Agora
O João vem silencioso no banco de trás. A Ana Carolina canta.
"Às vezes ando só trocando passos com a solidão, momentos que são meus e que não abro mão..."
No meio do caminho, da voz intensa e dos acordes melódicos do seu "violão", começo a perder-me nas estradas do pensamento. Volto ao passado. Avanço futuro adentro. Reconheço-me uma e outra vez, amando cada segundo desta excursão etérea.
"Já sei olhar o rio por onde a vida passa, sem me precipitar nem perder a hora, escuto no silêncio que há em mim e basta..."
Regresso ao presente. Percebo que não concordo com o aforismo, tantas e tantas vezes usado, de que quem lembra o passado e sonha o futuro se esquece de viver em pleno o presente. Discordo. Em absoluto.
"Outro tempo começou p'ra mim agora. Vou deixar a rua me levar, ver a cidade se acender..."
Adoro lembrar o passado. Faz parte de mim, compõe-me a essência. Amo sonhar o futuro. Também ele um dia fará parte da estrada percorrida. E então percebo, com a notável clareza que me costuma acompanhar estas singelas conclusões, que o presente é tão mais intenso quanto nele conseguimos condensar as vivências passadas e as aspirações futuristas. Na verdade parece-me que só assim é que o "agora" se intensifica e exponencia a ponto de se tornar inesquecível.
Ana Amorim Dias
(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...
Ana Amorim Dias
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...
Ana Amorim Dias
14.7.13
Tortura chinesa
Tortura chinesa
Não faço a mínima ideia se as piores torturas são as chinesas. No meu imaginário fiquei com essa ideia, quem sabe se devido ao comum comentário: "Isso é pior que tortura chinesa".
No entanto não concordo com torturas. Não deste género pelo menos! O que me leva à questão: como torturaria eu alguém? Caso tivesse que castigar realmente alguma pessoa, ou me visse obrigada a arrancar-lhe à força um segredo, usaria métodos com requintes de malvadez bem mais apurados. E a jóia da coroa seria, sem qualquer sombra de dúvida, o trio de vozes do inferno. Ninguém me tira da ideia que não há sofrimento mais atroz do que ser trancado numa sala por tempo indefinido na companhia da Teresa Guilherme, da Júlia Pinheiro e da daquela Cristina cujo apelido não sei, mas que apresenta o programa com o Goucha. Com as três sempre a falar, claro.
Creio que as vou contactar para ser agente delas. É que, se quem ainda usa torturas tomasse conhecimento do método e da sua eficiência, muito rapidamente, entre as quatro, endireitaríamos a dívida deste país.
Ana Amorim Dias
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Não faço a mínima ideia se as piores torturas são as chinesas. No meu imaginário fiquei com essa ideia, quem sabe se devido ao comum comentário: "Isso é pior que tortura chinesa".
No entanto não concordo com torturas. Não deste género pelo menos! O que me leva à questão: como torturaria eu alguém? Caso tivesse que castigar realmente alguma pessoa, ou me visse obrigada a arrancar-lhe à força um segredo, usaria métodos com requintes de malvadez bem mais apurados. E a jóia da coroa seria, sem qualquer sombra de dúvida, o trio de vozes do inferno. Ninguém me tira da ideia que não há sofrimento mais atroz do que ser trancado numa sala por tempo indefinido na companhia da Teresa Guilherme, da Júlia Pinheiro e da daquela Cristina cujo apelido não sei, mas que apresenta o programa com o Goucha. Com as três sempre a falar, claro.
Creio que as vou contactar para ser agente delas. É que, se quem ainda usa torturas tomasse conhecimento do método e da sua eficiência, muito rapidamente, entre as quatro, endireitaríamos a dívida deste país.
Ana Amorim Dias
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Que Deus me castigue sempre assim
"Que Deus me castigue sempre assim"
Há qualquer coisa na forma como os homens cozinham que lhes confere vantagens. Não consigo é definir o quê, por mais que me esforce.
Creio que não mentiria se dissesse que muitos dos mais incrivelmente deliciosos repastos com que já me regalei foram criados por homens.
- Que Deus me castigue separe assim...- comentou o Vítor enquanto provava os divinais camarões fritos que acabara de fazer.
Fiquei sem perceber o que é que me estava a saber melhor: o sabor incrível daquele camarão interminável ou o sabor emocional daquela frase inesperada? Vim a saber que a frase era dita pela avó ( ou seria o avô?) da Micá, mulher do Vítor. O certo é que ao ouvi-la, tão convincente e em momento tão próprio, compreendi que é também dos homens que me têm chegado os ensinamentos mais profundos, úteis e inesquecíveis da minha vida. Por isso, e em jeito de comemoração emocionada, agarrei-me ao meu "pandinha" e afoguei-o com mimos, desejando silenciosamente que Deus me castigue sempre assim: com a presença de pessoas maravilhosas na minha vida!
Ana Amorim Dias
Há qualquer coisa na forma como os homens cozinham que lhes confere vantagens. Não consigo é definir o quê, por mais que me esforce.
Creio que não mentiria se dissesse que muitos dos mais incrivelmente deliciosos repastos com que já me regalei foram criados por homens.
- Que Deus me castigue separe assim...- comentou o Vítor enquanto provava os divinais camarões fritos que acabara de fazer.
Fiquei sem perceber o que é que me estava a saber melhor: o sabor incrível daquele camarão interminável ou o sabor emocional daquela frase inesperada? Vim a saber que a frase era dita pela avó ( ou seria o avô?) da Micá, mulher do Vítor. O certo é que ao ouvi-la, tão convincente e em momento tão próprio, compreendi que é também dos homens que me têm chegado os ensinamentos mais profundos, úteis e inesquecíveis da minha vida. Por isso, e em jeito de comemoração emocionada, agarrei-me ao meu "pandinha" e afoguei-o com mimos, desejando silenciosamente que Deus me castigue sempre assim: com a presença de pessoas maravilhosas na minha vida!
Ana Amorim Dias
Princípio ativo
Princípio ativo
As constipações costumam começar-me com uma leve dor de garganta. Para combater a coisa, que de verão não dá jeito nenhum, ataquei uma caixa de anti-inflamatórios. Ao fim de três dias de auto-medicação, acordei com uma dor medonha e, ao ver a garganta ao espelho, percebi que o assunto só lá ia com antibióticos.
Nove da manhã e eu a entrar no centro de saúde.
- As urgências são entre as oito e as oito e meia, mas se quiser pode esperar até às duas da tarde porque o doutor talvez a veja no meio de alguma das consultas marcadas.
Como a senhora não deve ter culpa daquele atendimento tão eficiente, rosnei-lhe um "muito obrigada" o mais mansamente que pude.
Guiei até ao centro de saúde mais próximo onde um médico me pudesse ver a maleita àquela hora tão estranha.
Paguei quinze euros e quarenta e cinco cêntimos ( parece que já não basta apresentar o cartão de dadora de sangue para ter isenção de taxas) mas fui rapidamente atendida.
- O que é que tens? -
Pensava que só tinha amigdalite mas depressa me apercebi de estar também com uma crise aguda de estupefação.
- Garganta.- respondi laconicamente enquanto tentava adivinhar a nacionalidade do médico.
- Abre a boca.-
Garanto que não sou preconceituosa mas, com aquele tratamento de choque, o rabo de cavalo e o brinquinho do dito doutor começaram a fazer-me questionar se não estaria nos "apanhados".
Expliquei que anti-inflamatórios tinha tomado e durante quanto tempo.
- Qual é o princípio ativo desses?-
Não pude conter-me.
- Como deve calcular, não faço a mais pequena ideia, mas devia ser um princípio muito pouco ativo porque não me fizeram efeito!-
- Bem, vou receitar então uns anti-inflamatórios...-
Foi nesse momento que que descobri o meu princípio ativo! Já tinha aturado muita coisa estranha em meia manhã apenas; a garganta doía-me imenso e não me ia dali embora sem uma solução eficaz!
- O doutor não ouviu o que eu disse? Não viu como tenho a garganta? Já tomei isso três dias, isto só vai ao sítio com antibióticos!-
Pelos vistos o meu princípio ativo fez efeito imediato naquele senhor doutor. Passou-me a receita correta e desejou-me as melhoras. Durante uns dias ainda me custou imenso engolir, mas fiquei feliz por ter descoberto que tenho princípios ativos que me protegem de "engolir" tudo aquilo que não quero.
Ana Amorim Dias
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As constipações costumam começar-me com uma leve dor de garganta. Para combater a coisa, que de verão não dá jeito nenhum, ataquei uma caixa de anti-inflamatórios. Ao fim de três dias de auto-medicação, acordei com uma dor medonha e, ao ver a garganta ao espelho, percebi que o assunto só lá ia com antibióticos.
Nove da manhã e eu a entrar no centro de saúde.
- As urgências são entre as oito e as oito e meia, mas se quiser pode esperar até às duas da tarde porque o doutor talvez a veja no meio de alguma das consultas marcadas.
Como a senhora não deve ter culpa daquele atendimento tão eficiente, rosnei-lhe um "muito obrigada" o mais mansamente que pude.
Guiei até ao centro de saúde mais próximo onde um médico me pudesse ver a maleita àquela hora tão estranha.
Paguei quinze euros e quarenta e cinco cêntimos ( parece que já não basta apresentar o cartão de dadora de sangue para ter isenção de taxas) mas fui rapidamente atendida.
- O que é que tens? -
Pensava que só tinha amigdalite mas depressa me apercebi de estar também com uma crise aguda de estupefação.
- Garganta.- respondi laconicamente enquanto tentava adivinhar a nacionalidade do médico.
- Abre a boca.-
Garanto que não sou preconceituosa mas, com aquele tratamento de choque, o rabo de cavalo e o brinquinho do dito doutor começaram a fazer-me questionar se não estaria nos "apanhados".
Expliquei que anti-inflamatórios tinha tomado e durante quanto tempo.
- Qual é o princípio ativo desses?-
Não pude conter-me.
- Como deve calcular, não faço a mais pequena ideia, mas devia ser um princípio muito pouco ativo porque não me fizeram efeito!-
- Bem, vou receitar então uns anti-inflamatórios...-
Foi nesse momento que que descobri o meu princípio ativo! Já tinha aturado muita coisa estranha em meia manhã apenas; a garganta doía-me imenso e não me ia dali embora sem uma solução eficaz!
- O doutor não ouviu o que eu disse? Não viu como tenho a garganta? Já tomei isso três dias, isto só vai ao sítio com antibióticos!-
Pelos vistos o meu princípio ativo fez efeito imediato naquele senhor doutor. Passou-me a receita correta e desejou-me as melhoras. Durante uns dias ainda me custou imenso engolir, mas fiquei feliz por ter descoberto que tenho princípios ativos que me protegem de "engolir" tudo aquilo que não quero.
Ana Amorim Dias
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Na reunião das quatro e meia
Na reunião das quatro e meia
Digam lá o que disserem a tecnologia traz possibilidades fantásticas. A reunião estava marcada para as quatro e meia. Três pessoas em Paris, uma no sul de França e eu... na Quinta do Monte. Cheia de calor, e como ainda havia tempo, decidi dar um mergulho na piscina.
- Mãe! Pediste para te avisar quando fossem quatro e um quarto!- avisou-me o Tomás.
Saí da piscina, sequei-me um pouco e coloquei um vestidinho leve, não fossem lembrar-se de fazer a conferência com o vídeo ligado. Com o cabelo ainda a pingar, e o ipad já a tocar, dirigi-me para o escritório. Lá fora, o barulhinho dos aspersores e das crianças a brincar na água, não me conseguiram desconcentrar. Pelo contrário, conferiram-me uma dimensão docemente humana ao início de mais um desafio profissional.
Quarenta minutos mais tarde, depois de me comunicar em três línguas diferentes e de definir em conjunto as diretrizes iniciais do projeto, cheguei de novo à conclusão de que adoro viver nesta era. O mundo está tão mais ao nosso alcance quanto crescem todas as possibilidades de com ele interagirmos.
Ana Amorim Dias
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Digam lá o que disserem a tecnologia traz possibilidades fantásticas. A reunião estava marcada para as quatro e meia. Três pessoas em Paris, uma no sul de França e eu... na Quinta do Monte. Cheia de calor, e como ainda havia tempo, decidi dar um mergulho na piscina.
- Mãe! Pediste para te avisar quando fossem quatro e um quarto!- avisou-me o Tomás.
Saí da piscina, sequei-me um pouco e coloquei um vestidinho leve, não fossem lembrar-se de fazer a conferência com o vídeo ligado. Com o cabelo ainda a pingar, e o ipad já a tocar, dirigi-me para o escritório. Lá fora, o barulhinho dos aspersores e das crianças a brincar na água, não me conseguiram desconcentrar. Pelo contrário, conferiram-me uma dimensão docemente humana ao início de mais um desafio profissional.
Quarenta minutos mais tarde, depois de me comunicar em três línguas diferentes e de definir em conjunto as diretrizes iniciais do projeto, cheguei de novo à conclusão de que adoro viver nesta era. O mundo está tão mais ao nosso alcance quanto crescem todas as possibilidades de com ele interagirmos.
Ana Amorim Dias
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Tostas zen
Tostas zen
Quando ele entrou na cozinha eu navegava no caos. Mas num caos limpo, coerente, saboroso, tranquilo.
- Não suporto ver isto assim...- e virou costas sem que eu sequer precisasse de o mandar embora. Não me apetecia deixar a minha harmonia ser perturbada por resmunguices rabugentas.
Continuei a colocar o queijo sobre o pão com gentileza; a juntar o molho entre passinhos de dança e a adicionar os restantes ingredientes enquanto cantava a música que passava lá fora. A desorganização foi-se arrumando como que por magia à medida que as tostas iam saindo, apetitosas, da "caliente" tostadeira.
Quando terminei a odisseia perguntei ao Fred:
- Já levitam lá fora na esplanada?-
- O quê?-
- As tostas hoje ainda saíram mais Zen do que é costume! Está com atenção que daqui a pouco começas a vê-los a elevar-se das cadeiras!-
E ele riu-se. Sabe que levitar não levitam, mas lá que se elevam de prazer isso ninguém pode negar!
Podem tentar reproduzir a receita das Tostas Zen de todas as formas possíveis, mas a proporção dos ingredientes (divertimento, carinho, história, etc ) requer uma sabedoria que não está ao alcance de todos...
Ana Amorim Dias
Quando ele entrou na cozinha eu navegava no caos. Mas num caos limpo, coerente, saboroso, tranquilo.
- Não suporto ver isto assim...- e virou costas sem que eu sequer precisasse de o mandar embora. Não me apetecia deixar a minha harmonia ser perturbada por resmunguices rabugentas.
Continuei a colocar o queijo sobre o pão com gentileza; a juntar o molho entre passinhos de dança e a adicionar os restantes ingredientes enquanto cantava a música que passava lá fora. A desorganização foi-se arrumando como que por magia à medida que as tostas iam saindo, apetitosas, da "caliente" tostadeira.
Quando terminei a odisseia perguntei ao Fred:
- Já levitam lá fora na esplanada?-
- O quê?-
- As tostas hoje ainda saíram mais Zen do que é costume! Está com atenção que daqui a pouco começas a vê-los a elevar-se das cadeiras!-
E ele riu-se. Sabe que levitar não levitam, mas lá que se elevam de prazer isso ninguém pode negar!
Podem tentar reproduzir a receita das Tostas Zen de todas as formas possíveis, mas a proporção dos ingredientes (divertimento, carinho, história, etc ) requer uma sabedoria que não está ao alcance de todos...
Ana Amorim Dias
Nutritivos e famintos
Nutritivos e famintos
A ideia anda a ganhar forma há uns dias mas só ontem à noite, enquanto conversava com duas amigas, a verbalizei pela primeira vez. Só há dois tipos de pessoas no mundo: as nutritivas e as famintas. As que alimentam e as que precisam de ser alimentadas.
As grandes categorias nem deviam ser de género, raça ou credo, e sim relativas a esta essência que, ninguém me tira da ideia, é como um pacto, contratado antes de nascermos.
Passei a vida a interrogar-me acerca dos porquês de várias características minhas sobre as quais não tenho qualquer controlo: sou uma alimentadora compulsiva dos outros; forneço as condições apropriadas para que todos (até os que acabo de conhecer!) tenham uma forte tendência para chorar junto a mim; e preciso desesperadamente de estar sozinha. Esta última compulsão é a que, até agora, mais me tem intrigado. Mas acho que descobri a razão.
Fiz o "contrato" dos nutritivos. Vim a esta vida (espero que a todas, caso mais existam) para alimentar estômagos, almas e corações. A minha energia está à disposição: sei que ao dá-la conscientemente já ninguém ma pode roubar! Entendo que há muitas pessoas que não têm ainda a capacidade de se alimentar a si mesmas com a energia universal. Elas não têm culpa, devemos respeitá-las, amá-las e alimentá-las energeticamente até começarem, uma a uma, a ser nutritivas também e a alimentar os outros. É esta a nossa função e quanto mais depressa o entendermos mais nutritivos seremos.
Quanto à ponta solta que deixei para trás, a conclusão é simples: para sermos nutritivos temos que ter uma fonte inesgotável de nutrientes e, no meu caso, o manancial aciona-se ao estar sozinha comigo.
Caramba, como eu adoro perceber as coisas!
Ana Amorim Dias
A ideia anda a ganhar forma há uns dias mas só ontem à noite, enquanto conversava com duas amigas, a verbalizei pela primeira vez. Só há dois tipos de pessoas no mundo: as nutritivas e as famintas. As que alimentam e as que precisam de ser alimentadas.
As grandes categorias nem deviam ser de género, raça ou credo, e sim relativas a esta essência que, ninguém me tira da ideia, é como um pacto, contratado antes de nascermos.
Passei a vida a interrogar-me acerca dos porquês de várias características minhas sobre as quais não tenho qualquer controlo: sou uma alimentadora compulsiva dos outros; forneço as condições apropriadas para que todos (até os que acabo de conhecer!) tenham uma forte tendência para chorar junto a mim; e preciso desesperadamente de estar sozinha. Esta última compulsão é a que, até agora, mais me tem intrigado. Mas acho que descobri a razão.
Fiz o "contrato" dos nutritivos. Vim a esta vida (espero que a todas, caso mais existam) para alimentar estômagos, almas e corações. A minha energia está à disposição: sei que ao dá-la conscientemente já ninguém ma pode roubar! Entendo que há muitas pessoas que não têm ainda a capacidade de se alimentar a si mesmas com a energia universal. Elas não têm culpa, devemos respeitá-las, amá-las e alimentá-las energeticamente até começarem, uma a uma, a ser nutritivas também e a alimentar os outros. É esta a nossa função e quanto mais depressa o entendermos mais nutritivos seremos.
Quanto à ponta solta que deixei para trás, a conclusão é simples: para sermos nutritivos temos que ter uma fonte inesgotável de nutrientes e, no meu caso, o manancial aciona-se ao estar sozinha comigo.
Caramba, como eu adoro perceber as coisas!
Ana Amorim Dias
Bruxa
Que bruxa
Gosto quando me chamam "Bruxa!". Só quem me tem carinho é que tem também a coragem de me tratar assim. Como dizia o meu pai: "Yo no creo en brujas, pero que las hay, hay!" E tinha razão. Percebo agora que existem. Sou a prova disso mesmo!
Podia dizer que sou uma bruxa boazinha, daquelas que só lançam feitiços bons, mas temo ser desmentida por quem partilha o mesmo teto que eu e vê amiúde os ataques de mau feitio em que só não me monto na vassoura porque seria multada por excesso de velocidade!
Desconfio que os meus piores bruxedos são lançados sobre mim mesma. Com os outros, barafusto, barafusto, mas não os sei atingir. E a maçã envenenada sobra sempre para mim: os amuos infantis que demoram a desfazer-se; o mau génio que se apodera de todas as células do corpo; e uma irritação esmagadora, contra tudo e contra todos, faz com que não me consiga aturar a mim própria.
E de repente lembro-me do contra-feitiço: "Deixa de ser uma besta! Só estás mal disposta porque queres ó palerma!". Depois vou dormir ou escrever e saio do modo "embruxado".
Sei que todos somos as "bruxas" na nossa própria existência. Ninguém tem a capacidade de nos roubar esse papel! Como ninguém tem também a capacidade de ser a nossa Fada Protetora com a mesma eficácia que nós mesmos.
Agora deixem-me despachar que tenho que dar gás à vassoura para ir buscar uns fantásticos (quase mitológicos, quanto a mim) seres que vêm cá passar uns dias!
Ana Amorim Dias
Gosto quando me chamam "Bruxa!". Só quem me tem carinho é que tem também a coragem de me tratar assim. Como dizia o meu pai: "Yo no creo en brujas, pero que las hay, hay!" E tinha razão. Percebo agora que existem. Sou a prova disso mesmo!
Podia dizer que sou uma bruxa boazinha, daquelas que só lançam feitiços bons, mas temo ser desmentida por quem partilha o mesmo teto que eu e vê amiúde os ataques de mau feitio em que só não me monto na vassoura porque seria multada por excesso de velocidade!
Desconfio que os meus piores bruxedos são lançados sobre mim mesma. Com os outros, barafusto, barafusto, mas não os sei atingir. E a maçã envenenada sobra sempre para mim: os amuos infantis que demoram a desfazer-se; o mau génio que se apodera de todas as células do corpo; e uma irritação esmagadora, contra tudo e contra todos, faz com que não me consiga aturar a mim própria.
E de repente lembro-me do contra-feitiço: "Deixa de ser uma besta! Só estás mal disposta porque queres ó palerma!". Depois vou dormir ou escrever e saio do modo "embruxado".
Sei que todos somos as "bruxas" na nossa própria existência. Ninguém tem a capacidade de nos roubar esse papel! Como ninguém tem também a capacidade de ser a nossa Fada Protetora com a mesma eficácia que nós mesmos.
Agora deixem-me despachar que tenho que dar gás à vassoura para ir buscar uns fantásticos (quase mitológicos, quanto a mim) seres que vêm cá passar uns dias!
Ana Amorim Dias
5.7.13
A vida em saldos
A vida em saldos
Trinta. Cinquenta. Setenta por cento de desconto. E, como se de um gigante aspirador humano se tratasse, somos sugados para dentro das lojas. Apelativas. Cheirosas. Viciantes. Entramos num mundo novo que nos faz sentir bem e nos convence de excelentes oportunidades.
Já lá não ia há muito tempo mas ontem entrei em várias lojas. Circulei, olhei, toquei. E decidi fazer uma pequena lista antes de me permitir comprar algo.
Posso?
Quero?
Gosto?
Usarei?
Preciso?
Decidi só comprar algo se cada questão tivesse por resposta um "sim". Após andar quase uma hora alheada da realidade, entre roupas e sapatos, vim-me embora com a consciência de ter feito uma excelente aquisição: juízo por zero cêntimos! Se tivesse retirado da minha lista o "preciso" talvez não fosse bem assim, mas fiquei satisfeita na mesma.
Satisfeita e a pensar que a vida não tem época de saldos. Há incontáveis experiências que nem sequer se pagam ( com dinheiro, pelo menos) e que, se estivermos atentos, podemos aproveitar.
Com as vivências mudo a lista:
Posso?
Quero?
Crescerei?
Há muitas coisas que "decidimos" não poder, mas estamos redondamente enganados. Mentimos a nós mesmos dizendo "não posso" como quem conta a mais esfarrapada mentira. Nos "saldos" das vivências querer é mesmo poder. E quando queremos é porque a alma chama: porque sabe que, mesmo que a coisa dê para o torno, sairá enriquecida.
De todas as perguntas, a mais importante é "crescerei?". Sempre que percebermos que algo nos vai construir um pouco mais devemos "fechar tal negócio".
Dois exemplos muito simples: uma rápida fuga para um mergulho de mar a meio de um dia de trabalho. Se pudermos e quisermos, isso far-nos-á crescer... em boa energia, pelo menos. E um copo com os amigos? Pode dizer-se que não? Claro. Mas estamos a perder uma das melhores oportunidades de nos sentir parte de algo, de rir e rejuvenescer as células, de aliviar o stress e partilhar bons momentos. Pode ser só meia hora, mas um copo (ou café) com amigos fará para sempre parte dos saldos da vida: daqueles que podemos, queremos e nos fazem crescer em alegria interior.
Nunca pensei conseguir dizer isto sem que parecesse fútil, mas a verdade é que há mesmo saldos absolutamente imperdíveis!
Ana Amorim Dias
Trinta. Cinquenta. Setenta por cento de desconto. E, como se de um gigante aspirador humano se tratasse, somos sugados para dentro das lojas. Apelativas. Cheirosas. Viciantes. Entramos num mundo novo que nos faz sentir bem e nos convence de excelentes oportunidades.
Já lá não ia há muito tempo mas ontem entrei em várias lojas. Circulei, olhei, toquei. E decidi fazer uma pequena lista antes de me permitir comprar algo.
Posso?
Quero?
Gosto?
Usarei?
Preciso?
Decidi só comprar algo se cada questão tivesse por resposta um "sim". Após andar quase uma hora alheada da realidade, entre roupas e sapatos, vim-me embora com a consciência de ter feito uma excelente aquisição: juízo por zero cêntimos! Se tivesse retirado da minha lista o "preciso" talvez não fosse bem assim, mas fiquei satisfeita na mesma.
Satisfeita e a pensar que a vida não tem época de saldos. Há incontáveis experiências que nem sequer se pagam ( com dinheiro, pelo menos) e que, se estivermos atentos, podemos aproveitar.
Com as vivências mudo a lista:
Posso?
Quero?
Crescerei?
Há muitas coisas que "decidimos" não poder, mas estamos redondamente enganados. Mentimos a nós mesmos dizendo "não posso" como quem conta a mais esfarrapada mentira. Nos "saldos" das vivências querer é mesmo poder. E quando queremos é porque a alma chama: porque sabe que, mesmo que a coisa dê para o torno, sairá enriquecida.
De todas as perguntas, a mais importante é "crescerei?". Sempre que percebermos que algo nos vai construir um pouco mais devemos "fechar tal negócio".
Dois exemplos muito simples: uma rápida fuga para um mergulho de mar a meio de um dia de trabalho. Se pudermos e quisermos, isso far-nos-á crescer... em boa energia, pelo menos. E um copo com os amigos? Pode dizer-se que não? Claro. Mas estamos a perder uma das melhores oportunidades de nos sentir parte de algo, de rir e rejuvenescer as células, de aliviar o stress e partilhar bons momentos. Pode ser só meia hora, mas um copo (ou café) com amigos fará para sempre parte dos saldos da vida: daqueles que podemos, queremos e nos fazem crescer em alegria interior.
Nunca pensei conseguir dizer isto sem que parecesse fútil, mas a verdade é que há mesmo saldos absolutamente imperdíveis!
Ana Amorim Dias
Unicórnios
Unicórnios
Andava numa "expedição" costeira, do outro lado da fronteira, em busca de um bom "chiringuito". Queria eleger um destino simpático para daquelas fugas-relâmpago que às vezes é necessário fazer para descansar uma hora e sentir-me quase no estrangeiro.
Uns mais belos, outros menos, mas em quase todos um péssimo atendimento.
- Já viste? Isto é dar pérolas a porcos.- comentou o Ricardo, referindo-se a um restaurante bonito que estava a ser explorado por parentes próximos desses animaizitos.
- Eu vejo mais a coisa como se unicórnios tivessem vindo comer à pocilga!-
Acredito que todos temos um pouco de unicórnio em nós. Podemos até não saber, mas somos todos sensíveis, requintados, únicos, especiais e um pouco etéreos até. Todos gostamos de ser bem tratados. Todos merecemos ser atendidos com educação e simpatia. É por isso que não tenho qualquer problema em levantar-me e ir embora quando me apercebo que estou a mais por o local em questão não saber receber unicórnios.
Ana Amorim Dias
Andava numa "expedição" costeira, do outro lado da fronteira, em busca de um bom "chiringuito". Queria eleger um destino simpático para daquelas fugas-relâmpago que às vezes é necessário fazer para descansar uma hora e sentir-me quase no estrangeiro.
Uns mais belos, outros menos, mas em quase todos um péssimo atendimento.
- Já viste? Isto é dar pérolas a porcos.- comentou o Ricardo, referindo-se a um restaurante bonito que estava a ser explorado por parentes próximos desses animaizitos.
- Eu vejo mais a coisa como se unicórnios tivessem vindo comer à pocilga!-
Acredito que todos temos um pouco de unicórnio em nós. Podemos até não saber, mas somos todos sensíveis, requintados, únicos, especiais e um pouco etéreos até. Todos gostamos de ser bem tratados. Todos merecemos ser atendidos com educação e simpatia. É por isso que não tenho qualquer problema em levantar-me e ir embora quando me apercebo que estou a mais por o local em questão não saber receber unicórnios.
Ana Amorim Dias
O assombroso facto
O assombroso facto
Estava a atrofiar o meu cérebro e a esgotar a minha energia com as notícias. Aparelhos de estado semelhantes a ventoinhas de teto que só chiam e mal se mexem em noites de mórbido calor. Ineficazes, devolutos e tendo por única ação uma apatia, impotente e apatetada, que de nada serve para aplacar o gigantesco fogo que se instalou na nação.
Desvio a atenção da televisão. Divago pelo VIMEO e, providencialmente, um vídeo chama-me a atenção: "THE MOST ASTOUNDING FACT". Desanimada, penso no que poderá ser mais assombroso que o desgoverno em que estamos. E então a voz de Neil DeGrasse Tyson começa a soar. Após ser interrogado para a TIMES magazine sobre o que considera ser o facto mais assombroso do Universo, dá início à verbalização da sua opinião.
"Estrelas colapsaram e explodiram, espalhando as suas entranhas pelo espaço. Esse carbono, nitrogénio e oxigénio foram os ingredientes que formaram nuvens de gases que depois se condensaram, dando origem à geração seguinte de sistemas estelares em cujos planetas passaram a existir os ingredientes fundamentais à vida. Quando olho para o céu sei que fazemos parte do Universo, sei que estamos no Universo e, mais importante que tudo isto: sei que o Universo está em nós!"
"Olho para o espaço e não me sinto insignificante nem pequeno, pelo contrário, sinto-me enorme... Porque os meus átomos vieram daquelas estrelas! Há um sentimento de conexão e relevância: podemos sentir-nos participantes porque é isso mesmo que somos, pelo simples facto de estarmos vivos!"
Caramba! Fiquei como nova! Ao ver a vida de cima, através dos olhos dos átomos celestes que me compõem, tudo voltou à sua correta posição universal. A consciência de sermos de facto feitos de matéria celeste tem o poder de nos fazer entender a importância relativa de tudo. E, com governos ou desgovernos, a vida continua!
Ana Amorim Dias
Estava a atrofiar o meu cérebro e a esgotar a minha energia com as notícias. Aparelhos de estado semelhantes a ventoinhas de teto que só chiam e mal se mexem em noites de mórbido calor. Ineficazes, devolutos e tendo por única ação uma apatia, impotente e apatetada, que de nada serve para aplacar o gigantesco fogo que se instalou na nação.
Desvio a atenção da televisão. Divago pelo VIMEO e, providencialmente, um vídeo chama-me a atenção: "THE MOST ASTOUNDING FACT". Desanimada, penso no que poderá ser mais assombroso que o desgoverno em que estamos. E então a voz de Neil DeGrasse Tyson começa a soar. Após ser interrogado para a TIMES magazine sobre o que considera ser o facto mais assombroso do Universo, dá início à verbalização da sua opinião.
"Estrelas colapsaram e explodiram, espalhando as suas entranhas pelo espaço. Esse carbono, nitrogénio e oxigénio foram os ingredientes que formaram nuvens de gases que depois se condensaram, dando origem à geração seguinte de sistemas estelares em cujos planetas passaram a existir os ingredientes fundamentais à vida. Quando olho para o céu sei que fazemos parte do Universo, sei que estamos no Universo e, mais importante que tudo isto: sei que o Universo está em nós!"
"Olho para o espaço e não me sinto insignificante nem pequeno, pelo contrário, sinto-me enorme... Porque os meus átomos vieram daquelas estrelas! Há um sentimento de conexão e relevância: podemos sentir-nos participantes porque é isso mesmo que somos, pelo simples facto de estarmos vivos!"
Caramba! Fiquei como nova! Ao ver a vida de cima, através dos olhos dos átomos celestes que me compõem, tudo voltou à sua correta posição universal. A consciência de sermos de facto feitos de matéria celeste tem o poder de nos fazer entender a importância relativa de tudo. E, com governos ou desgovernos, a vida continua!
Ana Amorim Dias
Sou um homem do campo
Homem do campo
De repente lembrei-me que uma das atividades dele, durante o dia de férias ativas, seria o ténis.
- João!... Esqueci-me de te pôr as sapatilhas na mochila!
- Não faz mal, mãe. Estou de chinelos e agora vamos ter praia.-
- Pois, mas li no papelinho que esta tarde vais ter ténis... E agora? Não podes jogar ténis de havaianas!
- Ah bom! Claro que posso! Eu desenrasco-me, sou um homem do campo!
As gargalhadas propagaram-se dia fora. De cada vez que me lembrava do "homem" do campo, várias imagens me vinham à cabeça. Aquela vez em que me foi acordar com bigodes e uma sobrancelha cerrada; as correrias com as galinhas; o manuseamento dos bichos; as pescarias na barragem. Lembrei-me de quando o vejo, pela janela da cozinha, a passar no lombo da égua sem cela ou com o pai no trator. E depois recordei-me do dia em que, na citadina casa da minha mãe, vi o petiz muito intrigado a olhar para o buraquinho de vidro que existe na porta da rua.
- Mãe!! A porta da avó tem um buraco!!!-
Expliquei-lhe para que servia.
A criança sempre viveu numa quinta e, apesar de já ter viajado bastante e conhecer grandes metrópoles, continua a desconhecer a realidade de viver numa cidade.
Afinal qual é a diferença entre os homens da cidade e os do campo? Quanto a mim há apenas duas mesmo dignas de registo: é que, com os homens do campo, qualquer mulher se sente segura para sobreviver numa ilha deserta ou em caso de catástrofes... e, de acordo com o que constatei, os do campo auto-intitulam-se "homens" logo desde os oito anos!
Ana Amorim Dias
De repente lembrei-me que uma das atividades dele, durante o dia de férias ativas, seria o ténis.
- João!... Esqueci-me de te pôr as sapatilhas na mochila!
- Não faz mal, mãe. Estou de chinelos e agora vamos ter praia.-
- Pois, mas li no papelinho que esta tarde vais ter ténis... E agora? Não podes jogar ténis de havaianas!
- Ah bom! Claro que posso! Eu desenrasco-me, sou um homem do campo!
As gargalhadas propagaram-se dia fora. De cada vez que me lembrava do "homem" do campo, várias imagens me vinham à cabeça. Aquela vez em que me foi acordar com bigodes e uma sobrancelha cerrada; as correrias com as galinhas; o manuseamento dos bichos; as pescarias na barragem. Lembrei-me de quando o vejo, pela janela da cozinha, a passar no lombo da égua sem cela ou com o pai no trator. E depois recordei-me do dia em que, na citadina casa da minha mãe, vi o petiz muito intrigado a olhar para o buraquinho de vidro que existe na porta da rua.
- Mãe!! A porta da avó tem um buraco!!!-
Expliquei-lhe para que servia.
A criança sempre viveu numa quinta e, apesar de já ter viajado bastante e conhecer grandes metrópoles, continua a desconhecer a realidade de viver numa cidade.
Afinal qual é a diferença entre os homens da cidade e os do campo? Quanto a mim há apenas duas mesmo dignas de registo: é que, com os homens do campo, qualquer mulher se sente segura para sobreviver numa ilha deserta ou em caso de catástrofes... e, de acordo com o que constatei, os do campo auto-intitulam-se "homens" logo desde os oito anos!
Ana Amorim Dias
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