(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...

Ana Amorim Dias

10.1.12

No dorso da vida


     A forma como as cavaleiras de antigamente montavam  os cavalos de lado,  sempre me fez uma confusão enorme.  Manter o equilíbrio em cima daqueles  dorsos altos e, simultaneamente, controlar os animais para fazerem o que queremos já é suficientemente difícil para ainda se ter de aumentar o grau de dificuldade com fórmulas  circenses. E porque montavam de lado, as mulheres? Por decoro? Para impedir a masculinização do “sexo fraco”, que se pretendia frágil e puro?...
  Nos dias que correm as mulheres já não montam de lado. Montam sentadas na sela da forma que a leis da anatomia, ergonomia e equilíbrio mandam. Qualquer mulher que o queira consegue fazê-lo: montar como um homem e, ainda assim, fazê-lo com toda a feminilidade e graça com que o tal par de cromossomas a brindou.
  E esta reflexão leva-me a outros atos. Há três indícios de atitude que me despertam a consideração por qualquer ser humano que os execute com constância: a sustentação do olhar;  o aperto de mão firme e a verticalidade na postura. Mas ainda os aprecio mais no género a que pertenço.
Uma mulher que caminha direita e se senta com postura; uma mulher que fala com as pessoas olhos nos olhos e que é capaz de um aperto de mão firme e seguro, reúne, à partida, os requisitos para ser uma grande senhora, uma grande pessoa! Cada vez mais me convenço que não é por fazermos coisas másculas que perdemos a feminilidade. É por as fazermos com hombridade e retidão que essas coisas  têm, em nós, um maior  valor e beleza.
Ana Dias

9.1.12

Factos


   Um dos professores que tive nas aulas de estágio repetia muitas vezes uma frase que consistia mais ou menos no seguinte:
- Por mais que o anos vos tragam o traquejo de estar na barra a divagar sobre a beleza das mulheres e os maravilhosos aromas da Primavera, o que vai importar sempre, espero que nunca o esqueçam, são os factos! –
E depois repetia, como que para nos hipnotizar:
- Factos, factos, factos!
De vez em quando lembro-me disto porque, por mais que em tribunal tudo o que importa sejam os factos (provados, claro está), nas demais circunstâncias da vida nem sempre são os factos que ditam as nossas sentenças.
E lembro-me de uma parte da vida, em particular, na qual os  acórdãos pouco ou nada se devem basear em factos. No amor os factos provados de nada servem. No amor apenas vale o sentimento. Parece-me claro que, no amor, quando deixamos que os factos ditem o veredito, ele sucumbe à razão e deixa de existir…
Ana Dias


8.1.12

Amigas


  Ele olhou para mim com um ar que não conseguia esconder o espanto. Não estava, provavelmente, à espera de me ouvir dizer aquilo. E eu continuava a tentar explicar-lhe qual de nós dois estaria na vida dela para sempre.
- Porque hoje és tu o homem que ela ama, mas amanhã poderás não ser… - Continuei, enquanto ele se contorcia levemente no seu desconforto.
- …Eu sei… - Respondeu-me.
- Sabes, quando eu estou triste, nos meus momentos de fraqueza e desespero, lembro-me das quatro mulheres da minha vida e um sorriso triunfante volta a invadir-me o rosto. Sinto o amor delas mesmo sem as ver ou ouvir. É uma espécie de ritual mágico que me devolve a consciência de que há um pequeno e poderosíssimo grupo de pessoas que me vão amar incondicionalmente até ao fim dos tempos.
- Eu não tenho isso… - comentou ele, com alguma tristeza no olhar.
- É por isso que te digo que, esteja ela com quem estiver e  faça o que fizer, há uma riqueza suprema  que a faz ser tão poderosa: sabe que tem quem a vá apoiar sempre em cada escolha e atitude… mesmo que não seja a mais correta. Ela, como eu, tem uma fortaleza para onde poderá sempre ir para se protejer e restabelecer das tempestades da vida… e essa fortaleza, são as verdadeiras amigas!
  Sei que este homem, cuja estrutura provavelmente abalei com tão sentidas palavras, é merecedor do amor da minha amiga. Afinal é um corajoso guerreiro que mantém “batalhas” diárias para ser feliz ao lado de uma mulher que de fácil trato pouco tem. Mas é bom que todos os homens saibam que qualquer mulher que tenha uma verdadeira amiga, supera tudo na vida!
Ana Dias

6.1.12

No banco de trás

   Há coisas  que às vezes ouvimos e nos marcam.  Coisas banais que, à partida, se poderiam apagar em nós,  mas acabam por ficar cá dentro e vir à superfície meses ou anos mais tarde.
  Poderão pensar que estou a falar de  palavras menos boas, ditas com más intenções, mas não é, de todo, o caso.  Refiro-me a palavras e conversas mesmo banais. Mas deixem-me explicar dois casos.
  Uma amiga, com dois filhos um pouco mais velhos que os meus, disse-me, já há anos,  que adorava ouvir as conversas que os seus rebentos tinham, entre si, no banco de trás do carro. Recordo constantemente a efusividade com que o disse porque também eu me tenho divertido imenso ( e aprendido muito ) com as conversas que o João e o Tomás têm tido  no dito banco de trás.
  Uma outra banalidade que ficou em mim retida, foram as palavras de uma senhora que, num programa de televisão, afirmou que adorava os filhos por a fazerem rir tanto. Marcou-me a forma como compôs o final da sua ideia: - Basta lembrar-me dos meus filhos para começar a rir!-
  Vou ser franca: sei que os filhos não nos fazem apenas rir. Os estupores fazem-nos gritar, desesperar e  preocupar. Dão-nos preocupações; exigem dedicação;  implicam esforço e fazem-nos “perder” muitas coisas como a barriga lisa e a despreocupada vida de quem não tem quem dependa de si. Mas não há nada que se compare àquele abraço que nos dão; ao beijo lambuzado ou ao olhar de quem ainda nos vê como o mais maravilhoso dos seres. Não há nada que se compare a ouvir que somos a melhor mãe do mundo só porque lhes compramos uma carteira de cromos ou deixamos comer o segundo gelado! Não há nada que se compare a imaginar o dia em que vamos ter um neto nos braços!
  E agora percebo o porquê se haver banalidades inesquecíveis… É porque as conversas que os nossos filhos têm,  no banco de trás do carro,  se podem tranformar numa das mais belas experiências da vida.
Ana Dias

5.1.12

A sós


   Quando é que uma pessoa se conhece verdadeiramente a si mesma? Na alegria ou na tristeza? Na tempestade ou na bonança? Em que preciso ponto da vida é que descobrimos exatamente que tipo de pessoa somos? Ou será que essa descoberta é um processo paulatino, resultante das nossas constantes escolhas? E será que, mais que escolher atitudes, podemos escolher o que sentimos?
   Perdoem-me a profusão de perguntas, logo pela fresquinha, mas há coisas em que vale a pena pensar.
   Tenho a firme convicção de que descobrimos o que nos define,  enquanto pessoas,  em duas situações em particular: nos momentos mais difíceis e nas viagens a sós. Percebemos as nossas capacidades e “lemos” a nossa essência quando enfrentamos as derradeiras dores da existência. E é nas solitárias viagens, (mais nas que escolhemos do que nas de trabalho) que conseguimos estabelecer um relacionamento verdadeiramente apaixonado com nós mesmos; que podemos desfrutar da nossa companhia, ver apenas pelos nossos olhos e dar provas apenas ao nosso interior.
  Tenho a firme convicção de que quem sai mais forte, otimista  e esclarecido dos períodos mais negros da sua existência, se torna num ser superior e capaz de quase tudo. E são apenas as pessoas que conseguem dar à vida o perdão absoluto pelas suas maldades,  que têm a capacidade de conquistar o mundo, a sós, ou acompanhadas, com amor por si e por tudo o resto…
Ana Dias

4.1.12

“É bom que não dancem!”


   O deck do Ipod faz soar uma música latina apetecível. Começo, lenta, a abanar-me, até que deixo o corpo tomar o controlo da situação e rendo-me a passos mais apaixonados e expansivos. Há instintos, reflexos denotadores de bem estar e felicidade, que são quase irreprimíveis e, por isso mesmo, não devem  ser refreados,  sob pena de perdermos momentos únicos da vida.
   É certo que estou na minha sala e que não tenho por hábito abanar-me tão volumptuosamente em público, embora confesse que, por vezes, me deixo levar por suaves movimentos na fila do supermercado ou enquanto espero os meus filhos à porta da escola. Sou uma criminosa!
  - Aqui não se dança, pois não? -  Perguntou-me, certo dia,  um agente da autoridade que fiscalizava o bar de família.
- Aqui no “Piratas” não costumam dançar, não…” – Respondi.
- Pois! É bom que não dancem! – Frisou bem as palavras pois o “Piratas” não tem licença para que as pessoas respirem a vida com dança.
   Lembrei-me deste episódio devido caso do proprietário de um restaurante que chegou mesmo a ser preso por ter tido clientes suficientemente felizes e descomplexados a ponto de se exprimirem  com uns passitos de dança. A meu ver o senhor devia ser premiado por lograr causar tal efeito nos clientes que, provavelmente fartos da austeridade da época, se conseguiram,  ali,  render à despreocupação de um bom momento.
  E não consigo evitar um pensamento: e se, pelo contrário, conseguíssemos obrigar todos os seres cinzentos a dançar? E se todos os legisladores ignorantes, burocratas arrogantes e engravatados pedantes, que operam em todas as estruturas rígidas e austeras, perdessem o seu pelouro a menos que, de hora a hora, fossem obrigados a dançar por dez minutos como se não houvesse amanhã?
   Parece-vos uma ideia estúpida? A mim parece-me suficientemente sábia para encerrar a solução de uma infinidade de problemas!
Ana Dias
   

3.1.12

A LISTA


   Ainda no rescaldo do início do ano que permanece em branco, como alva página na qual podemos escrever o que quisermos, quero confessar que não resisti à tentação de fazer A LISTA!  Pela primeira vez em muitos anos, sentei-me com papel e caneta e escrevi,  pelo meu próprio punho, um a um, os projetos e decisões que quero cumprir durante os próximos doze meses. Entre os vários devaneios apaixonados que me encheram duas pequenas páginas, encontram-se aspirações tão reais como passar ainda mais tempo feliz, escrever mais dois livros e um musical, viajar, amar mais, acarinhar mais, viver em abundância interior,  inspirar-me e inspirar os outros.
   Tenho a consciência absoluta de que muitas das coisas a que me propus serão cumpridas, da mesma forma que estou alerta para os perigos de distração e para alguns “truques” imprescindíveis para a concretização dA LISTA. Depois de sabermos o que queremos ( muitas vezes é este o passo mais difícil…) há alguns aspetos fundamentais  a ter em conta para levar a bom porto os nossos sonhos:
- Perseverança
- Apreciar o processo
- Verbalizar constantemente os nossos planos como se fossem já uma realidade
- Traçar metas concretas e datas que devemos respeitar
- Comprometer-nos connosco mesmos a dar tudo por tudo para não nos defraudarmos
- Saborear e celebrar cada pequena conquista que nos aproxima mais dos nossos intentos…
   E como quem me lê já sabe que sou um elemento  agitador dos vossos interiores, já devem estar à espera do desafio! Vá lá… Vão lá buscar caneta e papel!!
Ana Dias

2.1.12

Com sono, mas acordada!


     O pano cai  de madrugada  sobre o alegre palco, marcando o final de mais um reencontro de amigos. Sou a última ainda em cena. Olho à volta. O espaço, há poucas horas repleto de vozes felizes, música e luz, está agora silencioso e parcamente iluminado por algumas velas e luzes da árvore de Natal. Lanço um olhar aos despojos da festa e recordo como, um após outro, os convivas se foram retirando, deixando-me a sós com a anfitriã ,  minha “mana” para a eternidade e,  por fim, a sós comigo mesma.
  Cedo ao cansaço e vou finalmente dormir.
E hoje no carro, enquanto o corpo guiava tranquilo e a alma se instalava na terceira nuvem à esquerda ( o seu habitat natural ) dou por mim a pensar nas razões que me levam a ser sempre a última resistente;  a eterna apaixonada pela  intimidade emocional  das conversas que invadem as silenciosas horas noturnas.
Recordo, então,  palavras há poucas horas trocadas.
- Não quero fotografias minhas,  destes convívios, no face, meninas! – Aviso às viciadas em disparar sessenta flashes por minuto. – Tenho um perfil profissional a manter! –
- Querida… os escritores são, por definição, eternos boémios! – Responde-me uma delas.
  Lembro-me disto no carro, com o corpo a conduzir e a alma refastelada na terceira nuvem à esquerda…  - Porque serei tão boémia? O que tenho contra o tempo passado a dormir? Será este um requisito incontornável para ser o que sou, escritora?  - Percebo depressa que sempre fui assim. Sempre serei. A viver bem acordada, mesmo a morrer de sono! Simplesmente porque a vida é demasiado preciosa para me poder dar ao luxo de me deixar vencer pelo cansaço.
Ana Dias


  

30.12.11

Very Happy!


Quando era miúda tinha a mania de fazer a lista de decisões de ano novo. Devo ter criado tal hábito depois de ler o “Adrian Mole aos 13 anos e ¾”.    Num caderninho bonito, apontava as dez decisões que me acompanhariam os atos ao longo do ano. Já não me lembro bem mas, na altura, deviam ser coisas como melhorar as notas, lavar sempre os dentes e namorar com o miúdo mais giro da escola.  Com os anos perdi tal costume. No entanto, de cada vez que oiço de novo a contagem decrescente acompanhada de passas e champanhe, não consigo evitar  pensar sobre as coisas que deveria mudar. 
   Quer queiramos quer não, e por mais que se desvalorizem as datas, a entrada de cada novo ciclo de 365 dias e seis horas traz consigo uma oportunidade de virar tudo ao contrário. A passagem de cada ano velho para um outro, novo e cheio de promessas, a par com o nosso aniversário, são as melhores ocasiões para se tomarem decisões verdadeiramente radicais. Daquelas capazes de mudar o curso das nossas vidas para melhor.
  Mas desta vez, tantos anos depois de ter feito a última lista, páro um pouco para pensar e pergunto-me por que razão não diminuímos o ciclo? Por que razão não encaramos cada novo dia como uma folha em branco na qual podemos escolher que estórias ficam escritas? Mesmo que a decisão, ao acordar, seja a mesma dia após dia. Se for a correta não temos como falhar!  E há uma, em particular, que é válida e poderosa, mesmo que repetida incessantemente: “Hoje vou ser feliz. Muito feliz!”
  É verdade que há muitas outras, como “ Hoje vou ser melhor”; “ Hoje vou amar mais”; “Hoje vou-me surpreender”; “ Hoje vou superar-me” ou “ Hoje vou sorrir a toda a gente”. Mas, se pensarmos um pouco, a decisão de hoje ser feliz,  engloba tudo o resto!
 E é então que percebo o porquê de já não fazer a lista que sempre  fazia quando Janeiro chegava.  A idade ensinou-me que as grandes decisões de vida se tomam a cada novo dia. Agora já sei que, como dizia o poeta, “el camino se hace caminando” e que o valor e eficácia de cada decisão está diretamente relacionado com a sua constante renovação.
  É por isso que termino com os sinceros votos de que aprendam a acordar todos os dias com a firme convicção de serem very, very happy!
Ana  Dias

29.12.11

Trabalhar sem trabalhar



 - O que fazias se ganhasses o euromilhões? –
- Que pergunta parva! Fazia a mesma coisa que faço agora! 
    De todas as vezes que já ouvi este tipo de pergunta, nunca houve ninguém que desse este género de resposta. Os planos passam, invariavelmente,  por não fazer mais nada na vida e por comprar, comprar, comprar….
   E isto faz-me lembrar uma frase, atribuída a Confúcio, que no outro dia li : “Escolhe um trabalho que gostes e não terás que trabalhar nem um dia da tua vida.” Ao rever a frase,  não posso evitar perguntar-me quantas pessoas no Mundo trabalharão sem trabalhar… Quantas serão as que podem sustentar-se sem a sensação de estar a vender os seus dias?
   Uma coisa é certa: perguntem a vocês mesmos o que fariam se ganhassem o euromilhões… Se a resposta for “ que pergunta parva, faria exatamente a mesma coisa que faço agora”, é porque fazem parte do grupo de afortunados que trabalha sem trabalhar.
Ana Dias

28.12.11

Aos primeiros acordes


    Sempre que oiço uma música pela primeira vez percebo, logo nos acordes iniciais, se gosto ou não gosto. Há as que ponho imediatamente de parte, há as que merecem que as oiça novamente, e depois há aquelas que me prendem e apaixonam e que insisto em ouvir até à exaustão.
   Aconteceu-me hoje, no carro. Passou uma música que me arrebatou aos primeiros segundos e me deixou a pensar. Será que com as pessoas que conhecemos a regra é a mesma? Haverá as que pomos imediatamente de parte, as que merecem que as conheçamos melhor e as outras,   aquelas nas quais reconhecemos, no primeiro instante, uma profunda e surpreendente empatia?  E será que as que pomos de parte não se revelariam, afinal, uma surpresa? Ou que aquelas com quem nos sentimos logo ligados  são uma fraude?
  Não tenho a resposta. Apenas sei que, sobre  canções, botas ou roupa, sou rápida a perceber se gosto ou não. Quanto às pessoas,  à partida gosto de todas… mas nunca me aconteceu arrebatar-me, no primeiro instante, como me aconteceu hoje com a tal música.
Ana Dias


27.12.11

Matilde


   Quando ela chegou eu percebi logo que havia tempestade. O sorriso, forçado e mal desenhado, não conseguia disfarçar os resquícios de choro que lhe sobravam no olhar.
- Foi ele, não foi?  - Perguntei-lhe,  apreensivo.
- Ó Pedro… Eu não entendo… Estava tudo a correr tão bem. Parecia que ele gostava mesmo de mim. Como pude entender tudo mal?
- Querida, querida, Matilde… - Olhei-a,  com um suspiro, enquanto lhe segurava nas mãos. A nossa amizade é assim. Ela sofre e liga-me. Eu estou feliz e ligo-lhe a ela.
- Não entendo! Só gostava que me explicassem porque é que eu entendo mal os sinais! Começámos este relacionamento tão bem. Ele gostava de mim! Porque é que se afastou? -
- Pára de falar e ouve-me! Tu és linda, Matilde! Maravilhosa, na verdade. Mas tens que aprender uma coisa sobre os homens: há muitos que têm medo de amar. É por isso que acontece muitas vezes isto… Um relacionamento a despontar, tudo a encaixar na perfeição e , de repente… pff, eles desaparecem no espaço! E quase todos os que fogem do amor, fazem-no no exato momento em que percebem que estão na vertigem do momento do não retorno… -
-  Como sabes disso, Pedro? –
- Como poderia não saber? ... Sou um homem…-
Ana Dias