(...) e a confiança cega
que tenho na minha verdade
não a detém quem me nega
as asas da liberdade ...

Ana Amorim Dias

26.1.13

Vibrações

Vibrações

Somos emissores constantes. De imagens, palavras, atitudes e sensações. Os canais de comunicação estão em constante mutação, mas sempre activos, a levar tudo o que emitimos para uma infinidade de receptores muito mais vasta do que supomos.
A responsabilidade do que emitimos e de todos os efeitos gerados são fáceis de controlar nas palavras e atitudes... mas, e a vibração? Como controlamos a vibração com que vivemos cada momento e produzimos cada emissão? Como podemos estar conscientes de que, por mais perfeitas que sejam as nossas palavras e ações, se a vibração não for boa o seu efeito cai por terra?
Talvez não seja nada fácil embeber cada emissão com a verdade vibrante da alegria, mas acredito que a sua busca consciente possa ajudar em grande parte. Porque as nossas vibrações podem muito bem ser como os retratos desfocados que nos tornam tão mais belos quanto o próprio Mundo pode um dia vir a ser.

Ana Amorim Dias

Um mar de soluções

Um mar de soluções

Acredito que tudo tem solução. Até a morte. De nada adianta tentar controlar e resolver tudo. Há coisas que nos escapam: quase tudo, na verdade.
Sim, tudo tem solução. Mesmo que ela chegue em forma de resignação, desistência ou aceitação. Muitas vezes são mesmo estas as mais valiosas soluções.
Contudo, e sejam elas quais forem, as soluções só se encontram quando aceitamos mergulhar, completamente nus, no vasto mar do nosso interior.

Ana Amorim Dias

24.1.13

Degredo na estupidez

Degredo na estupidez

Por altura da Passagem de Ano pensei que já tinha de novo acesso seguro à TVI; julguei erroneamente que não mais corria o risco de, no meio do zapping, me deparar com a voz odiosa da Dona Teresa a estimular o já elevadíssimo grau de estupidez crónica de pessoas que, tanto quanto me apercebo, vieram do Planeta Stupidity.
Enganei-me redondamente. Num dos novos dias deste novo ano (para o qual desejamos sempre muitas coisas boas) enquanto, de comando em riste, ia levando uma maçã à boca, deparo-me com uma cena pior que o Freddy Krueger e a menina do Exorcista a fazerem juntos uma festa do pijama: era a Dona Teresa a interrogar novos belíssimos espécimes dessa estranha estirpe de gente.
Escusado será dizer que me engasguei logo com a maçã e percebi que, até novas ordens, a TVI está interdita sem apelo nem agravo.
"Mas, Ana... Tu até és corajosa... Não podes recuar perante o perigo! Tenta ver um bocadinho para poderes escrever sobre isso", repeti-me imensas vezes, sempre sem conseguir fazer a paragem no tal canal.
Mas ontem enchi-me de força. Apertei os punhos, cerrei os dentes e, com o coração a ribombar de temor, fixei a minha atenção naquilo. Como quem aguenta uma dor lancinante; como quem se expõe à mais dura das provas, ouvi, por cinco intermináveis minutos de sofrimento excruciante, a voz de uma quantidade de gajas à bulha umas com as outras. Devo ter entrado num estado semi-catatónico, porque só me lembro de ouvir frases soltas que nem sequer me atrevo a reproduzir, de tão vazias de sentido.
Nunca conseguirei entender como é que um programa assim tem audiências. Apenas me ocorre que, tal como os condenados ao degredo, as pessoas que o vêem aceitem a condenação ao compulsivo afastamento da terra Natal da sua própria inteligência.

Ana Amorim Dias

A tua força solar

A tua força solar

O meu irmão olha-me a rir.
- O que foi? - Calo a rajada de disparates para saber o que aquele olhar me esconde.
- Nada. ... É que olho para ti e imagino-te com um capacete tipo Professor Pardal, com muitas antenazinhas a lançar faíscas entre si.

Saio do carro para comprar pão. Algumas pessoas olham-me com estranheza. Estão com casacos grossos, luvas, gorros e cachecóis. Devem pensar que sou louca: só de camisa sobre o pelo, as mangas arregaçadas. Mas tenho tanto calor...

As crianças saltam-me para a cama ao acordar e enroscam-se a mim.
- Mãe! Tu estás a arder!

Não é febre. Está tudo bem. Deve ser só o efeito de uma fotografia tirada ao próprio sol de Inverno num destes ocasos frios. Uma fotografia que me deixou a pensar que todos podemos ser um sol para tanta gente; que todos devemos encontrar o nosso poder solar de brilhar e arder, incandescentes de corpo e alma, para aquecer e iluminar todas as vidas que trazem sentido à nossa própria vida.
E tu? Quantas vidas aqueces com essa tua força solar?

Ana Amorim Dias

22.1.13

Perdida num mar de pedras.

Perdida num mar de pedras

Fui para a horta mais por dever moral que por vontade ou vocação. Acontece que, se vou comer favas, ervilhas, batatas, cenouras e afins, é mais do que justo colaborar um pouco com o mentor do projeto.
Uma vez que pouco ou nada entendo de plantações, dediquei-me à menos sábia das atividades: a apanha da pedra. Luvas nas mãos, botas de montanha nos pés e claro (como não?) o iPhone no bolso de trás, soando a todo o vapor.
"Ah, Ana, que bom! Agora é que vais relaxar a mente e não pensar em nada!", vaticinei a mim mesma. Mas qual quê! Quanto mais eu as apanhava mais elas pareciam nascer das profundezas da terra, fazendo com que a filosofia da pedra se apoderasse de mim!
"Deve-se olhar para o que se faz no momento e não para imensidão do que falta", foi uma das primeiras pérolas que, de tão pirosa, me provocou logo o riso.
"Então, se as pedras do nosso caminho devem ser usadas para construir um castelo, que raios fazemos às pedras da nossa horta?" E quanto mais os brilhantes espasmos cerebrais se contorciam cá dentro, mais eu me ria e pensava que ter a cabeça baixa me causa efeitos estranhíssimos.
A verdade é que desta vez não me ocorreu nenhuma metáfora, alegoria, ou simples reflexão. Percebi apenas que o que é feito na nossa própria alegre companhia, se pode muito bem tornar num momento memorável, mesmo quando nos julgamos perdidos... num imenso mar de pedras.

Ana Amorim Dias

Respostas

Respostas

Eu estava no limbo suspenso do sono, no ponto preciso do meio caminho entre a consciência e o seu apagão, quando os olhos brilhantes do ator no ecrã pareceram olhar-me.
- "O que nos leva a estar aqui, se já sabemos o desfecho? Porque temos que estar aprisionados ao destino? O que nos move? Que temos para dar um ao outro? Porque perdemos tempo? Porque não ganhamos?
Por não o enfrentamos? Porque só penso em ti?
Onde está a minha liberdade? Onde é que eu estou....
Porque não me quero encontrar? O que sou?" -
A sua musa olhou-o e começou a dar-lhe respostas que já não sei recordar porque a inconsciência me levou de volta para a adormecida paz. O amanhecer, contudo, trouxe-me o caso à memória, trazendo também a vontade de vos alertar para as respostas.
Nunca se sabe o desfecho. Nunca. E o que nos move é a vertigem de vida que nos sentimentos se encerra. Todos temos algo para dar uns aos outros: um sorriso, um "obrigada", um exemplo, uma lição de vida ou, nalguns casos mais extremos, a nossa própria vida. O que jamais devemos esquecer é que é nos outros que nos descobrimos, que nos conhecemos, que nos encontramos com o mais cristalino reflexo da nossa verdadeira essência. E nunca é uma perda de tempo: é o abraço libertador que nos revela o que somos e em que ponto evolutivo já nos encontramos.

Ana Amorim Dias

20.1.13

Primeiro amor

Primeiro amor

Ontem não vim deixar nada no ar porque passei o dia atarefada com os preparativos para uma importante festa.
O primeiro amor da minha vida cumpriu mais um aniversário.
Tanto quanto sei, no próprio dia em que nasci, estabeleceu-se entre nós uma ligação abençoada e inquebrável. Ou talvez até tenha sido antes, não sei. Não sei nem me importa, porque tudo o que precisamos de saber é aquilo que sentimos uma pela outra: um amor tão genuíno e uma gratidão tão profunda que chegam a produzir surpreendentes milagres.
Que cumpras muitos e cada vez mais felizes e luminosos tempos, irmã da minha alma.

Ana Amorim Dias

18.1.13

Uma agulha no palheiro

Uma agulha no palheiro

Muitas das metáforas da minha vida acontecem com músicas ou de forma musicada. A que vos vou agora narrar terá certamente muitos pontos em comum com episódios já ocorridos convosco.
Havia uma música, indiana e muito bela, que me fazia sentir uma alegria enorme. Estava num cd que eu ouvia no carro e que desapareceu sem deixar rasto. Eu desconhecia o nome da canção, do álbum e do cantor. Quanto à melodia, apenas dela me restava a memória saudosa do bem que me fazia sentir.
Acreditem ou não passaram-se anos sem que eu ouvisse a tal música... e sem que a esquecesse também.
Até que, na semana passada, num mergulho destemido à minha memória externa, enquanto procurava não me afogar naquele infinito mar de "palha" musical, a dita canção me saltou para as mãos sem que eu a procurasse, qual agulha preciosa rendida ao meu magnetismo. Os arrepios percorreram-me corpo e alma ao ouvir os primeiros acordes. Continuo sem entender uma única palavra, mas também continuo a render-me a um sorriso feliz de cada vez que a oiço.
No fundo sempre soube que aquela música voltaria à minha vida. Como sempre as mais preciosas agulhas saltam da palha para as nossas mãos... quando paramos de procurar e deixamos o nosso magnetismo trabalhar.

Ana Amorim Dias

Bondade

Bondade

Ando às voltas com a questão dos super poderes. Gosto de acreditar que os tenho. Tanto que o meu novo livro é sobre eles, embora não tenha percebido ainda muito bem de que forma. Tudo o que sei é que a raça humana tem super poderes fantásticos que não se lembra de usar. Tudo o que sei é que ando a ver se ativo mais os meus e os "relembro" nos outros.
É por isso que tenho andado em pesquisa de campo, a perguntar a todos os que se atravessam no meu caminho, quais são os super poderes mais importantes. A cara de espanto da senhora do café ou do caixa do super mercado desconcentra-me sempre e acabo por não absorver as respostas.
Mas ontem, no escurinho do cinema, fez-se luz na minha alma. No fundo já o sabia, mas vi com uma clarividência maior: o supremo super poder é simplesmente a bondade. Aquela que tudo entende, tudo perdoa e tudo cura; em quem a sente, em quem a exerce e nos outros, nos que são por ela tocados.
De qualquer forma não termino sem vos pedir também a vossa valiosa opinião.

Ana Amorim Dias

Criativo

Criativo

Há dias ralhei com o Joãozinho devido à porcaria que as suas invenções artísticas estavam a originar.
- Não ralhes, mãe. Sou criativo.-
"Para sete anos sabes muito!", pensei, ao recuar nas acusações.
Aquilo a que achei mais graça nem sequer foi ao seu jeito sedutor de se safar às limpezas, foi ao orgulho com que disse o "sou criativo". E isso levou-me de volta aos agradecimentos frequentes que me dão pela minha própria criatividade e a uma resposta que recentemente dei a um desses agradecimentos.
- Quem deve agradecer a quem? O admirador de uma obra ao seu criador ou o próprio criador a quem lhe admira as obras?-
O certo é que nos últimos dias tenho admirado as obras fotográficas do criador desta fotografia, Ricardo Teixeira (Immagine) e, agradecendo-lhe as obras que me me inspiram a novos escritos, lhe propus escrever sobre algumas. E ele, bem... ele agradeceu-me.
Ora ontem à tarde, e para consolidar melhor em mim todo este tema, perguntei ao meu filho o que é ser criativo.
- Oh mãe, criativos são as pessoas que fazem coisas novas... Coisas novas para dar ao Mundo, percebes?-
Percebo João! É por isso que agradeço ao Ricardo que tirou esta fotografia que me faz sonhar; e agradeço a quem lê e aprecia o que de novo tenho para dar ao Mundo; e te agradeço a ti... por seres tão criativo!

Ana Amorim Dias

15.1.13

O pão que um anjo amassou

O pão que um anjo amassou

Adoro expandir os meus conhecimentos...nem que seja com farinha. E dou particular valor à sabedoria experimentada porque, mesmo que não a volte a usar, enriquece-me as vivências, e claro, os escritos.
Mas deixem-me começar pelo princípio.
Já tenho amassado pão de saltos altos. Também já o fiz toda encasacada ou só de biquini e pareo. O que importa mesmo é a vontade e amor com que se amassa. E fazê-lo dá-me prazer. Pela sensação de pôr as mãos na massa e por sentir uma responsabilidade guerreira de alimentadora e zeladora que não sei explicar muito bem. Mas no outro dia foi diferente. Vi-me a braços com o próprio forno a lenha pela primeiríssima vez. Deixaram-me os paus a arder e foi tudo.
Aflita, liguei à minha sogra para me vir acudir. Não podia...mas explicou-me ao telefone o que tinha que fazer: - Quando já não houver fogo nenhum, pegas no rodo, tiras as brasas quase todas e deixas só um montinho à porta do forno para não deixar fugir o calor. Depois lavas o chão do forno duas ou três vezes com um trapo preso à ponta de um pau e de seguida metes o pão, que isso já tu sabes fazer.-
Anotei tudo mentalmente. Não me parecia difícil. Dois segundos depois a minha sogra ligou de novo.
- Ana?-
- Sim?-
- Tens que vez se o forno não está demasiado quente antes de pôr o pão!-
- E como faço eu isso?-
- Atiras um punhado de farinha lá para dentro. Se a farinha queimar instantaneamente tens que lavar o forno um pouco mais, caso contrário pode queimar logo tudo.
Respirei fundo. "Tu consegues, Ana!" E, claro, consegui. Mas confesso que o momento alto foi o do teste da farinha, que atirei com poderes de anjo a fazer os seus milagres. Talvez seja por isso que, no fim da odisseia, elevei um pão aos céus a pensar: "Aqui está ele: o pão que um anjo amassou..."

Ana Amorim Dias

100%

100%

Eu estava a pintar os olhos e, vinda do nada, ouvi de novo a conversa de ontem à noite.
- Estás a pensar vir cá esta semana?-
- Em princípio, sim, claro. Só não sei em que dia.-
Avancei para o rímel e, enquanto dava volume às pestanas, tive uma revelação: num só segundo revisitei inúmeros dos meus encontros semanais com ela, e percebi que volto sempre da sua companhia com uma alegria inexplicável agarrada ao meu humor. É como se fosse magia. Magia e muito amor.
- Faço cem quilómetros para ver a minha mãe -, penso ao passar o batom - mas, de alguma forma, parece que vou mesmo aqui ao lado.-
Visto o casaco e saio de casa com os meus ensonados filhos. Enquanto entro para o carro, olho-os e pergunto-me: "será que já percebem que eu também sou 100% amor e 100% magia?"

Ana Amorim Dias