Um botão no ombro esquerdo
- Diz lá o que é que é preciso para descobrires onde está o teu botão do bom humor?-
- Leva-me a tomar uma meia de leite e eu começo a procurá-lo... - rosnei.
As manhãs nem sempre são fáceis, especialmente antes da cafeína entrar no sistema.
Um pouco mais tarde, no café: carrego com o indicador num sinal que tenho no ombro esquerdo. - Já está! Botão da boa disposição encontrado e ativado!
O Ricardo ri-se, aliviado. O Tomás encolhe os ombros, condescendente. E o João começa a "ligar" e "desligar" o sinal do meu ombro esquerdo, aguardando as minhas reações. Alterno os sorrisos amorosos com rosnadelas enfurecidas. Todos se riem até a brincadeira se perder numa outra qualquer distração.
Fica-me o conceito a boiar nos mares da alma: e se eu conferir reais poderes ao sinal do ombro esquerdo? E se, ao sentir-me insuportável, o pressionar, ficando efetivamente bem disposta? E se todos arranjássemos um "botão" de ânimo e boa disposição a que recorrêssemos com a certeza de funcionar?
Estou certa de que está tudo à distância de um "clique"... e da decisão de que o botão funciona.
Ana Amorim Dias
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(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...
Ana Amorim Dias
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...
Ana Amorim Dias
8.9.13
lado a lado
Lado a lado
"Tens que o tentar entender, Ana! Se fosse ao contrário tu estarias preparada e aceitarias sem qualquer problema, mas sabes perfeitamente que isto lhe vai fazer muito mal! Espera um pouco mais, dá-lhe tempo..."
Ia no carro quando me chamei a mim mesma à razão. Se fosse qualquer outra pessoa a dizê-lo eu manteria o meu rumo e faria prevalecer a minha vontade. Mas como tenho o estranho hábito de me ouvir com atenção, aceitei sentar-me lado a lado comigo, e fazer negócio!
- Sempre que estiveres a negociar com alguém senta-te ao seu lado, nunca à sua frente!- disse-me, há uns meses, um dos meus heróis.
- Porquê?- perguntei-lhe.
- Sabes, Ana? O frente a frente potencia o ego, a oposição; fomenta uma hostilidade que em nada nos favorece. Pelo contrário, se te sentas lado a lado com a outra parte, consegues estabelecer uma sensação de estarem ambos do mesmo lado, desarmas, dás confiança e, com algum tato, baixas-lhe as defesas e a negociação acaba por te ser favorável.-
" Tens que ser paciente. As grandes batalhas não se ganham precipitamente. Não precisas de ir já sozinha de carro até à Croácia. Podes ir daqui a uns meses, dar-lhe mais tempo para se habituar à ideia e aceitar sem se magoar... qual é o stress?" - continuei, lado a lado comigo, em plena negociação.
" Olha que porra! Sabes bem que tenho que me sentir livre! Que tenho que ir embora quando entendo! Que me faz mal começar com cedências!"
" Às vezes és mesmo imatura... Não é perante ele que tens de fazer cedências. É perante ti que tens de estabelecer soluções de compromisso! Queres que ele fique infeliz e amargurado?"
" Não! Claro que não! Mas detesto colocar o bem estar dos outros à frente das minhas asas!!!"
" Vá lá. Trabalha essa tua impaciência, atrasa essa viagem até ele se habituar à ideia e arranja outros planos para agora, há tantas coisas que queres e podes fazer sem criar conflitos..."
- Ricardo?- assim que cheguei à quinta quis comunicar-lhe que tinha estado em negociações comigo.
- O que foi?- o ar um pouco aflito quase me fez rir.
- Lembras-te que em Outubro eu era para ir sozinha de carro até à Croácia?-
Um trejeito carrancudo.
- Pois bem, por essa altura faz uma mala. Vamos embora!-
- Para onde??-
- Não sei, vamos à aventura, logo se decide o destino!-
Abraçou-me com força enquanto me lançava um apaixonado: "Parvalhona!..."
- Mas a outra viagem não foi cancelada, só adiada.- avisei.
Aquilo que realmente queremos raramente nos é trazido de bandeja. A liberdade não se conquista à bruta, nasce também da tentativa de não ferir os outros. E a vida... bem, a vida é uma gaja muito sabida com quem convém negociar sempre lado a lado!
Ana Amorim Dias
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"Tens que o tentar entender, Ana! Se fosse ao contrário tu estarias preparada e aceitarias sem qualquer problema, mas sabes perfeitamente que isto lhe vai fazer muito mal! Espera um pouco mais, dá-lhe tempo..."
Ia no carro quando me chamei a mim mesma à razão. Se fosse qualquer outra pessoa a dizê-lo eu manteria o meu rumo e faria prevalecer a minha vontade. Mas como tenho o estranho hábito de me ouvir com atenção, aceitei sentar-me lado a lado comigo, e fazer negócio!
- Sempre que estiveres a negociar com alguém senta-te ao seu lado, nunca à sua frente!- disse-me, há uns meses, um dos meus heróis.
- Porquê?- perguntei-lhe.
- Sabes, Ana? O frente a frente potencia o ego, a oposição; fomenta uma hostilidade que em nada nos favorece. Pelo contrário, se te sentas lado a lado com a outra parte, consegues estabelecer uma sensação de estarem ambos do mesmo lado, desarmas, dás confiança e, com algum tato, baixas-lhe as defesas e a negociação acaba por te ser favorável.-
" Tens que ser paciente. As grandes batalhas não se ganham precipitamente. Não precisas de ir já sozinha de carro até à Croácia. Podes ir daqui a uns meses, dar-lhe mais tempo para se habituar à ideia e aceitar sem se magoar... qual é o stress?" - continuei, lado a lado comigo, em plena negociação.
" Olha que porra! Sabes bem que tenho que me sentir livre! Que tenho que ir embora quando entendo! Que me faz mal começar com cedências!"
" Às vezes és mesmo imatura... Não é perante ele que tens de fazer cedências. É perante ti que tens de estabelecer soluções de compromisso! Queres que ele fique infeliz e amargurado?"
" Não! Claro que não! Mas detesto colocar o bem estar dos outros à frente das minhas asas!!!"
" Vá lá. Trabalha essa tua impaciência, atrasa essa viagem até ele se habituar à ideia e arranja outros planos para agora, há tantas coisas que queres e podes fazer sem criar conflitos..."
- Ricardo?- assim que cheguei à quinta quis comunicar-lhe que tinha estado em negociações comigo.
- O que foi?- o ar um pouco aflito quase me fez rir.
- Lembras-te que em Outubro eu era para ir sozinha de carro até à Croácia?-
Um trejeito carrancudo.
- Pois bem, por essa altura faz uma mala. Vamos embora!-
- Para onde??-
- Não sei, vamos à aventura, logo se decide o destino!-
Abraçou-me com força enquanto me lançava um apaixonado: "Parvalhona!..."
- Mas a outra viagem não foi cancelada, só adiada.- avisei.
Aquilo que realmente queremos raramente nos é trazido de bandeja. A liberdade não se conquista à bruta, nasce também da tentativa de não ferir os outros. E a vida... bem, a vida é uma gaja muito sabida com quem convém negociar sempre lado a lado!
Ana Amorim Dias
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Pessoas-universo
Pessoas-Universo
Não faço ideia se o facto de se ser extrovertido ou tímido provém mais de fatores genéticos ou culturais e educacionais. Talvez dependa da conjugação de ambos. O certo é que quem é envergonhado tem muito a perder.
Desde miudita que me conheço como pessoa expansiva, capaz de meter conversa com qualquer pessoa e em qualquer situação. Mas só ao longo dos últimos anos é que me tenho apercebido da riqueza que tal característica nos pode acrescentar à vida.
Cada pessoa é um Mundo. Não! Cada pessoa é um Universo! E acredito firmemente que uma das nossas missões é ligarmo-nos uns aos outros para assim termos condições de expandir o entendimento e a sabedoria.
Reconheço a desmedida sorte de me ser natural falar com desconhecidos sem qualquer vergonha e de tentar, sempre que posso, conhecê-los um pouco melhor. A não ser assim já teria perdido muitas centenas de enriquecimentos que esses novos universos me trazem...
Os senhores do norte que assavam porcos no espeto e me contaram a vida toda enquanto me ofereciam os melhores pedaços de carne; o irmão de um noivo que ensina cegos do Nepal a dar massagens para terem como se sustentar; o mecânico sobrevivente com quem tenho conversas profundas; a "vizinha" do lado, numa feira medieval, que é caracterizadora e vai sozinha para a Costa Rica... E poderia continuar durante muitos parágrafos com a lista de encantadoras personagens da vida real que vou conhecendo a um alucinante ritmo.
Sei que temos muito a aprender uns com os outros e, no meu caso em particular, sei identificar de imediato quem, ao chegar à minha vida, vem com ensinamentos novos. Contudo, mais importante do que estar consciente desse facto, é saber que todas as pessoas-universo que chegam à nossa vida, vêm com a tarefa de nos ensinar algo mais sobre nós mesmos. E vice-versa, claro!
Ana Amorim Dias
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Não faço ideia se o facto de se ser extrovertido ou tímido provém mais de fatores genéticos ou culturais e educacionais. Talvez dependa da conjugação de ambos. O certo é que quem é envergonhado tem muito a perder.
Desde miudita que me conheço como pessoa expansiva, capaz de meter conversa com qualquer pessoa e em qualquer situação. Mas só ao longo dos últimos anos é que me tenho apercebido da riqueza que tal característica nos pode acrescentar à vida.
Cada pessoa é um Mundo. Não! Cada pessoa é um Universo! E acredito firmemente que uma das nossas missões é ligarmo-nos uns aos outros para assim termos condições de expandir o entendimento e a sabedoria.
Reconheço a desmedida sorte de me ser natural falar com desconhecidos sem qualquer vergonha e de tentar, sempre que posso, conhecê-los um pouco melhor. A não ser assim já teria perdido muitas centenas de enriquecimentos que esses novos universos me trazem...
Os senhores do norte que assavam porcos no espeto e me contaram a vida toda enquanto me ofereciam os melhores pedaços de carne; o irmão de um noivo que ensina cegos do Nepal a dar massagens para terem como se sustentar; o mecânico sobrevivente com quem tenho conversas profundas; a "vizinha" do lado, numa feira medieval, que é caracterizadora e vai sozinha para a Costa Rica... E poderia continuar durante muitos parágrafos com a lista de encantadoras personagens da vida real que vou conhecendo a um alucinante ritmo.
Sei que temos muito a aprender uns com os outros e, no meu caso em particular, sei identificar de imediato quem, ao chegar à minha vida, vem com ensinamentos novos. Contudo, mais importante do que estar consciente desse facto, é saber que todas as pessoas-universo que chegam à nossa vida, vêm com a tarefa de nos ensinar algo mais sobre nós mesmos. E vice-versa, claro!
Ana Amorim Dias
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Zambujeira do Mar
Zambujeira do Mar. Duas horas na água a fazer bobyboard. A meio da odisseia, um pequeno anjo faz-me completamente feliz:
- A senhora é professora disto? - pergunta-me o desconhecido puto.
- Não! porquê?- contraponho, espantada.
- É que faz tão bem!-
Não consigo evitar: passo o resto da manhã a sentir-me uma verdadeira Neptuna!
Ana Amorim Dias
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- A senhora é professora disto? - pergunta-me o desconhecido puto.
- Não! porquê?- contraponho, espantada.
- É que faz tão bem!-
Não consigo evitar: passo o resto da manhã a sentir-me uma verdadeira Neptuna!
Ana Amorim Dias
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Pergunto-me
Pergunto-me...
Pergunto-me quantas pessoas precisam de mudar as suas vidas. Quantas pessoas passam os dias, os meses e os anos a protelar decisões de fundo por falta de coragem? Quantas pessoas não gostam do que fazem? Quantas estão acomodadas em relacionamentos sem futuro nem sentido ou emoção por puro medo de ficarem sós? Quantas têm uma vida medíocre e adormecida, ganhando menos do que poderiam ou perdendo os seus talentos por falta de "oportunidades"?
Digam lá, se souberem, quantas pessoas conhecem que acordam para cada novo dia sem qualquer entusiasmo, apenas para se arrastarem em piloto automático até à hora de adormecer de novo? Quantas dormem mal? Quantas vivem no receio de não ter como pagar a próxima renda e conta da luz?
Por vezes é preciso mudar. Mudar tudo. Virar a vida ao avesso. Minimalizar em absoluto. Perder quase tudo. Viver com quase nada. Por vezes é necessário rasgar padrões, perder estatutos, desligar o botão do "o que é que vão pensar?" e ir viver com os pais ou com os tios ou vinte patamares abaixo do era habitual. Por vezes é preciso ir embora, ficar longe de quem mais se ama, para ter como voltar. E recomeçar.
Viver dá medo. Um medo do caraças. Mas surgem épocas em que, para se poder viver aos comandos da vida, é preciso encontrar a coragem de virar tudo ao contrário, quebrar as estruturas e começar de novo. Do zero. Ou quase.
Ana Amorim Dias
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Pergunto-me quantas pessoas precisam de mudar as suas vidas. Quantas pessoas passam os dias, os meses e os anos a protelar decisões de fundo por falta de coragem? Quantas pessoas não gostam do que fazem? Quantas estão acomodadas em relacionamentos sem futuro nem sentido ou emoção por puro medo de ficarem sós? Quantas têm uma vida medíocre e adormecida, ganhando menos do que poderiam ou perdendo os seus talentos por falta de "oportunidades"?
Digam lá, se souberem, quantas pessoas conhecem que acordam para cada novo dia sem qualquer entusiasmo, apenas para se arrastarem em piloto automático até à hora de adormecer de novo? Quantas dormem mal? Quantas vivem no receio de não ter como pagar a próxima renda e conta da luz?
Por vezes é preciso mudar. Mudar tudo. Virar a vida ao avesso. Minimalizar em absoluto. Perder quase tudo. Viver com quase nada. Por vezes é necessário rasgar padrões, perder estatutos, desligar o botão do "o que é que vão pensar?" e ir viver com os pais ou com os tios ou vinte patamares abaixo do era habitual. Por vezes é preciso ir embora, ficar longe de quem mais se ama, para ter como voltar. E recomeçar.
Viver dá medo. Um medo do caraças. Mas surgem épocas em que, para se poder viver aos comandos da vida, é preciso encontrar a coragem de virar tudo ao contrário, quebrar as estruturas e começar de novo. Do zero. Ou quase.
Ana Amorim Dias
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Verão de 2036
Verão de 2036
Numa qualquer praia da Europa...
- Conte-nos como tudo começou.-
- Então... Deixe ver... Começou num centro comercial!-
- Num centro comercial?!?-
- Sim, eu estava a passar e vi a prancha. Ela olhou para mim, eu olhei para ela e meia hora depois estávamos as duas nas ondas. Foi assim que tudo começou.-
- O que sente ao sagrar-se campeã europeia de surf dos super séniores?-
- Bem... Estaria mais feliz com um Nobelzito da literatura... Mas isto também sabe bem.-
De volta à realidade do agora: uma hora no mar com a minha primeira prancha de surf. Já me equilibro deitada e sentada. Já a consigo virar e deslocar para onde quero... Já é alguma coisa. A humildade de aceitar fazer "figuras de urso" é pródiga de ensinamentos e proporciona experiências imperdíveis. O mar tem essa faculdade magnífica de nos "reduzir" à ausência de estatutos. Ali não sou a advogada rebelde, nem a organizadora de eventos mandona. Não sou a escritora impulsiva, a autodidata exigente nem a barmaid de serviço. Não sou mãe nem filha nem mulher. Sou eu, apenas eu, sem mais nada. O mar tem essa faculdade única de nos aumentar até à explosão de ligação ao Universo inteiro e de nos fazer responder à tal questão do "quantos anos terias se não soubesses quantos anos tens?" A resposta, lá no mar, é sempre a mesma: "tenho a idade da alma que habita este corpo salgado... que não sei quantos anos tem!"
Nota: aceitam-se lições de surf nos comentários.
Ana Amorim Dias
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Numa qualquer praia da Europa...
- Conte-nos como tudo começou.-
- Então... Deixe ver... Começou num centro comercial!-
- Num centro comercial?!?-
- Sim, eu estava a passar e vi a prancha. Ela olhou para mim, eu olhei para ela e meia hora depois estávamos as duas nas ondas. Foi assim que tudo começou.-
- O que sente ao sagrar-se campeã europeia de surf dos super séniores?-
- Bem... Estaria mais feliz com um Nobelzito da literatura... Mas isto também sabe bem.-
De volta à realidade do agora: uma hora no mar com a minha primeira prancha de surf. Já me equilibro deitada e sentada. Já a consigo virar e deslocar para onde quero... Já é alguma coisa. A humildade de aceitar fazer "figuras de urso" é pródiga de ensinamentos e proporciona experiências imperdíveis. O mar tem essa faculdade magnífica de nos "reduzir" à ausência de estatutos. Ali não sou a advogada rebelde, nem a organizadora de eventos mandona. Não sou a escritora impulsiva, a autodidata exigente nem a barmaid de serviço. Não sou mãe nem filha nem mulher. Sou eu, apenas eu, sem mais nada. O mar tem essa faculdade única de nos aumentar até à explosão de ligação ao Universo inteiro e de nos fazer responder à tal questão do "quantos anos terias se não soubesses quantos anos tens?" A resposta, lá no mar, é sempre a mesma: "tenho a idade da alma que habita este corpo salgado... que não sei quantos anos tem!"
Nota: aceitam-se lições de surf nos comentários.
Ana Amorim Dias
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Novas éticas
Novas éticas
Costumava adorar as festanças. Não é que já não goste, entenda-se, mas nos dias que correm acho que qualquer pessoa minimamente zelosa da sua imagem tem que pensar cinco vezes antes de ir a jantaradas e saídas de grupo com facebookaólicos. Não aprecio particularmente a publicação constante de fotografias de tudo o que se come, faz e vive ao longo de todas as horas dos dias, mas isso é lá com cada um. O verdadeiro problema surge-me quando decido socializar menos por não querer perder o controle daquilo que é publicado sobre mim. E quando opto por ir acabo por me esquivar bastante às fotografias tiradas com dispositivos alheios, cuja futura utilização não posso controlar.
Nunca aqui proibi a utilização das imagens e textos que publico. Assumo todas as fotografias e todas as palavras. No entanto creio que cada um de nós tem o direito de escolher o que sobre si é publicamente exposto.
- Não quero que publiquem qualquer fotografia minha a menos que me mostrem primeiro e eu esteja de acordo, está bem?- costumo pedir sem rodeios, logo à chegada. Depois, é claro, fico fula e descomponho quem usa a minha imagem sem acatar o que pedi.
Afinal somos ou não donos e senhores da nossa imagem? Com que direito é que se torna pública, a torto e a direito, a imagem alheia? Custará assim tanto ter o cuidado de pedir licença para expor eternamente ao mundo inteiro algo que não é nosso para disponibilizar tão levianamente? Creio que não custa nada tentar refrear um pouco a sofreguidão de protagonismo e começar a pensar mais nas regras de ética e boa educação que as novas realidades virtuais implicam.
Ana Amorim Dias
Costumava adorar as festanças. Não é que já não goste, entenda-se, mas nos dias que correm acho que qualquer pessoa minimamente zelosa da sua imagem tem que pensar cinco vezes antes de ir a jantaradas e saídas de grupo com facebookaólicos. Não aprecio particularmente a publicação constante de fotografias de tudo o que se come, faz e vive ao longo de todas as horas dos dias, mas isso é lá com cada um. O verdadeiro problema surge-me quando decido socializar menos por não querer perder o controle daquilo que é publicado sobre mim. E quando opto por ir acabo por me esquivar bastante às fotografias tiradas com dispositivos alheios, cuja futura utilização não posso controlar.
Nunca aqui proibi a utilização das imagens e textos que publico. Assumo todas as fotografias e todas as palavras. No entanto creio que cada um de nós tem o direito de escolher o que sobre si é publicamente exposto.
- Não quero que publiquem qualquer fotografia minha a menos que me mostrem primeiro e eu esteja de acordo, está bem?- costumo pedir sem rodeios, logo à chegada. Depois, é claro, fico fula e descomponho quem usa a minha imagem sem acatar o que pedi.
Afinal somos ou não donos e senhores da nossa imagem? Com que direito é que se torna pública, a torto e a direito, a imagem alheia? Custará assim tanto ter o cuidado de pedir licença para expor eternamente ao mundo inteiro algo que não é nosso para disponibilizar tão levianamente? Creio que não custa nada tentar refrear um pouco a sofreguidão de protagonismo e começar a pensar mais nas regras de ética e boa educação que as novas realidades virtuais implicam.
Ana Amorim Dias
2.9.13
'Bora que eu vou-vos ganhar!
'Bora que eu vou-vos ganhar!
- André! André!!-
E o puto nada.
- André! Anda mais para aqui!-
O pai bem lhe gritava, meio aflito, para que se aproximasse mais da areia, mas o miúdo só queria estar com água pelo peito, onde já se apanhavam bem as ondas.
Olhei para aquele quadro pai/filho e comparei-o com o quadro pais/filhos que eu estava a protagonizar com a minha pequena tribo. Eu e o Ricardo com o Tomás e o João. Várias pranchas. Ondas fantásticas e uma temperatura de mar que nos permitiu estar três horas seguidas dentro dele.
Olhei para o pai do André que, já com uma considerável irritação, (como é possível estar-se irritado ao pé do mar?) insistia em chamar pelo André, que não lhe ligava nenhuma. E olhei para os meus filhos, felizes e seguros, a divertirem-se como loucos enquanto apanhavam ondas e competiam com o pai e com a mãe.
Não conheço o André de lado nenhum, e o pai muito menos, mas não hesitei em mandar ao puto um daqueles sorrisos que inspiram a mais rebeldia. Não sei se o garoto sentiu que enquanto nós estivéssemos por perto ele estaria em segurança, o certo é que foi deslizando nas ondas, a fazer ouvidos moucos ao pai.
Só desisti do mar quando os meus descendentes não aguentavam mais. O que acho que nunca vou desistir é de os acompanhar nas atividades que mais gostam enquanto a minha participação os fizer assim felizes. É bom acompanhá-los de bicicleta, saber dar-lhes as dicas no ski, discutir táticas de street surf (para quem não saiba, é o skate de duas rodas) e gritar para levantarem bem a frente da prancha de bodyboard para não se enrolarem nas ondas. É bom experimentar o surf com eles e, quem sabe, virmos a guiar cada um a sua mota. O que eu não vou querer nunca é demitir-me de viver, gritando para que voltem e não vivam eles também o que a vida tem de mais divertido e intenso. Não, decididamente não vou desistir de experimentar vivências para assim podermos divertir-nos todos juntos. Não vou desistir de lhes ensinar, de aprender com eles e nem de partilhar tantos momentos incríveis.
Só espero saber manter sempre o espírito de lhes continuar a dizer:
- Tomás! João! 'Bora, que eu vou-vos ganhar!!-
Ana Amorim Dias
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- André! André!!-
E o puto nada.
- André! Anda mais para aqui!-
O pai bem lhe gritava, meio aflito, para que se aproximasse mais da areia, mas o miúdo só queria estar com água pelo peito, onde já se apanhavam bem as ondas.
Olhei para aquele quadro pai/filho e comparei-o com o quadro pais/filhos que eu estava a protagonizar com a minha pequena tribo. Eu e o Ricardo com o Tomás e o João. Várias pranchas. Ondas fantásticas e uma temperatura de mar que nos permitiu estar três horas seguidas dentro dele.
Olhei para o pai do André que, já com uma considerável irritação, (como é possível estar-se irritado ao pé do mar?) insistia em chamar pelo André, que não lhe ligava nenhuma. E olhei para os meus filhos, felizes e seguros, a divertirem-se como loucos enquanto apanhavam ondas e competiam com o pai e com a mãe.
Não conheço o André de lado nenhum, e o pai muito menos, mas não hesitei em mandar ao puto um daqueles sorrisos que inspiram a mais rebeldia. Não sei se o garoto sentiu que enquanto nós estivéssemos por perto ele estaria em segurança, o certo é que foi deslizando nas ondas, a fazer ouvidos moucos ao pai.
Só desisti do mar quando os meus descendentes não aguentavam mais. O que acho que nunca vou desistir é de os acompanhar nas atividades que mais gostam enquanto a minha participação os fizer assim felizes. É bom acompanhá-los de bicicleta, saber dar-lhes as dicas no ski, discutir táticas de street surf (para quem não saiba, é o skate de duas rodas) e gritar para levantarem bem a frente da prancha de bodyboard para não se enrolarem nas ondas. É bom experimentar o surf com eles e, quem sabe, virmos a guiar cada um a sua mota. O que eu não vou querer nunca é demitir-me de viver, gritando para que voltem e não vivam eles também o que a vida tem de mais divertido e intenso. Não, decididamente não vou desistir de experimentar vivências para assim podermos divertir-nos todos juntos. Não vou desistir de lhes ensinar, de aprender com eles e nem de partilhar tantos momentos incríveis.
Só espero saber manter sempre o espírito de lhes continuar a dizer:
- Tomás! João! 'Bora, que eu vou-vos ganhar!!-
Ana Amorim Dias
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O complot
O complot
Às vezes fico com a impressão de que existe um complot inter-galáctico (ou de qualquer outro tipo) determinado a fazer com que a parte mais negra dos Homens se exponencie.
Não nos estou a tirar as culpas da mesquinhez, avareza, violência e raivas, transferindo-as para quaisquer outras entidades, energias ou organizações. Também não tenho a mínima veleidade de nos desresponsabilizar pela mais bárbara inércia de que podemos ser capazes: demitirmo-nos de pensar!
Tenho a vaga ideia (ou talvez o insano sonho?) de que, ativando o pensamento com uma seriedade consciente, se ativariam também todos os nobres sentimentos que correspondem à nossa verdadeira essência.
Imaginem um Mundo em que todas as pessoas ganhassem o hábito de pensar: todos entenderiam (porque é lógico) que o ódio só se detém com amor; que o perdão sincero é o único caminho para solucionar conflitos; que ganância gera perda e que a posse é uma ilusão. Se pensassem, as pessoas entenderiam que nada tem muita importância; que não há motivos para ter medo; e que a única lei que realmente é válida é a do amor. Se todas as pessoas pensassem com o cérebro inteiro sobre meia dúzia de coisas, isso faria com que o seu entendimento dos outros, da vida e de si mesmos fosse o verdadeiro.
Não sei se o tal complot existe ou não, mas estou segura de que, no momento em que a humanidade inteira se atrever a pensar, o salto evolutivo será assombroso.
Ana Amorim Dias
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Às vezes fico com a impressão de que existe um complot inter-galáctico (ou de qualquer outro tipo) determinado a fazer com que a parte mais negra dos Homens se exponencie.
Não nos estou a tirar as culpas da mesquinhez, avareza, violência e raivas, transferindo-as para quaisquer outras entidades, energias ou organizações. Também não tenho a mínima veleidade de nos desresponsabilizar pela mais bárbara inércia de que podemos ser capazes: demitirmo-nos de pensar!
Tenho a vaga ideia (ou talvez o insano sonho?) de que, ativando o pensamento com uma seriedade consciente, se ativariam também todos os nobres sentimentos que correspondem à nossa verdadeira essência.
Imaginem um Mundo em que todas as pessoas ganhassem o hábito de pensar: todos entenderiam (porque é lógico) que o ódio só se detém com amor; que o perdão sincero é o único caminho para solucionar conflitos; que ganância gera perda e que a posse é uma ilusão. Se pensassem, as pessoas entenderiam que nada tem muita importância; que não há motivos para ter medo; e que a única lei que realmente é válida é a do amor. Se todas as pessoas pensassem com o cérebro inteiro sobre meia dúzia de coisas, isso faria com que o seu entendimento dos outros, da vida e de si mesmos fosse o verdadeiro.
Não sei se o tal complot existe ou não, mas estou segura de que, no momento em que a humanidade inteira se atrever a pensar, o salto evolutivo será assombroso.
Ana Amorim Dias
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Posso deitar-me contigo?
- Posso deitar-me contigo?-
- Claro que sim, meu amor!- como conseguiria resistir àquela vozinha doce e olhar amedrontado? - Vá, mas toca a dormir!
Alguns minutos de silêncio.
- Mãe? Que barulho foi este?-
- Os gatos.-
- Não, mãe! Estas pancadinhas, não ouviste?-
- Sei lá, deve ser o teu irmão no quarto dele.-
Fiquei incomodada por senti-lo com medo. Impôs-se uma pequena conversa.
- Óh João, tu sentes que eu tenho medo?-
- Não! Tu não tens medo!-
- Então porque é que tu tens medo? Não te sentes seguro ao pé de mim? Não sabes que aqui ninguém te faz mal? -
- Sim, eu sei... Mas às vezes tenho sonhos maus...-
- Ohh, meu bébé!- abri um abraço e aconcheguei-o bem junto ao meu peito.-
- Tens razão, agora ninguém me faz mal, isso era "entigamente", não é?-
- Sim, meu anjo. Isso era "entigamente"...
Adormeceu num instante, e eu fiquei a vê-lo dormir no meu abraço enquanto pensava em todos os mistérios da(s) vida(s).
Ana Amorim Dias
- Claro que sim, meu amor!- como conseguiria resistir àquela vozinha doce e olhar amedrontado? - Vá, mas toca a dormir!
Alguns minutos de silêncio.
- Mãe? Que barulho foi este?-
- Os gatos.-
- Não, mãe! Estas pancadinhas, não ouviste?-
- Sei lá, deve ser o teu irmão no quarto dele.-
Fiquei incomodada por senti-lo com medo. Impôs-se uma pequena conversa.
- Óh João, tu sentes que eu tenho medo?-
- Não! Tu não tens medo!-
- Então porque é que tu tens medo? Não te sentes seguro ao pé de mim? Não sabes que aqui ninguém te faz mal? -
- Sim, eu sei... Mas às vezes tenho sonhos maus...-
- Ohh, meu bébé!- abri um abraço e aconcheguei-o bem junto ao meu peito.-
- Tens razão, agora ninguém me faz mal, isso era "entigamente", não é?-
- Sim, meu anjo. Isso era "entigamente"...
Adormeceu num instante, e eu fiquei a vê-lo dormir no meu abraço enquanto pensava em todos os mistérios da(s) vida(s).
Ana Amorim Dias
Comoventes angústias
Comoventes angústias
Eu estava deitada na cama, com a atenção no iPad, quando ela entrou. Percebi de imediato que alguma coisa não estava bem.
- O que tens?-
- Uma angústia... -
- Conta.- endireitei-me um pouco e dediquei toda a atenção a esta amiga de há tantos anos.
Narrou-me que tinha acabado de ver uma pessoa com quem deixou de se dar e que a expressão corporal dessa pessoa tinha sido a de: "Estou aqui, pronta para falar contigo se tu falares comigo..."
- E então?- quis eu saber.
- Não consegui. Não fui falar com ela.- respondeu-me.
- ...E agora sentes-te mal contigo mesma, é isso?-
Sou uma eterna apaixonada pelo Ser Humano. As pessoas, de todos os credos, cores, géneros, idades, raças (e por aí fora) atraem-me os pensamentos, ativam-me a curiosidade e propulsionam-me os sentimentos. A necessidade de escrever transforma-se quase em compulsão quando entro no campo da infinitude de nuances da humanidade. E o que mais me atrai é a capacidade que o Homem tem de me comover e emocionar com milhares de intrigantes manifestações da sua complexa composição interior.
- Sim, não fiquei bem comigo... Estou com uma angústia enorme.- confessou-me.
O meu sorriso condescendente e feliz confundiu-a. Apesar mais nova, fui tão maternal e apaziguadora quanto sempre consigo ser quando as situações assim exigem.
- Mas tu estás a rir-te de quê? -
- Oh querida... Não percebes? A tua angústia é uma coisa maravilhosa: é a garantia de que estás pronta e que na próxima oportunidade serás capaz de falar com essa pessoa!-
- Sim. Vou falar, podes estar certa!-
Sou apaixonada pelo fabuloso Ser Humano. Serei sempre. Não pelas pessoas irrepreensíveis e imaculadamente corretas, mas por todas as que deixam fermentar em si as angústias que lhes permitem perdoar e evoluir. Não me sinto atraída por quem não tem dúvidas e cumpre todas as regras, mas não sei resistir a quem é espontâneo, impulsivo e vive a constante guerra interior de tentar ser melhor.
Talvez a angústia da minha amiga se tenha esbatido. Mas querem saber a verdade? Espero que não. Espero que se tenha ativado ao ponto de procurar ela mesma a tal pessoa para tomarem um café e darem o mais carinhoso abraço.
Ana Amorim Dias
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Eu estava deitada na cama, com a atenção no iPad, quando ela entrou. Percebi de imediato que alguma coisa não estava bem.
- O que tens?-
- Uma angústia... -
- Conta.- endireitei-me um pouco e dediquei toda a atenção a esta amiga de há tantos anos.
Narrou-me que tinha acabado de ver uma pessoa com quem deixou de se dar e que a expressão corporal dessa pessoa tinha sido a de: "Estou aqui, pronta para falar contigo se tu falares comigo..."
- E então?- quis eu saber.
- Não consegui. Não fui falar com ela.- respondeu-me.
- ...E agora sentes-te mal contigo mesma, é isso?-
Sou uma eterna apaixonada pelo Ser Humano. As pessoas, de todos os credos, cores, géneros, idades, raças (e por aí fora) atraem-me os pensamentos, ativam-me a curiosidade e propulsionam-me os sentimentos. A necessidade de escrever transforma-se quase em compulsão quando entro no campo da infinitude de nuances da humanidade. E o que mais me atrai é a capacidade que o Homem tem de me comover e emocionar com milhares de intrigantes manifestações da sua complexa composição interior.
- Sim, não fiquei bem comigo... Estou com uma angústia enorme.- confessou-me.
O meu sorriso condescendente e feliz confundiu-a. Apesar mais nova, fui tão maternal e apaziguadora quanto sempre consigo ser quando as situações assim exigem.
- Mas tu estás a rir-te de quê? -
- Oh querida... Não percebes? A tua angústia é uma coisa maravilhosa: é a garantia de que estás pronta e que na próxima oportunidade serás capaz de falar com essa pessoa!-
- Sim. Vou falar, podes estar certa!-
Sou apaixonada pelo fabuloso Ser Humano. Serei sempre. Não pelas pessoas irrepreensíveis e imaculadamente corretas, mas por todas as que deixam fermentar em si as angústias que lhes permitem perdoar e evoluir. Não me sinto atraída por quem não tem dúvidas e cumpre todas as regras, mas não sei resistir a quem é espontâneo, impulsivo e vive a constante guerra interior de tentar ser melhor.
Talvez a angústia da minha amiga se tenha esbatido. Mas querem saber a verdade? Espero que não. Espero que se tenha ativado ao ponto de procurar ela mesma a tal pessoa para tomarem um café e darem o mais carinhoso abraço.
Ana Amorim Dias
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Como se
Respira como se cada inspiração fosse eterna.
Sorri como se o teu rosto refletisse a mais completa alegria.
Ouve como se tudo fosse encantadora música.
Cheira como se tivesses o mais apurado faro.
Saboreia como se cada garfada te saciasse para sempre.
Fala como se a tua voz transportasse a sabedoria do universo inteiro.
Move-te como se o teu corpo planasse sobre paisagens incríveis.
Caminha como se fosses para uma festa no Olimpo.
Pensa como se todos os cérebros estivessem ligados ao teu.
Sente integralmente como se tudo aceitasses.
Quem ousa agir, pensar e sentir assim, acaba por descobrir alquimias inimagináveis.
Atreve-te a tentar
Ana Amorim Dias
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Enviado via iPad
Sorri como se o teu rosto refletisse a mais completa alegria.
Ouve como se tudo fosse encantadora música.
Cheira como se tivesses o mais apurado faro.
Saboreia como se cada garfada te saciasse para sempre.
Fala como se a tua voz transportasse a sabedoria do universo inteiro.
Move-te como se o teu corpo planasse sobre paisagens incríveis.
Caminha como se fosses para uma festa no Olimpo.
Pensa como se todos os cérebros estivessem ligados ao teu.
Sente integralmente como se tudo aceitasses.
Quem ousa agir, pensar e sentir assim, acaba por descobrir alquimias inimagináveis.
Atreve-te a tentar
Ana Amorim Dias
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