(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...

Ana Amorim Dias

11.12.11

O macaco e o pato

    Quando uma pessoa é bastante inocente e ingénua, é frequente ser apelidado  de “patinho”. Por outro lado, aos espertalhões, é costume colar-lhes o cognome de “macacos”.
E hoje ocorreu-me a questão: o  que será melhor? Ser-se “patinho” ou “macaco”? Acredito que os “patinhos” sejam tendencialmente sempre “patinhos” , o mesmo  se podendo dizer dos “macacos”.   Mas afinal quem é que se sai melhor? Os “macacos”  que,  com a sua esperteza,   conseguem os seus intentos, ou os “patinhos”, que vão navegando nos perigosos lagos da vida sem muitas vezes se aperceberem,  sequer,  que o perigo se encontra à espreita?
  Será que ao longo da vida os “patinhos” vão perdendo a inocência e se tornam “macacos”? E quantos são os patinhos com que nos cruzamos que nada mais são que macacos disfarçados?
Eu gostaria de poder dizer, como nos finais felizes das comédias românticas americanas,  que a inocência de se ser “patinho” acaba por compensar sempre…. mas acho que já tenho idade para perceber que o melhor mesmo é preservar a essência de “patinho”, mas aprender a agir à “macaco”…
Ana Dias
  

7.12.11

A gaveta


   Ontem falei com uma pessoa que me confessou  já ter rejeitado  alguns desafios. Não os aceitou, embora se sentisse aliciada, por um dos motivos que mais nos assola: o medo.
  Disse-me que não gostaria que esses projetos acabassem na gaveta. Sei que, no fim da conversa, eu lhe disse: - Experimenta escrever como se só tu existisses no Mundo; escreve para a tua alma e aposto que ela se vai surpreender com o que tens para lhe dizer…-
  E hoje esta crónica é para ti, pessoa de olhar meigo com quem ontem falei! É para ti e para todos os que ainda precisam de perceber que não há mal nenhum em deixar coisas na gaveta. Porque o simples facto de termos coisas na gaveta já implica a imensidão da conquista de as termos feito. Pode ser arte em qualquer das suas formas, pode ser caridade, pode ser qualquer coisa que tenhamos feito sem que ninguém tenha visto. Mas foi feito! E tem todo o valor que teve,  para nós, ao fazê-lo!
  Por isso, pessoa do olhar meigo, te digo: não temas o julgamento da tua obra. Diverte-te e completa-te ao criá-la e, mesmo que fique na gaveta, verás como te enobrece e enriquece. Porque todos temos, na nossa gaveta, feitos que nunca chegam a ver o sol.     E porque, às vezes, chega o dia em que as coisas voam para fora da gaveta e nos brindam com as mais agradáveis surpresas…
Ana Dias
  
 

6.12.11

Supera-te

- Não te vou dar isso nos anos… estás louca?
- Vá lá, vá lá!! E nem sequer é assim tão caro!!
- Óh pá, ganha juízo que já tens idade…
- Não! Quero fazê-lo e vou fazê-lo!
   A discussão de mim comigo surge logo após a visita a um site de Kitesurf. Ando há uns tempos tentada e  acho que está na hora. Mas,  enquanto a Ana teenager vai discutindo com a Ana adulta ( coitada, que perde quase sempre nestas coisas ) não consigo impedir-me de pensar se o quero fazer por mim, ou para afirmar alguma coisa aos outros. Tenho que confessar que é muito giro ver a cara dos amiguinhos dos meus filhos quando vêem a “cota” a fazer street surf ou outras coisas que as mães deles não fazem. E não me atrevo a negar  que o estilo de se fazer desportos radicais não seja um elemento aliciante. Mas não é por isso que gosto de descer montanhas cada vez mais inclinadas com os skis enfiados nos pés. Não é por isso que viajo sozinha para países distantes! Não é por isso que me atrevo em ondas grandes ou tomo banho na praia à noite sozinha! E também não é por isso que me proponho a  escrever um romance em menos de um mês, letras de música em cinco minutos ou criar uma revista online sem qualquer experiência na área! Não! Definitivamente não o que faço  para demonstrar aos outros que consigo. Faço-o para me superar. Para me sentir inteira, completa,  realizada, feliz.  Faço coisas que as pessoas que eu conheço não fazem, sejam homens ou mulheres. E sinto-me muito grata  por ter a capacidade de me propôr a isso. Porque não páro de me surpreender comigo… ao superar-me em cada nova “loucura”.
E, como me arrogo à função de vos instigar e inspirar, deixo-vos a questão: o que vos falta fazer? Porque não começarem ( ou retomarem)? Mas que seja por vós e não pelos outros!
Ana Dias

5.12.11

O Momento

   Volta e meia leio em qualquer lugar que não devemos ficar à espera do momento perfeito, devemos sim “pegar” no momento e torná-lo perfeito. E então penso: “ olha, olha… a quererem ensinar o pai nosso ao vigário!”
   É tão frequente sermos confrontados com clichés como o “carpe diem” ; “ a vida é demasiado curta” ; “temos que olhar para o copo meio cheio” ou “ tudo o que importa é o amor”. E, claro, são conceitos que já estão tão entranhados em nós que já  nem lhes dedicamos um segundo pensamento. Aposto que também vocês ficam,  por vezes,  enjoados com a quantidade de chavões de sabedoria com que são cilindrados constantemente. Não é para menos.
  Mas será que não há uma razão de ser para isso acontecer? Afinal há coisas que nunca é demais lembrar. Porque a verdade é que, apesar de as sabermos bem, na prática estamos sempre a esquecer!
  Fica o desafio: hoje, ao  final do dia, contem quantas vezes se lembraram de tornar algum momento perfeito…
Ana Dias
  

3.12.11

Quando o gás acaba


   Conhecem a sensação de quando o gás acaba? Num minuto estamos quentinhos e consolados e no outro estamos enregelados e com os olhos a arder, barradinhos de shampoo e gel de banho. Em duas palavras : é tramado! Mas, com ajuda de algum familiar ou envoltos no roupão de banho, a situação lá se resolve e, com sorte, completamos o banho e voltamos a ficar quentinhos e satisfeitos.
   E conhecem a sensação de quando o gás se acaba em nós? Aqueles dias / momentos / épocas  em que, sem percebermos porquê, parece que a força motriz que nos fazia avançar  se esgotou?  Com o gás que aquece a água, tudo é mais simples. Em muitos casos, como com o gás canalizado,  ele já nem chega a acabar e, mesmo para quem usa botijas, é só ir comprar mais. Mas o nosso gás interior de onde vem?  ( Por favor,  brincar com a fermentação dos alimentos  não vale, ok? Isto é um assunto sério!)  Que fazer quando a apatia se instala?  Parar os motores e aceitar a inércia de braços abertos? Continuar, mas em piloto automático? Ou partir na descoberta do que nos move??
   É que sabem… o esvaziar dos nossos tanques pode ser o momento certo para percebermos que estamos a mover-nos com o combustivel errado….
Ana Dias



2.12.11

Silêncio

- Tomás! Já viste as horas? Vai para a cama que amanhã é dia de escola!!-
Ele olha para mim muito sério. Sustenta-me o olhar e, usando toda a seriedade que costuma pôr nas suas frases mais cómicas, responde:
- Mãe… quando te calas dizes coisas maravilhosas!-
Não estava a ver aquilo a chegar e só após alguns segundos é que irrompo em gargalhadas. Pergunto-me onde terá ouvido aquilo. Ou talvez seja, criação sua, não sei.
Acaba por admitir que já são horas, dá-me um beijo e vai para a cama. E deixa-me  a pensar que, muitas vezes, é mesmo no silêncio que as coisas mais maravilhosas  se dizem…
Ana Dias  

30.11.11

A tática

  Hoje vou falar de futebol! Garanto-vos que consigo imaginar  as gargalhadas de quem me conhece, ao ler esta primeira frase. Para quem nunca sabe se os jogos são para a Taça, para a Liga ou para o Campeonato do Mundo ( saber que estas coisas existem é um mínimo de que ninguém deve abdicar…), esta pretensão de escrita pode revelar-se arriscada.  Mas como ontem escrevi sobre política, já tudo espero de mim!
  Então vamos lá, sócios… mas não riam muito alto que estou concentradíssima.
Demorei um pouco entre a última linha e esta porque tive que ir consultar o senhor Fernando, aqui do café, que me explicou que os jogadores são onze ( é o que eu pensava! ) e que o guarda-redes normalmente não entra na contagem dos esquemas do 4-4-2  ;   4-3-3  ; 5-4-1  ;  4-1-4-1, etc. Não é preciso ser muito entendida para perceber de imediato que quanto maior for o número inicial (o que está logo depois do guarda-redes) mais o jogo é defensivo e vice-versa.  E é neste momento que começo a voltar à minha zona de conforto e a escrever sobre a vida.
   Afinal como é que eu jogo? Qual é a minha tática? Será que uso,  sequer, o  guarda-redes e alguns defesas? Ou entro com tudo ao ataque? É neste ponto que se torna claro o porquê de existirem vários campeonatos e taças. Vamos supor que o campeonato nacional é a nossa tática familiar; que a liga dos campeões se refere às nossas conquistas pessoais e o campeonato do Mundo é a nossa vida em geral. Quais são as minhas táticas? Quais são as vossas táticas? Estaremos a usar a melhor? E qual é o nosso prémio de jogo? Jogamos para atingir o quê? Fama? Glória? Riqueza? Felicidade? Sabedoria? Realização?
  Eu jogo para evoluir! Jogo para tentar descobrir tudo o que o meu ser encerra! Jogo para me emocionar e para fazer nascer emoções… E não preciso de pensar muito para perceber que a tática que uso é sempre a mesma… 11! Tudo ao ataque, guarda-redes incluído!
  É verdade que a baliza me fica desprotegida e que, volta e meia, sofro golos, mas com onze ao ataque costumo ser demolidora e ganhar todas as taças, campeonatos e afins! Por isso, e como em equipa vencedora não se deve mexer, vou seguir com esta tática insana… Se começar a perder logo aceito as novas fórmulas do meu treinador interior!
Ana Dias
   
 
  

29.11.11

Um acto de fé…


   Não sei como ainda não se lembraram do óbvio: cada novo bebé  deveria contribuir com cinquenta mil euros para a nação!  Ou melhor, só teria direito a cá nascer se trouxesse logo, do útero materno, dois lingotes de ouro para entregar nos cofres do Estado.   E já agora porque não outras medidas, como exigir aos estrangeiros o pagamento de cinco ou seis mil euros para cá virem passar uns dias a levar com o sol na cara e a tirar fotografias ao mosteiro dos Jerónimos?
  Além do mais, por cada gargalhada devia ser combrada a taxa da alegria e por cada ida à casa de banho, uma contribuição por uso de papel higiénico. Quem sabe até,  fosse viável o I. R., o imposto sobre a respiração…
  Não é meu costume escrever crónicas “ de intervenção”. Gosto de me manter, observadora, a trilhar o meu caminho e a viver metida comigo e com os meus assuntos de alma e coração… mas a vontade hoje falou mais alto.
   Encontramo-nos numa situação em que já não vale  a pena procurar culpados, nem fazer greves e manifestações ou armar outras confusões.  O estado arrasado da economia não deve ter um efeito arrasador  nas vidas das gentes. Deve sim ser encarado como uma oportunidade única para ponderar (pelo menos ponderar) como tudo se poderia começar a alterar. Quantos de vós já se deram conta de que a estrutura estadual é exorbitantemente gigantesca?  Andam milhares e milhares a desgovernar os poucos milhões que somos,  neste Portugal que merecia a oportunidade de manter a casta e a nobreza que na sua essência tem.  Já pararam para pensar que a função do ser “Estado” é gerir e providenciar? É provir previdentemente!  Como se de grupo exclusivo se tratasse, cada cidadão, para poder a ele pertencer e lá “brincar”, tem deveres e correspondentes direitos. E os dirigentes desse grupo devem ter por principal bandeira, os interesses dos membros e não os seus… 
  Desculpem-me todos os políticos por não acreditar em vocês. Sei que há ( tem que haver !) alguns que ainda sentem a Missão a guiar-lhes o caminho. Mas sei também  que é quase impossível não sucumbir  ao podre modus operandi da maquinaria pesada. 
  Assim, neste período negro, tomo duas atitudes: trabalho ainda mais apaixonadamente e uno a minha fé a quem, como eu, queira acreditar que ainda haja hipótese de alguns dirigentes perceberem qual é a sua verdadeira função….
Ana Dias

28.11.11

Viver no Paraíso


  Um anjo chega até mim e pergunta: - Então? Não vamos tomar café? –
  Tenho andado constipada e, contra o que é meu costume, muito amiga do sofá e do comando da tv…
- Queres mesmo ir, não é? – Pergunto.
  E a minha mãe, que também é de irrequieta efervescência,  responde que sair um pouco me vai fazer muito bem.
  Sentamo-nos na esplanada do  “Sem Espinhas”, na praia da Retur, e pedimos os cafés. O dia brilha quase tanto como o mar que,   debaixo do sol de  Outono, reflete  uma inacreditável auto-estrada espelhada.
  Tudo é perfeito. Absolutamente tudo menos o meu nariz que insiste em pingar.  O café sabe melhor a ouvir o chill out  e a deixar-me abraçar por aquela envolvência celeste.
- Achas que alguém sabe que o paraíso é aqui? – Pergunto à minha mãe.
- Desde que tu saibas talvez os outros já não demorem muito a descobrir….-
Ana Dias

25.11.11

O prejuízo

- Mãe, eu dou-te prejuízo?-
Por sorte não ia na zona das curvas porque olhei para trás com os olhos completamente esbugalhados.  Percebi que a pergunta se prendia com o facto de lhe ter acabado de dar a semanada com a qual compra as senhas de almoço dele, do irmão, e mais um ou outro pequeno prazer.
- Claro que não dás, meu anjo! Que ideia foi essa agora? -
- É que vocês estão sempre a gastar dinheiro comigo e com o João… -
- Meu amor, um filho nunca, nunca, nunca é um prejuízo!
Numa fração de segundo veio-me à memória ter ouvido dizer que um filho custa, em média, cento e muitos mil euros até se fazer à vida…
- Eu explico Tomás: da mesma maneira que os meus pais e os pais do teu pai nos proporcionaram tudo o que puderam até nós termos capacidade para nos sustentarmos, também nós faremos o mesmo por ti e pelo teu irmão. E, quando a vossa vez chegar, também vocês o farão pelos vossos filhos, mas não é prejuízo, é uma espécie de investimento maravilhoso.
- Eu vou ter que dar dinheiro aos meus filhos?? – questionou o João com voz de quem não gostava muito do que estava a ouvir.
- Meu Deus isto não me está a acontecer às oito da manhã de segunda feira… - Pensei.
E, enquanto os meus filhos alvitravam entre si,  no banco de trás,  sobre os nomes que dariam aos seus filhos ( segundo ouvi parece que cada um está determinado a ter um casalinho), eu fiquei a sorrir… e a desejar apenas que o dinheiro que venha a criar os meus netos seja fruto de trabalhos que lhes dêm  tanta paixão e prazer como os meus me dão a mim.
Ana Dias

24.11.11

My name is Bond…

    Quem não adora o James Bond? A “personificação” do estilo, autoconfiança e adrenalina é, desde há decadas, invejado por homens e desejado por mulheres. Não importando muito que ator o representa, a criação de Ian Fleming tem gerado milhões em bilheteiras e publicidade.
   Marcas como a BMW, Visa, L’Oreal, Ericsson, Avis ou Omega, já gastaram muito por alguns segundos de exposição às mãos da deliciosa personagem, sempre com resultados excelentes. Mas nem sempre se paga para aparecer. Há coisas que valem por si e, tarde ou cedo, são lembradas. É o caso da revista para amantes da leitura, a “Literary Review”, que aparecerá no próximo filme em cima de uma qualquer secretária do apartamento da M.  Segundo li no “The Mail on Sunday”, a revista foi contactada há certa de três semanas para autorizar tal protagonismo, integralmente oferecido.
  Pode ter sido uma notícia muito pouco importante e relativa a algo muito subtil, mas deixou-me feliz. Vejo o caso como se cinema e literatura fossem “irmãos” na criatividade e arte de fazer sonhar, em que o mais mediático estende a mão ao outro… para bem da humanidade. Fiquei feliz porque é no meio de inegáveis subtilezas que se exponencia a nossa capacidade de crescer.
Ana Dias

23.11.11

Joaquina


Todos estavam atarefados no castelo. Era dia de festa. Bobos saltitavam, coloridos, animando o povo, enquanto nobres guerreiros demostravam as suas artes de guerra para mero entretenimento dos visitantes. Cheirava a carne grelhada e cevada naquele entardecer do fim do Verão. Estavamos numa das primeiras edições dos Dias Medievais de Castro Marim.
   Uma criança parou perto de alguns burros que transportam outras crianças em pequenos passeios. A criança levantou a mão e, com um à vontade surpreendente, fez festas no pacífico animal.
 - Mãe! Também quero andar… - Eu já sabia que o Tomás não faria uma birra. Nunca foi miúdo de birras. Olhei para a fila de crianças que esperavam a sua vez para o curioso passeio e respondi-lhe:
- Olha amor, estão muitos meninos à frente…-
- Mas mãe… Eu quero mesmo andar!”
- Não,  Tomás! Andas depois, em casa.  – Assim que disse estas palavras, reparei no ar espantado de algumas mães que estavam próximas.
- Adeus Joaquina! Até depois. – Disse o Tomás, dando-lhe mais um par de festas. A burra, que de burra pouco tinha, deu-lhe um sinal cúmplice de entendimento e continuou com o único trabalho que tinha, apenas quatro dias por ano.
   A Joaquina foi oferecida ao Tomás,  pelos avós paternos, por altura do seu batizado. Vivia lá na quinta na existência mais idílica que uma burra poderia desejar. Não fossem algumas pontuais altercações com as irascíveis éguas e a sua vida teria sido um conto de fadas! Havia algo naquele animal que fazia com que fosse fácil amá-lo. Lembro-me, por exemplo, que era frequente o meu pai, após perguntar ao telefone por toda a família,  querer saber também se a Joaquina estava boa!
- Manda-lhe cumprimentos meus. – Dizia-me ele em jeito de brincadeira, mas com um inegável carinho na voz.
Também recordo como ele, quando nos visitava, subtraía belas frutas à fruteira lá de casa para depois se esgueirar, sorrateiro, e ir mimar a sua amiga de quatro patas e olhar meigo.
   Lembro-me de tudo isto porque há coisas boas de lembrar. Memórias doces de momentos passados a que, por sorte, tivemos a sabedoria de dar todo o valor.
Ana Dias