(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...

Ana Amorim Dias

27.9.11

Hay besos…

    A minha relação com a música é indescritível… É impagável, imparável, arrepiante e mística… É tantas grandiosas coisas que, por muito que escreva, jamais poderei descrever! Não é à toa que  quem me vê passar por essas estradas fora  pense que sou uma tresloucada sem estribeiras, tal é a alegria e convicção com que vou cantado, de pulmões abertos e alma ao alto…
   Por isto e tantas coisas mais, sei que a música acompanhará as minhas palavras enquanto elas me sairem. Todo o que escrevo está embebido em profundo sentir; e a música é o tempero em que os meus sentimentos vão “marinando”  estes cozinhados de  (espero) saborosas palavras.
  As canções, músicas e cantigas são como amigos que me vão acompanhando vida fora. Desde as que ouvia na barriga da minha mãe, às que têm povoado a minha existência, não esquecendo todas as novas melodias e letras que, em cada  constante e exultante chegada, se vão juntando a todas as outras… como novas amigas  que passam a fazer, também,  parte deste fabuloso espólio de alegria em forma sonora.  Daí dizer, de cada vez que compro um novo cd (ou seja, constantemente!) , que fui só ali… comprar felicidade…  Como ontem, em Huelva, de onde trouxe novos amigos/ tesouros musicais!  
   E sempre que compro música sinto uma responsabilidade enorme na escolha porque, como em tudo o resto, espero e procuro “sinais”… Acho sempre que cada nova canção, que oiço pela primeira vez, talvez tenha algo para me mostrar, para me “dizer”, para se fazer sentir…  E adoro, depois , escrever sobre isso: sobre o que aprendo,  sinto ou relembro em cada nova melodia! Adoro escrever, depois, com os sentimentos ao rubro, enquanto oiço e oiço  e oiço….
   Voltando a ontem:  tinha sete ou oito cds na mão e a vontade era  de (como sempre) trazer todos, mas limitei-me a dois (afinal estamos em crise, não é?), na certeza de que o meu instinto não me iria defraudar . Prendeu-me uma música em particular: “todos somos capitanes” dos Revolver.  Ouvi vezes sem conta porque a letra me falou directamente à essência...    Mas depressa “adoptei” outra por companhia constante:  “Hay besos”, também dos Revolver…:     “… no me mientas para bien o para mal…(…)… hay besos que se dan tan por costumbre que al final ya no se sabe se son costumbre o son besos, pero los que tu me das son besos e solo besos….”
   Passei ao outro cd ( ainda se admiram por eu guiar devagar… adoro todas as viagens nestas companhias tão perfeitas…) do Huecco. No cd “assalto” encontrei uma “velha amiga” que há muito tempo não ouvia: “Mirando al cielo”.  Comecei a cantar (com a música a um volume capaz de furar os mais resistentes tímpanos) :  “… y que hago aqui,  mirando al cielo, a diez mil quilometros de tus besos…”
  Por aqui me fico , confiante no valor da partilha destas emoções feitas com o sabor do som, enquanto vou ouvindo e cantando:    ” ….mi fianza de tristeza         la pagué hace tanto tiempo      que ya no me quedan ganas      de lutchar por la razón     brindo por la lucidez      que me regalan los años     y por tantos desengaños….”
Ana Dias
  

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