A minha relação com a música é indescritível… É impagável, imparável, arrepiante e mística… É tantas grandiosas coisas que, por muito que escreva, jamais poderei descrever! Não é à toa que quem me vê passar por essas estradas fora pense que sou uma tresloucada sem estribeiras, tal é a alegria e convicção com que vou cantado, de pulmões abertos e alma ao alto…
Por isto e tantas coisas mais, sei que a música acompanhará as minhas palavras enquanto elas me sairem. Todo o que escrevo está embebido em profundo sentir; e a música é o tempero em que os meus sentimentos vão “marinando” estes cozinhados de (espero) saborosas palavras.
As canções, músicas e cantigas são como amigos que me vão acompanhando vida fora. Desde as que ouvia na barriga da minha mãe, às que têm povoado a minha existência, não esquecendo todas as novas melodias e letras que, em cada constante e exultante chegada, se vão juntando a todas as outras… como novas amigas que passam a fazer, também, parte deste fabuloso espólio de alegria em forma sonora. Daí dizer, de cada vez que compro um novo cd (ou seja, constantemente!) , que fui só ali… comprar felicidade… Como ontem, em Huelva, de onde trouxe novos amigos/ tesouros musicais!
E sempre que compro música sinto uma responsabilidade enorme na escolha porque, como em tudo o resto, espero e procuro “sinais”… Acho sempre que cada nova canção, que oiço pela primeira vez, talvez tenha algo para me mostrar, para me “dizer”, para se fazer sentir… E adoro, depois , escrever sobre isso: sobre o que aprendo, sinto ou relembro em cada nova melodia! Adoro escrever, depois, com os sentimentos ao rubro, enquanto oiço e oiço e oiço….
Voltando a ontem: tinha sete ou oito cds na mão e a vontade era de (como sempre) trazer todos, mas limitei-me a dois (afinal estamos em crise, não é?), na certeza de que o meu instinto não me iria defraudar . Prendeu-me uma música em particular: “todos somos capitanes” dos Revolver. Ouvi vezes sem conta porque a letra me falou directamente à essência... Mas depressa “adoptei” outra por companhia constante: “Hay besos”, também dos Revolver…: “… no me mientas para bien o para mal…(…)… hay besos que se dan tan por costumbre que al final ya no se sabe se son costumbre o son besos, pero los que tu me das son besos e solo besos….”
Passei ao outro cd ( ainda se admiram por eu guiar devagar… adoro todas as viagens nestas companhias tão perfeitas…) do Huecco. No cd “assalto” encontrei uma “velha amiga” que há muito tempo não ouvia: “Mirando al cielo”. Comecei a cantar (com a música a um volume capaz de furar os mais resistentes tímpanos) : “… y que hago aqui, mirando al cielo, a diez mil quilometros de tus besos…”
Por aqui me fico , confiante no valor da partilha destas emoções feitas com o sabor do som, enquanto vou ouvindo e cantando: ” ….mi fianza de tristeza la pagué hace tanto tiempo que ya no me quedan ganas de lutchar por la razón brindo por la lucidez que me regalan los años y por tantos desengaños….”
Ana Dias
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