a improdutividade de ontem e, decididamente, todos devíamos optar por não ligar a ponta dum corno aos disparates alheios.
Ana Amorim Dias
Ele ligou-me com uma dúvida.
- Ana, lembras-te do que o apresentador disse sobre mim no início do programa?
- Qual deles, Eric?
- O Borges, no 5 para a meia noite.
- Sei lá o que é que ele disse, no meio de tantos disparates...
- É que eu continuo sem perceber.
Não ia deixar o rapaz com dúvidas, coitado, e fui ver: "Ele não fala a ponta dum corno de português, portanto a gente vai-se tentar desenrascar em castelhano..."
Não admira que o pobrezito não entendesse! Como é que se traduz "não falar a ponta dum corno" para espanhol, inglês ou francês?
- No hablar la punta de un cuerno es decir que no hablas nada de nada de português.
- Pero no es verdad, yo entiendo mucho...
Imaginei-lhe o beicinho do outro lado da linha.
- Deixa lá. Ele também disse que percorreste 500.000 quilómetros nessa volta ao mundo e na verdade foram só 36.000.
Ontem não fiz a ponta de um corno. E vinha pensar nisso, agora mesmo, no carro. Foi aliás por isso que me recordei deste episódio de impossível tradução literal. Usei o tradutor Google (não serve de muito, bem sei) para tentar traduzir a frase para várias outras línguas e conclui que a "ponta dum corno" é só nossa.
Não sei se é bom ou não, mas trata-se (acho que o posso afirmar) de um exclusivo lusitano.
Cheguei a duas conclusões: hoje vou trabalhar a dobrar para compensar a improdutividade de ontem e, decididamente, todos devíamos optar por não ligar a ponta dum corno aos disparates alheios.
Ana Amorim Dias
Os abraços
Os abraços
Ele aninhou-se em mim com o sorriso mais satisfeito do mundo. Como sempre, aliás. E eu... bem, eu prestei mais atenção à forma como o estava a abraçar, mais do que com o meu corpo inteiro, e expliquei-lhe o que estava a acontecer.
- Sentes, João?
- O quê, mãe?
- Estou a dar-te todos os super poderes, neste abraço.
- Uau...
Enchi bem os pulmões e expirei, expirei, expirei. Até não me sobrar mais ar e ter revitalizado também todos os meus poderes.
- Transferência terminada!
Ele riu-se.
Fiquei a abracá-lo mais um pouco. E lembrei-me de um pensamento que ontem à noite me nasceu. Dei comigo a fazer uma "pequena" lista de tudo o que tenho aprendido com as centenas de pessoas que, ao longo destes últimos anos de maior consciência, tenho conhecido. Da infinita lista de conhecimentos recebidos, passei à dos sentimentos que quase toda a gente em mim desperta. Amigos, conhecidos, desconhecidos que passam a amigos; pessoas prováveis, improváveis; gente real que acaba por ficar sempre presentes no mundo virtual e pessoas virtuais que, de tão fantásticas, se acabam por tornar reais...
"O que fiz para merecer tanto?", perguntei-me. Depressa chegou o sorriso: "Pois. Abracei-os! Limitei-me a aprender a abraçar, mesmo sem braços, toda a gente com quem me cruzo! Caramba, este é bem capaz de ser o maior dos meus super poderes!!"
- Mãe? Eles só servem para a escola?- perguntou o João mesmo agora, ao sair do carro.
- Os poderes, baby? - ri-me - Claro que não! Funcionam sempre!
Ana Amorim Dias
Ele aninhou-se em mim com o sorriso mais satisfeito do mundo. Como sempre, aliás. E eu... bem, eu prestei mais atenção à forma como o estava a abraçar, mais do que com o meu corpo inteiro, e expliquei-lhe o que estava a acontecer.
- Sentes, João?
- O quê, mãe?
- Estou a dar-te todos os super poderes, neste abraço.
- Uau...
Enchi bem os pulmões e expirei, expirei, expirei. Até não me sobrar mais ar e ter revitalizado também todos os meus poderes.
- Transferência terminada!
Ele riu-se.
Fiquei a abracá-lo mais um pouco. E lembrei-me de um pensamento que ontem à noite me nasceu. Dei comigo a fazer uma "pequena" lista de tudo o que tenho aprendido com as centenas de pessoas que, ao longo destes últimos anos de maior consciência, tenho conhecido. Da infinita lista de conhecimentos recebidos, passei à dos sentimentos que quase toda a gente em mim desperta. Amigos, conhecidos, desconhecidos que passam a amigos; pessoas prováveis, improváveis; gente real que acaba por ficar sempre presentes no mundo virtual e pessoas virtuais que, de tão fantásticas, se acabam por tornar reais...
"O que fiz para merecer tanto?", perguntei-me. Depressa chegou o sorriso: "Pois. Abracei-os! Limitei-me a aprender a abraçar, mesmo sem braços, toda a gente com quem me cruzo! Caramba, este é bem capaz de ser o maior dos meus super poderes!!"
- Mãe? Eles só servem para a escola?- perguntou o João mesmo agora, ao sair do carro.
- Os poderes, baby? - ri-me - Claro que não! Funcionam sempre!
Ana Amorim Dias
Mala de mulher
Mala de mulher
Ele entrou para o banco da frende do carro.
- Só quando tiveres um metro e noventa é que podes vir à frente, filhote!-
- Podes parar de me gozar um bocadinho, podes?-
Eu devia era ter posto a fasquia nos dois metros porque com um metro e noventa está ele quase.
- Mãe, desculpa lá mas hoje vou à frente!
Fico sempre exaltada quando não levo a mala e a pasta de CDs mesmo pertinho de mim, no banco do lado.
- Insolente...
- Mãe!!
- Está bem, está bem! Vem lá à frente...
E então expliquei-lhe a teoria da mala ao pé. Todas as mulheres precisam sempre da sua mala o mais perto possível de si. Não basta ela estar no nosso campo de visão, é imperativo que esteja ao alcance da mão porque lá dentro existe todo um mundo de objetos essenciais cuja absoluta necessidade de proximidade os homens jamais poderão entender.
A mala de uma mulher é a sua casa portátil, a sua nação, a nascente de todas as soluções. Tem coisas tão importantes como o rímel e um verniz; o comprimido para as dores de cabeça e lencinhos de papel. Tem canetas, uma pinça, um espelho e pastilhas. Já para não falar do telefone, dos auriculares e de um carregador de emergência. Tem os documentos todos, o bloco de notas e papeis extremamente importantes que são quase sempre para deitar fora. E um par de brincos extra, uma tesoura pequena e um ou dois batons. Mala de mulher que se preze é uma espécie de recipiente mágico que comporta muito, mas muito mais do que o seu espaço físico permite.
E depois ainda perguntam como é que temos esta capacidade perpétua de solucionar todos os problemas em qualquer lugar... A mala é a nossa varinha de condão, é a poção mágica sem a qual ficamos desprovidas de grande parte dos poderes.
- Mãe!
- Hã?
- Vocês são mesmo complicadas!
Não. Definitivamente os homens nunca vão entender todo o valor que se encerra na mala de uma mulher!
Ana Amorim Dias
Ele entrou para o banco da frende do carro.
- Só quando tiveres um metro e noventa é que podes vir à frente, filhote!-
- Podes parar de me gozar um bocadinho, podes?-
Eu devia era ter posto a fasquia nos dois metros porque com um metro e noventa está ele quase.
- Mãe, desculpa lá mas hoje vou à frente!
Fico sempre exaltada quando não levo a mala e a pasta de CDs mesmo pertinho de mim, no banco do lado.
- Insolente...
- Mãe!!
- Está bem, está bem! Vem lá à frente...
E então expliquei-lhe a teoria da mala ao pé. Todas as mulheres precisam sempre da sua mala o mais perto possível de si. Não basta ela estar no nosso campo de visão, é imperativo que esteja ao alcance da mão porque lá dentro existe todo um mundo de objetos essenciais cuja absoluta necessidade de proximidade os homens jamais poderão entender.
A mala de uma mulher é a sua casa portátil, a sua nação, a nascente de todas as soluções. Tem coisas tão importantes como o rímel e um verniz; o comprimido para as dores de cabeça e lencinhos de papel. Tem canetas, uma pinça, um espelho e pastilhas. Já para não falar do telefone, dos auriculares e de um carregador de emergência. Tem os documentos todos, o bloco de notas e papeis extremamente importantes que são quase sempre para deitar fora. E um par de brincos extra, uma tesoura pequena e um ou dois batons. Mala de mulher que se preze é uma espécie de recipiente mágico que comporta muito, mas muito mais do que o seu espaço físico permite.
E depois ainda perguntam como é que temos esta capacidade perpétua de solucionar todos os problemas em qualquer lugar... A mala é a nossa varinha de condão, é a poção mágica sem a qual ficamos desprovidas de grande parte dos poderes.
- Mãe!
- Hã?
- Vocês são mesmo complicadas!
Não. Definitivamente os homens nunca vão entender todo o valor que se encerra na mala de uma mulher!
Ana Amorim Dias
Escolhidos
Escolhidos
- Sabes quando é que sou mais feliz?- perguntei sem esperar resposta.- ... quando escrevo.
Sim, eu ia mesmo explicar-lhe o que é, para mim, escrever.
- Imagina que te ligavam a uma máquina mágica. E, com essa ligação, podias ver tudo e sentir tudo e compreender tudo com a nitidez mais cristalina que possas imaginar.-
Do outro lado o silêncio. Continuei.
- Imagina outro plano da existência. Onde tudo faz sentido e não sentes mais nada a não ser uma paz e uma felicidade absolutas. Escrever é isto; não é comparável a nada! É por isso que não entendo aqueles escritores que têm "brancas" e sofrem muito durante o processo criativo. Dá ideia que as palavras lhes saem com uma dose grande de sofrimento e elevadas quantidades de "papel rasgado". Somos algo quando aquilo que revela o que somos nos sai sem esforço e com alegria. Sei que sou escritora porque escrevo em qualquer lugar, sobre o que quer que seja, com qualquer que seja o ruído exterior...porque não estou ali, estou em mim, na alegria total.
- Tu foste escolhida! - respondeu-me no fim.
Todos fomos.
Todos fomos escolhidos. Existirmos é a prova disso mesmo. Eu só tenho a sorte de o ter entendido um pouco mais depressa.
Ana Amorim Dias
- Sabes quando é que sou mais feliz?- perguntei sem esperar resposta.- ... quando escrevo.
Sim, eu ia mesmo explicar-lhe o que é, para mim, escrever.
- Imagina que te ligavam a uma máquina mágica. E, com essa ligação, podias ver tudo e sentir tudo e compreender tudo com a nitidez mais cristalina que possas imaginar.-
Do outro lado o silêncio. Continuei.
- Imagina outro plano da existência. Onde tudo faz sentido e não sentes mais nada a não ser uma paz e uma felicidade absolutas. Escrever é isto; não é comparável a nada! É por isso que não entendo aqueles escritores que têm "brancas" e sofrem muito durante o processo criativo. Dá ideia que as palavras lhes saem com uma dose grande de sofrimento e elevadas quantidades de "papel rasgado". Somos algo quando aquilo que revela o que somos nos sai sem esforço e com alegria. Sei que sou escritora porque escrevo em qualquer lugar, sobre o que quer que seja, com qualquer que seja o ruído exterior...porque não estou ali, estou em mim, na alegria total.
- Tu foste escolhida! - respondeu-me no fim.
Todos fomos.
Todos fomos escolhidos. Existirmos é a prova disso mesmo. Eu só tenho a sorte de o ter entendido um pouco mais depressa.
Ana Amorim Dias
Não há dois momentos iguais
Não há dois momentos iguais
"Fogo, estou tão cheia...", embalada pelo suave trepidar do carro e pela música calma, fechei os olhos e senti o sol na cara.
"Hum...que preguiça, sobre o que é que vou escrever hoje?". Não fazia mesmo ideia. Ponderei divagar sobre a maneira como as pessoas se reúnem para comer e beber e comer e beber e comer, comer, comer... mas não me pareceu suficientemente interessante.
- Tu tens razão. Estar em movimento é mesmo bom.- comentou o Ricardo, do nada.
- É, não é? Sobretudo quando conseguimos saborear cada minuto da nossa deslocação no espaço.- repliquei.
- E tu já reparaste que não há dois momentos iguais?-
Pimba! De um segundo para o outro o tema chegou, como chega sempre!
- Pois é!- respondi-lhe entusiasmada, mas já a voar para longe em pensamento.
"Realmente, e por mais que sejam parecidos, nunca há dois momentos rigorosamente iguais. Podemos olhar a mesma paisagem e vê-la igual, mas ao segundo momento já houve mudanças. A segunda garfada do almoço pode saber ao mesmo que a primeira mas já é outra lasca do bacalhau e outra batata que estamos a saborear. É curioso como podemos usar todos os momentos passados para nos prepararmos melhor para os futuros..."
E de repente uma nova visão da realidade apoderou-se de mim com uma explosão se alegria: "Se conseguirmos estar sempre conscientes de que cada momento é algo absolutamente novo e irrepetível, a vida torna-se numa eterna sucessão de instantes únicos, preciosos, em que nos podemos maravilhar sempre como se fosse de novo a primeira vez!!"
Sim, muito óbvia esta constatação. Mas infelizmente tão óbvia como a de estarmos, o tempo quase todo, num estado de inconsciência profunda.
Ana Amorim Dias
Enviado do Writer
Enviado via iPad
"Fogo, estou tão cheia...", embalada pelo suave trepidar do carro e pela música calma, fechei os olhos e senti o sol na cara.
"Hum...que preguiça, sobre o que é que vou escrever hoje?". Não fazia mesmo ideia. Ponderei divagar sobre a maneira como as pessoas se reúnem para comer e beber e comer e beber e comer, comer, comer... mas não me pareceu suficientemente interessante.
- Tu tens razão. Estar em movimento é mesmo bom.- comentou o Ricardo, do nada.
- É, não é? Sobretudo quando conseguimos saborear cada minuto da nossa deslocação no espaço.- repliquei.
- E tu já reparaste que não há dois momentos iguais?-
Pimba! De um segundo para o outro o tema chegou, como chega sempre!
- Pois é!- respondi-lhe entusiasmada, mas já a voar para longe em pensamento.
"Realmente, e por mais que sejam parecidos, nunca há dois momentos rigorosamente iguais. Podemos olhar a mesma paisagem e vê-la igual, mas ao segundo momento já houve mudanças. A segunda garfada do almoço pode saber ao mesmo que a primeira mas já é outra lasca do bacalhau e outra batata que estamos a saborear. É curioso como podemos usar todos os momentos passados para nos prepararmos melhor para os futuros..."
E de repente uma nova visão da realidade apoderou-se de mim com uma explosão se alegria: "Se conseguirmos estar sempre conscientes de que cada momento é algo absolutamente novo e irrepetível, a vida torna-se numa eterna sucessão de instantes únicos, preciosos, em que nos podemos maravilhar sempre como se fosse de novo a primeira vez!!"
Sim, muito óbvia esta constatação. Mas infelizmente tão óbvia como a de estarmos, o tempo quase todo, num estado de inconsciência profunda.
Ana Amorim Dias
Enviado do Writer
Enviado via iPad
On the Road again 2
"On the Road again"
Eu tapava o nariz e cantava com uma voz nasalada: "On the road again, I just can't wait to get on the road again...", esganiçava bem a pronúncia americana e conseguia afastar toda a gente de mim, vá-se lá saber porquê. "The life I love is making music with my friends, and I can't wait to get on the road again."
Eu não entendia, na infância, as razões por trás da alegria sentida ao cantar esta música do Willie Nelson, já que não gostava nem dele nem do estilo. Mas havia mesmo, nesta minha cantoria, um qualquer fator misterioso de alegria pura...
A maior parte das situações, até mesmo as mais insignificantes, encerram em si um sentido, uma mensagem. É pena que a maior parte das vezes não as entendamos de imediato, por falta de atenção ou de preparação para tal.
Mas depois há momentos em que, sem que façamos nada por isso, as epifanias se dão.
Esta manhã, ao começar uma nova viagem, entrei para o carro a cantar "on the Road again, I just can't wait to get on the Road again". E percebi de vez o mistério!
Sei há muitos anos que só estou bem em movimento. Não importa como, não importa para onde, não importa com quem. Desde que esteja a ir, estou feliz. Desde que esteja em deslocação, qualquer caminho é válido, qualquer estrada é a certa, mas agora já sei porquê.
"The life I love is writing stories for my friends, and I can't wait to get on the road again!!"
Ana Amorim Dias
Eu tapava o nariz e cantava com uma voz nasalada: "On the road again, I just can't wait to get on the road again...", esganiçava bem a pronúncia americana e conseguia afastar toda a gente de mim, vá-se lá saber porquê. "The life I love is making music with my friends, and I can't wait to get on the road again."
Eu não entendia, na infância, as razões por trás da alegria sentida ao cantar esta música do Willie Nelson, já que não gostava nem dele nem do estilo. Mas havia mesmo, nesta minha cantoria, um qualquer fator misterioso de alegria pura...
A maior parte das situações, até mesmo as mais insignificantes, encerram em si um sentido, uma mensagem. É pena que a maior parte das vezes não as entendamos de imediato, por falta de atenção ou de preparação para tal.
Mas depois há momentos em que, sem que façamos nada por isso, as epifanias se dão.
Esta manhã, ao começar uma nova viagem, entrei para o carro a cantar "on the Road again, I just can't wait to get on the Road again". E percebi de vez o mistério!
Sei há muitos anos que só estou bem em movimento. Não importa como, não importa para onde, não importa com quem. Desde que esteja a ir, estou feliz. Desde que esteja em deslocação, qualquer caminho é válido, qualquer estrada é a certa, mas agora já sei porquê.
"The life I love is writing stories for my friends, and I can't wait to get on the road again!!"
Ana Amorim Dias
De um a cem
De um a cem
- De um a cem amas-me quanto?
- Sei lá.
- 55? 87?
- Amo-te muito. Amo-te bem. É tudo o que importa.
O amor não é quantificável em números. Nunca foi e jamais será.
O amor é uma questão de intensidade do olhar.
O amor é não conseguir respirar ao ver-te depois da ausência.
O amor é o arrepio de uma recordação; é a sede com que te bebo as palavras e a fome com que te devoro o corpo.
O amor não é científico nem explicável; é um paradoxo brutal tão simples quanto complexo.
O amor não é um algarismo, é uma alegoria divina.
O amor não é matemática, equação nem proporção, é a ausência total de razões e da razão.
Porque o amor, meu amor, é a única coisa capaz de fazer de nós Deuses.
Ana Amorim Dias
- De um a cem amas-me quanto?
- Sei lá.
- 55? 87?
- Amo-te muito. Amo-te bem. É tudo o que importa.
O amor não é quantificável em números. Nunca foi e jamais será.
O amor é uma questão de intensidade do olhar.
O amor é não conseguir respirar ao ver-te depois da ausência.
O amor é o arrepio de uma recordação; é a sede com que te bebo as palavras e a fome com que te devoro o corpo.
O amor não é científico nem explicável; é um paradoxo brutal tão simples quanto complexo.
O amor não é um algarismo, é uma alegoria divina.
O amor não é matemática, equação nem proporção, é a ausência total de razões e da razão.
Porque o amor, meu amor, é a única coisa capaz de fazer de nós Deuses.
Ana Amorim Dias
Dois por dois
Dois por dois
- Tenho meia hora, queres ir lá?
- Ir onde?
- Ver a cama que queres.
Era quase hora de almoço e eu estava a meio de algo.
- Vou para o carro apitar.- provocou-me.
"Chego ao carro antes de ti!"
Dez minutos depois estavamos na loja. Sabia que não iria encontrar nenhuma cama que gostasse. Ela está desenhada no meu cérebro há já alguns dias. Mas o colchão era necessário.
- Tem colchões de dois por dois?- perguntei à senhora que nos estava a atender.
- Metros?
"Não, centímetros, minha burra!"
- Sim, claro.
- Ah, quem costuma levar essas medidas são os estrangeiros.- replicou.
O Ricardo olhou-me, divertido, à espera da minha reação. Controlei-me.
- Todos estes modelos podem ser feitos nessa medida.- continuou a senhora, levando-nos para uma parte da loja com colchões por todo o lado.
Comecei a deitar-me em todos.
- Não, nem pensar, demasiado mole!- e saltava para outro - Este talvez! Vem cá experimentar, Ricardo!-
Mas ele conhece-me demasiado bem e foi púdico o suficiente para não se aventurar...não faço ideia porquê.
"Devia ser como no cinema, a língua inglesa fica sempre bem...", comecei a cantarolar enquanto fazia o filme na minha cabeça, perante o olhar algo espantado da vendedora.
- Já escolheste?
- Sim, é este! Mas convém que experimentes...- mais um sorriso safado.
- Quatro metros quadrados não é cama a mais?- perguntou-me, já no carro, depois da compra estar feita.
- Os teus filhos estão cada vez maiores e vão sempre para lá, de manhã! Dois por dois é imperativo!
Lembrei-me dos tempos de namoro e da cama de solteiro que às vezes partilhavamos na casa das Olaias. Sorri feliz ao concluir que de facto não é necessária uma cama dois por dois para um casal ser dois por dois.
Desenhámos em conjunto a cama antes dele a ir encomendar ao carpinteiro. Dois por dois é assim: ambos os desenhos mentais a serem só um no papel...
Ana Amorim Dias
- Tenho meia hora, queres ir lá?
- Ir onde?
- Ver a cama que queres.
Era quase hora de almoço e eu estava a meio de algo.
- Vou para o carro apitar.- provocou-me.
"Chego ao carro antes de ti!"
Dez minutos depois estavamos na loja. Sabia que não iria encontrar nenhuma cama que gostasse. Ela está desenhada no meu cérebro há já alguns dias. Mas o colchão era necessário.
- Tem colchões de dois por dois?- perguntei à senhora que nos estava a atender.
- Metros?
"Não, centímetros, minha burra!"
- Sim, claro.
- Ah, quem costuma levar essas medidas são os estrangeiros.- replicou.
O Ricardo olhou-me, divertido, à espera da minha reação. Controlei-me.
- Todos estes modelos podem ser feitos nessa medida.- continuou a senhora, levando-nos para uma parte da loja com colchões por todo o lado.
Comecei a deitar-me em todos.
- Não, nem pensar, demasiado mole!- e saltava para outro - Este talvez! Vem cá experimentar, Ricardo!-
Mas ele conhece-me demasiado bem e foi púdico o suficiente para não se aventurar...não faço ideia porquê.
"Devia ser como no cinema, a língua inglesa fica sempre bem...", comecei a cantarolar enquanto fazia o filme na minha cabeça, perante o olhar algo espantado da vendedora.
- Já escolheste?
- Sim, é este! Mas convém que experimentes...- mais um sorriso safado.
- Quatro metros quadrados não é cama a mais?- perguntou-me, já no carro, depois da compra estar feita.
- Os teus filhos estão cada vez maiores e vão sempre para lá, de manhã! Dois por dois é imperativo!
Lembrei-me dos tempos de namoro e da cama de solteiro que às vezes partilhavamos na casa das Olaias. Sorri feliz ao concluir que de facto não é necessária uma cama dois por dois para um casal ser dois por dois.
Desenhámos em conjunto a cama antes dele a ir encomendar ao carpinteiro. Dois por dois é assim: ambos os desenhos mentais a serem só um no papel...
Ana Amorim Dias
Voos
Voos
Olhei para as estrelas e respirei fundo. O silêncio frio da noite fez-me sentir livre. Vi as luzes de um avião, lá no alto, e imaginei para onde iria. "Engraçado, os aviões "apanham-se" com data e hora marcadas... as estrelas não."
Há cerca de dez anos, recebi em minha casa uns grandes amigos da Colômbia. Durante os dias em que interromperam a sua longa viagem pela Europa, reforçamos a sensação de família que na realidade não somos. No fim da sua estadia, levei-os ao aeroporto (na altura a trinta e cinco quilómetros da minha casa) ainda de madrugada. Tinha-me deitado muito tarde e não me podia demorar porque tinha um julgamento nessa manhã.
Quando foram fazer o check in, vi o Luís, sempre tão organizado e composto, a ficar muito branco. Tinham-se enganado no dia: o seu voo era vinte e quatro horas mais tarde.
Ficaram tão aflitos com o transtorno que passaram o resto do dia a desfazer-se em desculpas perante o meu perdão ensonado.
Todos temos os nossos "aviões" para apanhar. Sabemos as datas e as horas, contudo às vezes perdemo-los e outras vezes chegamos tanto tempo antes que ainda não existe tal voo.
Será que tudo na vida se prende com questões de timing? Será que quem tem um faro mais apurado para a pontualidade age sempre na hora certa? Ou o não chegar demasiado cedo nem demasiado tarde é só uma questão de sorte?
Pelo sim, pelo não, sempre que tenho voos marcados, confirmo e reconfirmo a data e a hora, dando aos imprevistos generosas margens de tempo.
Mas, e os voos até às estrelas?... Bem, esses simplesmente
acontecem sem que seja preciso comprá-los nem fazer marcação prévia.
Ana Amorim Dias
Enviado do Writer
Olhei para as estrelas e respirei fundo. O silêncio frio da noite fez-me sentir livre. Vi as luzes de um avião, lá no alto, e imaginei para onde iria. "Engraçado, os aviões "apanham-se" com data e hora marcadas... as estrelas não."
Há cerca de dez anos, recebi em minha casa uns grandes amigos da Colômbia. Durante os dias em que interromperam a sua longa viagem pela Europa, reforçamos a sensação de família que na realidade não somos. No fim da sua estadia, levei-os ao aeroporto (na altura a trinta e cinco quilómetros da minha casa) ainda de madrugada. Tinha-me deitado muito tarde e não me podia demorar porque tinha um julgamento nessa manhã.
Quando foram fazer o check in, vi o Luís, sempre tão organizado e composto, a ficar muito branco. Tinham-se enganado no dia: o seu voo era vinte e quatro horas mais tarde.
Ficaram tão aflitos com o transtorno que passaram o resto do dia a desfazer-se em desculpas perante o meu perdão ensonado.
Todos temos os nossos "aviões" para apanhar. Sabemos as datas e as horas, contudo às vezes perdemo-los e outras vezes chegamos tanto tempo antes que ainda não existe tal voo.
Será que tudo na vida se prende com questões de timing? Será que quem tem um faro mais apurado para a pontualidade age sempre na hora certa? Ou o não chegar demasiado cedo nem demasiado tarde é só uma questão de sorte?
Pelo sim, pelo não, sempre que tenho voos marcados, confirmo e reconfirmo a data e a hora, dando aos imprevistos generosas margens de tempo.
Mas, e os voos até às estrelas?... Bem, esses simplesmente
acontecem sem que seja preciso comprá-los nem fazer marcação prévia.
Ana Amorim Dias
Enviado do Writer
Redesenhar o mundo
Redesenhar o mundo
- Sempre vens tomar café?
- Claro. Demoro vinte minutos a chegar, esperas por mim?
- Yes!
Cheguei vinte e um minutos depois. Ele já andava há um mês para se ir embora e eu obrigara-o a prometer que pararia em Altura para se despedir de mim.
Na sua maneira caricata de falar inglês, com aquela pronúncia alemã, explicou-me as rotas e paragens que planeia para os próximos tempos.
- Então vai ser demorada, a tua viagem de regresso a casa!
- Depende do que tu estás a entender por minha casa.- sorriu misterioso. - Ela não é longe daqui, a minha casa é Faro...
Ontem tive uma birra tão grande que durou até hoje. Entre os inúmeros planos de ano novo, eu tinha decidido, entre muitas outras coisas, escrever para a Vogue e publicar (pelo menos) o "Olho Ubíquo" com uma grande editora. Aparentemente a minha escrita não tem o registo jornalístico e especializado em moda que pretendem nessa revista. Compreendo. Na Elle não têm espaço. Entendido. Respostas das editoras, nem vê-las. Muito bem. Mas fiz birra. Daquelas grandes, típicas dos insuportáveis miúdos que costumam ter tudo o que querem.
"Vou tirar umas férias da escrita e desta luta por tentar fazer chegar ao grande público o meu trabalho!", "Preciso de me libertar um pouco disto.", "Serei escritodependente? Isto é um vício? Uma necessidade? O quê?", "Amanhã não escrevo, pronto!"
Olhei de novo para a mota do Ralf, à chuva, carregada com os seus pertences. Olhei enternecida para as suas barbas de velho lobo da estrada e lembrei-me de algo que ontem escrevi e que muitas pessoas insistiram em citar várias vezes: "O mundo só faz sentido se houver um cantinho de afetos que é nosso."
Voltei dos meus pensamentos com algo que ele me disse.
- Tirei-te fotografias em que a tua expressão é a de quem está a pensar em redesenhar o mundo. - Estavamos a falar de fotografia e na forma como nelas nos revelamos.
- Desculpa? Repete lá.
- Disse que em algumas fotografias tens a cara de quem planeia redesenhar o mundo.
Sim, eu ouvira bem.
Vi-o partir à chuva, naquela Triumph toca carregada, para se fazer aos caminhos do seu mundo pessoal. E vim-me embora a pensar que não escrevo por vício nem por necessidade. Não escrevo por nenhuma obstinada teimosia nem para provar nada a ninguém. Escrevo como quem respira e para conversar comigo. Como poderia, por isso, embirrar em não escrever? Que parvoíce tão grande essa de suster a respiração ao pensamento, como se fosse possível caminhar de costas voltadas a nós mesmos.
Sentei-me depressa perante o ecrã em branco. Que se danem as portas que insistem em permanecer fechadas. Tenho-vos aqui: a cada uma das vossas preciosas presenças! E, enquanto me tiver também a mim, continuarei a redesenhar o mundo com as palavras que respiro.
Ana Amorim Dias
- Sempre vens tomar café?
- Claro. Demoro vinte minutos a chegar, esperas por mim?
- Yes!
Cheguei vinte e um minutos depois. Ele já andava há um mês para se ir embora e eu obrigara-o a prometer que pararia em Altura para se despedir de mim.
Na sua maneira caricata de falar inglês, com aquela pronúncia alemã, explicou-me as rotas e paragens que planeia para os próximos tempos.
- Então vai ser demorada, a tua viagem de regresso a casa!
- Depende do que tu estás a entender por minha casa.- sorriu misterioso. - Ela não é longe daqui, a minha casa é Faro...
Ontem tive uma birra tão grande que durou até hoje. Entre os inúmeros planos de ano novo, eu tinha decidido, entre muitas outras coisas, escrever para a Vogue e publicar (pelo menos) o "Olho Ubíquo" com uma grande editora. Aparentemente a minha escrita não tem o registo jornalístico e especializado em moda que pretendem nessa revista. Compreendo. Na Elle não têm espaço. Entendido. Respostas das editoras, nem vê-las. Muito bem. Mas fiz birra. Daquelas grandes, típicas dos insuportáveis miúdos que costumam ter tudo o que querem.
"Vou tirar umas férias da escrita e desta luta por tentar fazer chegar ao grande público o meu trabalho!", "Preciso de me libertar um pouco disto.", "Serei escritodependente? Isto é um vício? Uma necessidade? O quê?", "Amanhã não escrevo, pronto!"
Olhei de novo para a mota do Ralf, à chuva, carregada com os seus pertences. Olhei enternecida para as suas barbas de velho lobo da estrada e lembrei-me de algo que ontem escrevi e que muitas pessoas insistiram em citar várias vezes: "O mundo só faz sentido se houver um cantinho de afetos que é nosso."
Voltei dos meus pensamentos com algo que ele me disse.
- Tirei-te fotografias em que a tua expressão é a de quem está a pensar em redesenhar o mundo. - Estavamos a falar de fotografia e na forma como nelas nos revelamos.
- Desculpa? Repete lá.
- Disse que em algumas fotografias tens a cara de quem planeia redesenhar o mundo.
Sim, eu ouvira bem.
Vi-o partir à chuva, naquela Triumph toca carregada, para se fazer aos caminhos do seu mundo pessoal. E vim-me embora a pensar que não escrevo por vício nem por necessidade. Não escrevo por nenhuma obstinada teimosia nem para provar nada a ninguém. Escrevo como quem respira e para conversar comigo. Como poderia, por isso, embirrar em não escrever? Que parvoíce tão grande essa de suster a respiração ao pensamento, como se fosse possível caminhar de costas voltadas a nós mesmos.
Sentei-me depressa perante o ecrã em branco. Que se danem as portas que insistem em permanecer fechadas. Tenho-vos aqui: a cada uma das vossas preciosas presenças! E, enquanto me tiver também a mim, continuarei a redesenhar o mundo com as palavras que respiro.
Ana Amorim Dias
O rótulo do amor
O rótulo do amor
A mensagem dela chegou-me esta manhã. Como todos os dias me chegam tantas, com os mais variados temas, sugestões e desabafos.
Queixava-se, esta amiga que tanto adoro, dos rótulos que se nos colam como uma segunda pele e que temos, por vezes, dificuldade em desfazer e desmistificar perante os demais. Referiu que eu sou a única pessoa com quem se dá que não tem essa irritante tendência, e que foi por isso que, no meio da sua confusão, lhe apeteceu desabafar comigo.
Fiquei a pensar na minha relação com os tais rótulos e, sem demoras, respondi-lhe:
"O único problema dos rótulos é deixarmos que existam. Eu só aceito que se me colem dois: a escritora excessiva. O resto são detalhes sem importância.
Quero amar gente. Pessoas. Com amor humano. Sem me lembrar se são homens, mulheres, crianças ou anciãos/ãs; se são solteiros/as, divorciados/as, viúvos/as, predadores/as ou presas. Isso são meros detalhes e a mim importa-me amar gente. Com amor humano!
Ah e sabes? Rótulos à parte: amo-te!"
Quais são afinal os mais espartilhadores rótulos? Aqueles que nos incomoda que nos colem ou aqueles que decidimos vestir? Olhem-nos os outros como decidirem olhar-nos, desde que nos mantenhamos fieis ao que de facto somos (humanos capazes de amar com amor humano), viveremos com o único rótulo que importa: o da capacidade de amar.
E sim, o resto são pormenores sem qualquer importância!
Ana Amorim Dias
Enviado do Writer
Enviado via iPad
A mensagem dela chegou-me esta manhã. Como todos os dias me chegam tantas, com os mais variados temas, sugestões e desabafos.
Queixava-se, esta amiga que tanto adoro, dos rótulos que se nos colam como uma segunda pele e que temos, por vezes, dificuldade em desfazer e desmistificar perante os demais. Referiu que eu sou a única pessoa com quem se dá que não tem essa irritante tendência, e que foi por isso que, no meio da sua confusão, lhe apeteceu desabafar comigo.
Fiquei a pensar na minha relação com os tais rótulos e, sem demoras, respondi-lhe:
"O único problema dos rótulos é deixarmos que existam. Eu só aceito que se me colem dois: a escritora excessiva. O resto são detalhes sem importância.
Quero amar gente. Pessoas. Com amor humano. Sem me lembrar se são homens, mulheres, crianças ou anciãos/ãs; se são solteiros/as, divorciados/as, viúvos/as, predadores/as ou presas. Isso são meros detalhes e a mim importa-me amar gente. Com amor humano!
Ah e sabes? Rótulos à parte: amo-te!"
Quais são afinal os mais espartilhadores rótulos? Aqueles que nos incomoda que nos colem ou aqueles que decidimos vestir? Olhem-nos os outros como decidirem olhar-nos, desde que nos mantenhamos fieis ao que de facto somos (humanos capazes de amar com amor humano), viveremos com o único rótulo que importa: o da capacidade de amar.
E sim, o resto são pormenores sem qualquer importância!
Ana Amorim Dias
Enviado do Writer
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